Thiago dos Reis: “A gente vai virar essa eleição”
Por Dafne Ashton — Brasil 247
247 – O deputado recém-eleito Thiago dos Reis afirmou que a disputa nas redes sociais será determinante para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026. Em entrevista ao Boa Noite 247, da TV 247, ele avaliou que o campo governista conseguiu mobilizar eleitores nas ruas durante o primeiro turno, mas foi superado pela extrema direita na comunicação digital. Para reverter esse cenário, defendeu uma mudança na atuação de militantes, influenciadores e apoiadores do presidente, com foco na ampliação do alcance das mensagens para além do eleitorado que já apoia Lula.
“Onde a gente levou uma surra foi nas redes. Nas redes sociais a gente perdeu. Então a gente precisa focar nas redes sociais”, declarou Thiago, ao relatar uma reunião com Lula na qual o deputado André Janones apresentou sua avaliação sobre a campanha.
Segundo Thiago, a esquerda chegou ao primeiro turno sem mobilizar todo o seu potencial de comunicação. Ele atribuiu parte desse comportamento à expectativa de que Lula venceria a eleição sem a necessidade de ampliar o envolvimento dos apoiadores. Enquanto isso, afirmou, a extrema direita manteve uma atuação voltada à produção e à circulação de conteúdos nas plataformas digitais.
“A esquerda entrou na eleição como um time de futebol que entra meio assim: ‘Ah, já ganhou’. Não põe o pé em dividida”, comparou. Na avaliação do parlamentar, essa postura contribuiu para que influenciadores, personalidades públicas e eleitores deixassem de participar da campanha durante uma etapa em que a disputa pela atenção dos usuários já estava em andamento.
Thiago observou que muitas pessoas identificadas com a esquerda ou contrárias ao bolsonarismo evitaram manifestações públicas de apoio a Lula no primeiro turno. Ele mencionou influenciadores que não produziram vídeos eleitorais e cidadãos que deixaram de conversar sobre a eleição com familiares, amigos e integrantes de grupos de mensagens.
Para o deputado, esse comportamento começou a mudar depois da votação de 4 de outubro, quando o resultado levou parte dos apoiadores do presidente a reconhecer a necessidade de participar da campanha.
“Quantos milhões de brasileiros poderiam ter falado com um familiar, com um amigo, com alguém no grupo do condomínio e não falaram porque estavam acanhados, estavam nesse clima de ‘já ganhou, não preciso me indispor’?”, questionou.
Na avaliação de Thiago, a mobilização dessas pessoas pode alterar a capacidade de circulação das mensagens favoráveis ao presidente. Ele afirmou que o crescimento do engajamento já pode ser observado nas interações com publicações políticas, embora tenha ressaltado que ainda existem dificuldades para alcançar usuários que não acompanham os perfis de esquerda.
A experiência de 2014 e a possibilidade de virada
Para explicar por que acredita numa mudança de cenário, Thiago recuperou sua experiência na campanha presidencial de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) enfrentou Aécio Neves (PSDB) no segundo turno.
Segundo ele, a mobilização digital da esquerda ganhou força depois que os eleitores perceberam o risco de derrota. Thiago relatou que, naquele período, páginas favoráveis à candidatura de Dilma passaram a registrar crescimento nas interações e no compartilhamento de conteúdos.
“A gente alcançou 111 milhões de pessoas em três semanas”, afirmou, referindo-se ao desempenho da página Plantão Brasil no Facebook durante a campanha de 2014.
O deputado disse que o aumento da participação dos apoiadores teria multiplicado o engajamento das publicações e permitido que conteúdos favoráveis a Dilma alcançassem pessoas que não acompanhavam páginas políticas.
Para Thiago, o aspecto central daquela experiência foi a capacidade de ultrapassar os limites do público já identificado com a candidatura petista. Ele considera que o mesmo movimento precisa ocorrer em 2026, sobretudo entre eleitores indecisos, pessoas com menor envolvimento político e cidadãos que não compareceram às urnas no primeiro turno.
“Começava a fazer a mensagem da esquerda chegar em quem não é de esquerda, chegar naquelas pessoas que são mais despolitizadas”, recordou.
Na avaliação do parlamentar, a mudança de comportamento dos apoiadores após o primeiro turno pode reproduzir parte daquele processo. Ele afirmou que o aumento da participação não depende apenas de grandes influenciadores, mas também da disposição de milhões de pessoas para compartilhar conteúdos e conversar sobre a eleição.
