Temor de nova tragédia no RS: Rio Taquari volta a subir e supera cota de inundação

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Por Laís Gouveia — Brasil 247

247 – O Rio Taquari voltou a subir em Lajeado, no Rio Grande do Sul, e superou os 22 metros na noite desta terça-feira (29), mantendo em alerta as autoridades e os moradores do Vale do Taquari. Com o avanço das águas, a Defesa Civil prossegue com a retirada preventiva da população das áreas mais vulneráveis, em uma região duramente atingida pelas enchentes históricas de 2024.

Segundo informações da CNN Brasil, com base em dados da Defesa Civil de Lajeado, o nível do rio chegou a 22,61 metros às 22h15. A marca está mais de três metros acima da cota de inundação, estabelecida em 19 metros. Em condições normais, o Taquari fica em torno dos 13 metros na região.

A prefeitura havia iniciado na segunda-feira (28) a remoção de moradores das áreas ameaçadas. Com a nova elevação do rio, o município ampliou as medidas preventivas. “Conforme a nova atualização da Defesa Civil do Estado, iniciamos a remoção preventiva dos moradores da cota de 23 metros”, informou a administração municipal.

Até a noite de terça-feira, 49 famílias, somando 123 pessoas, haviam sido acolhidas no Parque do Imigrante, no bairro Alto do Parque, segundo a Secretaria do Desenvolvimento Social de Lajeado.

O monitoramento do nível do Taquari é realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). A nova elevação ocorre após uma sequência de temporais que atingiu diferentes regiões gaúchas e provocou alagamentos, danos a imóveis e deslocamento de milhares de moradores.

De acordo com o balanço divulgado pela Defesa Civil estadual na terça-feira, 54.065 pessoas foram afetadas pelas chuvas desde sexta-feira (25). Ao menos 6.298 tiveram de deixar suas casas e quatro pessoas ficaram feridas. Não havia, até a divulgação do levantamento, mortes ou desaparecimentos confirmados relacionados aos temporais.

Os eventos climáticos também causaram danos a 8.181 residências e deixaram 171 casas destelhadas e 46 alagadas. A Defesa Civil contabilizou ainda prejuízos em 38 estabelecimentos de ensino, oito unidades de saúde, 27 outros prédios públicos e 93 estabelecimentos de diferentes categorias.

Previsão indica redução da chuva no Rio Grande do Sul

A tendência meteorológica para esta quarta-feira (30) indica uma redução das instabilidades no estado. Segundo a Climatempo, o ciclone extratropical deve se afastar da Região Sul, enquanto a frente fria avança em direção ao Sudeste.

Com a entrada de ar mais frio e seco, a chuva deve perder força no Rio Grande do Sul e ficar mais concentrada entre Santa Catarina e Paraná. Apesar da melhora prevista no tempo, o nível elevado dos rios mantém a necessidade de acompanhamento nas áreas sujeitas a inundações.

Vale do Taquari sofreu destruição histórica em 2024

A situação em Lajeado desperta atenção especial devido ao impacto das enchentes de 2024. O Vale do Taquari esteve entre as regiões mais atingidas pela maior tragédia climática registrada no Rio Grande do Sul.

Naquele período, o Rio Taquari ultrapassou os 33 metros na região entre Lajeado e Estrela. A força das águas destruiu áreas urbanas e atingiu bairros inteiros em municípios do vale, entre eles Cruzeiro do Sul.

As enchentes de 2024 deixaram 183 mortos e afetaram mais de 2,3 milhões de pessoas em 471 municípios, aproximadamente 95% das cidades gaúchas. No auge da emergência, cerca de 79 mil pessoas ficaram desabrigadas depois que suas residências foram destruídas ou ficaram sem condições de ocupação.

As consequências daquela tragédia também chegaram à Justiça. A Prefeitura de Porto Alegre foi condenada ao pagamento de R$ 50 milhões por danos morais coletivos em uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), relacionada à atuação do município durante a enchente de 2024.

Fonte: Brasil 247

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