Tesouro Direto: o mercado queimou a largada? Confira a tese defensiva do Safra para os títulos públicos

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Por Monique Lima — Seu Dinheiro

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Quem comprou Tesouro IPCA+ quando as taxas estavam em 8% ao ano teve poucos motivos para reclamar nas últimas semanas. A forte queda dos juros futuros após o primeiro turno das eleições impulsionou os preços dos títulos do Tesouro Direto e gerou ganhos que, em alguns casos, chegaram perto de 25% no acumulado de um mês.

Agora, o investidor que está olhando para o Tesouro Direto se depara com uma realidade diferente daquela observada meses atrás.

O juro real dos papéis indexados à inflação caiu da faixa de 8% para a faixa de 6% ao ano. Os prefixados também passaram por bastante reprecificação — caíram de uma taxa próxima de 14% para 12% ao ano.

Isso significa que as taxas já não estão nos níveis recordes que chamaram a atenção do mercado ao longo do ano, e a discussão deixou de ser sobre travar IPCA+ 8% ao ano.

A pergunta do momento é: onde ainda existe oportunidade nos títulos públicos?

O mercado colocou otimismo demais nos preços?

A reação do mercado ao resultado do primeiro turno — em que o candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, saiu como favorito à cadeira do Planalto no segundo turno — foi imediata.

Além disso, parlamentares de direita e da mesma legenda de Flávio, do Partido Liberal (PL), aumentaram significativamente suas participações nas bancadas do Senado Federal e da Câmara de Deputados.

A leitura predominante dos agentes financeiros foi a de que a nova composição do Congresso aumenta as chances de aprovação de uma agenda fiscal mais restritiva a partir de 2027.

Entre 30 de setembro e 6 de outubro, as taxas dos títulos prefixados do Tesouro Direto recuaram entre 1,20 e 1,32 ponto percentual. Nos títulos atrelados à inflação, a queda ficou entre 0,38 e 0,56 ponto percentual, segundo dados do Safra.

Essa queda das taxas teve um efeito imediato sobre os títulos que já estavam nas mãos dos investidores. Na renda fixa, preço e taxa caminham em direções opostas: quando o mercado passa a exigir juros menores para emprestar dinheiro ao governo, os papéis com taxas mais altas ficam mais valiosos.

  • É esse mecanismo, conhecido como marcação a mercado, que explica os ganhos expressivos observados nas últimas semanas.

Em relatório, porém, o banco pondera que existe uma diferença importante entre expectativa e realidade.

Embora o mercado tenha passado a apostar em uma trajetória mais favorável para as contas públicas, ainda não há definições sobre o pleito eleitoral. O segundo turno está previsto para 25 de outubro.

E ainda que Flávio Bolsonaro saia vencedor, não há clareza sobre equipe econômica, medidas concretas de ajuste fiscal ou capacidade de articulação política para aprová-las.

Na prática, os investidores já começaram a precificar um cenário mais benigno antes que ele efetivamente exista.

Oportunidades no Tesouro Direto

Segundo o Safra, as melhores opções para alocação nos títulos públicos agora estão concentradas nos vencimentos intermediários.

Em 6 de outubro, o Tesouro IPCA+ 2032 pagava 6,97% ao ano acima da inflação.

Já o Tesouro IPCA+ 2040 oferecia 6,67% ao ano.

O Tesouro IPCA+ 2050, por sua vez, pagava 6,55%.

Ou seja, em troca de uma taxa maior, o investidor também assume menos risco.

Isso porque o Tesouro IPCA+ 2032 tende a oscilar muito menos quando o mercado muda de opinião sobre juros, inflação ou contas públicas.

Na prática, quem compra um título com vencimento em 2050 pode ganhar mais se os juros continuarem caindo, mas também está sujeito a perdas maiores caso o cenário fiscal decepcione.

E é justamente esse risco que preocupa o banco.

“A tese é assimétrica: se houver confirmação de um ajuste fiscal crível, os títulos longos podem capturar ganhos mais expressivos. Mas, se as expectativas forem frustradas, serão também os mais vulneráveis à sensibilidade dos juros”, diz o relatório.

Por isso, o Safra considera os vencimentos mais longos como uma posição tática e limitada, não como o núcleo da carteira. Já os intermediários são a preferência, principalmente para levar ao vencimento.

Tesouro Selic e Prefixados

O banco mantém uma visão positiva para o Tesouro Selic, que continua exercendo “o papel de reserva de liquidez e proteção da carteira”.

Nos títulos prefixados, a preferência é pelos vencimentos mais curtos, até 2028.

A justificativa é que a queda recente das taxas reduziu o potencial de ganho dos prefixados mais longos, enquanto os papéis curtos ainda podem se beneficiar de novos cortes da taxa Selic.

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Fonte: Seu Dinheiro

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