“É exatamente por isso que eu comecei a falar: a gente vai virar”, declarou.
A estratégia de André Janones
Thiago também defendeu a estratégia de mobilização digital conduzida pelo deputado André Janones, baseada na organização de grupos de apoiadores para ampliar a circulação de publicações nas redes sociais.
O modelo discutido na entrevista prevê reunir milhões de participantes em canais de comunicação capazes de distribuir conteúdos e estimular interações simultâneas. A proposta parte da ideia de que o engajamento inicial pode contribuir para aumentar a distribuição das publicações pelos sistemas de recomendação das plataformas.
Thiago afirmou que utiliza métodos semelhantes e que parte da esquerda demonstrava resistência a essas práticas. Segundo ele, a disputa eleitoral exige compreender o funcionamento das redes e organizar a participação dos apoiadores de acordo com as características de cada plataforma.
“Esse é o método que dá certo, esse é o método que chega nas pessoas”, afirmou.
O parlamentar argumentou que o objetivo não deve ser apenas produzir mensagens para quem já concorda com Lula, mas construir condições para que essas publicações circulem entre usuários que ainda não decidiram seu voto.
Para ele, a atuação coordenada dos apoiadores pode ajudar a compensar a estrutura digital construída pela extrema direita ao longo dos últimos anos.
Thiago citou como exemplo o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que, segundo seu relato, utiliza um conjunto de páginas com milhões de seguidores, inclusive perfis que não tratam diretamente de política, para ampliar a divulgação de suas publicações.
De acordo com Thiago, quando esses perfis compartilham um vídeo, a publicação pode receber um volume de interações capaz de ampliar sua circulação. Ele defendeu que a esquerda compreenda esse mecanismo e desenvolva estratégias próprias de distribuição de conteúdo.
“O mundo é como é. A gente se adapta. A extrema direita se adaptou, agora a gente está se adaptando”, afirmou.
O papel dos eleitores na mobilização digital
Na parte final da entrevista, Thiago apresentou orientações sobre como os apoiadores de Lula podem contribuir para aumentar a circulação de conteúdos durante o segundo turno.
Entre as ações mencionadas estão a inscrição em canais de comunicação, a visualização integral de vídeos, a participação nos comentários e o compartilhamento de publicações em grupos de WhatsApp e outras plataformas.
Segundo ele, a combinação dessas interações pode contribuir para que os sistemas de recomendação distribuam conteúdos a um número maior de usuários. O deputado destacou especialmente a importância de compartilhar publicações fora dos círculos que já acompanham a campanha.
“Curtir os vídeos, assistir até o final vídeos das redes curtas, como TikTok, Instagram, é muito importante. Comentar é importante, compartilhar, mandar para o WhatsApp das outras pessoas é importantíssimo”, declarou.
Thiago explicou que a proposta de Janones busca justamente transformar a participação dos apoiadores em uma estrutura de distribuição de mensagens. Nesse modelo, os conteúdos são enviados aos grupos, que passam a interagir com as publicações para ampliar sua visibilidade.
O deputado considera que a esquerda demorou a reconhecer o peso dessas ferramentas na disputa política e que a campanha de 2026 representa uma oportunidade para reorganizar sua presença digital.
Sua avaliação é que a comunicação nas redes não pode ficar restrita aos perfis oficiais de Lula ou às páginas de parlamentares e dirigentes partidários. A participação dos eleitores, segundo ele, precisa integrar a estratégia de campanha, permitindo que as mensagens circulem em ambientes onde a candidatura petista ainda encontra dificuldades de penetração.
Para Thiago, a eleição será decidida também pela capacidade de transformar o apoio político em circulação de informação e diálogo com setores da sociedade que não participam regularmente do debate partidário.
“A gente precisa ganhar eleição. Depois a gente faz um governo bom, porque, se a gente não ganha eleição, não tem o que fazer depois”, afirmou.
Ao defender a concentração de esforços nas redes sociais durante as semanas que antecedem o segundo turno, Thiago sustentou que a mobilização dos apoiadores pode modificar a relação de forças na disputa digital e contribuir para a conquista de votos.
“A gente vai virar essa eleição”, concluiu.
Fonte: Brasil 247