Ter lado sem perder o eixo: o que está em jogo no trabalho quando você se posiciona politicamente em tempo de eleição

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Por Thiago Veras — Seu Dinheiro

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Todo ano de eleição, eu faço a mesma promessa para mim mesmo: desta vez, não vou me afetar. E todo ano, quando chega a hora, cá estou eu. Com as entranhas mexidas, acompanhando apuração, relendo mensagens, dormindo pior do que gostaria.

Talvez você ache exagero. Eu não acho. Está em jogo uma definição que vai afetar a minha vida, a sua e a de quem trabalha ao nosso lado.

É quase impossível passar ileso. Basta abrir o celular. O algoritmo aprende rápido do que a gente gosta e passa a entregar só isso, cada post confirmando o que já pensávamos.

Começamos a olhar para o coleguinha ao lado de outro jeito. Um olhar mais crítico, tentando adivinhar em quem ele vota, lendo intenção onde talvez só exista um comentário solto.

E não me excluo disso. Faço parte do mesmo problema. É preciso muita musculatura para não levar para o pessoal.

Nas últimas semanas, perdi a conta de quantos amigos me procuraram com a mesma dúvida: afinal, posso ou não me posicionar durante as eleições?

A dúvida deles tem fundamento. Um levantamento da Heach Recursos Humanos com 2.080 profissionais em todo o país mostrou que 54,4% evitam expor suas opiniões políticas por receio de serem prejudicados no trabalho. Quase um quarto (23,5%) relatou já ter sofrido coação direta ou indireta de superiores.

Mais da metade das pessoas ao seu redor pode estar calada. Gente com opinião, só que com medo.

O que considerar antes de se posicionar politicamente

Então, voltando aos meus amigos: pode se posicionar? Em regra, pode. Ninguém deixa de ter opinião ao passar pela catraca.

Deve? Depende. Gostei da forma como o comunicador Marc Tawil colocou a questão dias atrás. O peso de uma manifestação muda conforme quem fala, o trabalho que faz, as relações que tem e o momento. É uma escolha pessoal, mas que pede conhecer os riscos antes.

Ele sugere algumas perguntas antes de abrir a boca, ou o teclado. Fiquei com quatro delas na cabeça.

  • Estou falando por convicção ou pela pressão de parecer corajoso? Em ano eleitoral, o silêncio às vezes é lido como omissão, e isso empurra muita gente a se manifestar mais para os outros do que para si.
  • O que eu digo ajuda alguém a entender o assunto, ou só anuncia de que lado estou?
  • Que consequências estou disposto a assumir, nas relações e no trabalho?
  • E talvez a mais difícil: vou sustentar essas palavras quando a discussão esfriar?

É claro que você pode estar pensando: manter a calma é fácil para quem tem pouco a perder. E há verdade nisso. Para muita gente, uma eleição decide se um direito continua de pé, se um emprego se sustenta, se uma decisão de governo muda a conta do fim do mês. Pedir serenidade a essas pessoas pode soar como pedir que finjam não ver.

Não tenho uma boa resposta para isso. E desconfio de quem diga que tem.

Para quem lidera, porém, existe uma linha que não admite nuance. Ninguém pode usar cargo, poder econômico ou relação profissional para interferir na liberdade política do outro. A conversa continua livre. A opinião é sua.

Até a próxima,
Thiago Veras

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Fonte: Seu Dinheiro

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