TDAH em crianças: plataforma lança capacitação gratuita para professores

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A Gazeta

Criança com TDAH

Dificuldade de concentração é um dos sinais de  TDAH
shutterstock
Dificuldade de concentração, impulsividade, inquietação e problemas de organização podem afetar diretamente o desempenho escolar, o  convívio social e a autoestima de crianças e adolescentes com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Em um cenário em  que os sinais muitas vezes aparecem ainda nos primeiros anos da vida escolar, especialistas reforçam o papel estratégico de educadores e  professores na identificação precoce de comportamentos que podem indicar a necessidade de avaliação médica profissional.
O TDAH é uma condição neurobiológica de origem genética, caracterizada por  sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. É um dos transtornos mais frequentemente diagnosticados entre crianças e  adolescentes atendidos em serviços especializados, sua prevalência global estimada varia entre 3% e 5%. O ambiente escolar costuma  ser um dos primeiros espaços onde os sinais do TDAH se tornam mais perceptíveis, especialmente pela convivência diária, pelas atividades  coletivas e pelas demandas relacionadas ao aprendizado.
“A escola exerce um papel fundamental porque é no convívio diário, nas atividades coletivas e nas demandas de aprendizado que muitas  dificuldades passam a aparecer de forma mais evidente ”, explica Ligia  de Fátima Nóbrega  Reato , Pediatra, Hebiatra e membro do Departamento Científico de Medicina do Adolescente da Sociedade Brasileira de  Pediatria (SBP).

Ligia Reato

A hebiatra Ligia Reato explica os sinais do TDAH
Junior Rosa

Crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar prejuízos acadêmicos, dificuldade de socialização e impactos emocionais importantes quando não há acolhimento e acompanhamento adequados

Ligia  Reato Pediatra e Hebiatra

E foi com o objetivo de contribuir com a identificação precoce do TDAH e promover uma trajetória escolar mais inclusiva para crianças e adolescentes, que a farmacêutica a Apsen lançou no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, a trilha “TDAH Levado a Sério na Escola”.

Em formato totalmente on-line ( twww.tdahlevadoaserio.com.br)  a iniciativa permite que educadores de todo o Brasil participem da formação gratuita, voltada à  identificação do TDAH e das principais comorbidades (como a Dislexia, por exemplo), além de apresentar e discutir estratégias cientificamente embasadas para manejo do TDAH na sala de aula.  O projeto conta com o aval científico do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e o apoio institucional da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

“A gente sabe que o TDAH é o transtorno mais comum na infância, que acomete uma em cada 20 crianças, então é muito difícil que um professor não tenha um aluno com TDAH em sala de aula. Muitas vezes os pais ou responsáveis têm dificuldades em entender que o filho tem TDAH “, explica o psiquiatra  Paulo Mattos.   

O grande diferencial do curso é apresentar as estratégias que foram investigadas cientificamente e cujos resultados foram publicados na literatura especializada. Os professores recebem um certificado do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, uma instituição de ensino superior, após a avaliação que ocorre ao final do curso.

Como reconhecimento, as escolas que engajarem pelo menos 50% de seu corpo docente na trilha receberão o selo “Esta escola leva o TDAH a sério”. O conteúdo parte do entendimento de que a escola exerce papel fundamental na identificação precoce dos sinais do TDAH,  formando o professor para ser um observador qualificado. As ferramentas oferecidas auxiliam na identificação de sinais que impactam o rendimento e o convívio social, sem rotular ou estigmatizar o aluno.

“O educador é, muitas vezes, o primeiro a notar que algo não vai bem. Esta trilha oferece o embasamento científico necessário para que o professor se torne um observador qualificado, capaz de identificar sinais precoces que comprometem o aprendizado e a saúde mental  do aluno. Ao democratizarmos esse conhecimento, garantimos que a criança ou o adolescente chegue ao suporte especializado no tempo certo. Na saúde e na educação, o conhecimento é a base da inclusão”, explica o  psiquiatra Paulo Mattos.

Paulo Mattos, psiquiatra

O psiquiatra Paulo Mattos explica a importância de estar atento as crinaças e adolescentes
Junior Rosa

Tudo o que colocamos na plataforma é baseado em evidência científica e no que a literatura apresenta sobre como os professores podem lidar com o TDAH no seu contexto em sala de aula

Paulo Mattos Psiquiatra

Sinais mais frequentes

Entre os sinais mais frequentes observados em crianças e adolescentes com TDAH estão:

• dificuldade para manter a atenção em tarefas e atividades;

• erros por descuido em trabalhos escolares;

• dificuldade de organização;

• perda frequente de objetos;

• distração com estímulos externos;

• inquietude excessiva;

• impulsividade;

• dificuldade de esperar a própria vez;

• fala excessiva.

O diagnóstico correto deve ser feito por meio de avaliação médica especializada, envolvendo anamnese detalhada e análise do histórico  comportamental e escolar da criança ou adolescente. As manifestações do transtorno normalmente começam ainda na infância. 

Pais,  cuidadores e educadores devem estar atentos a comportamentos persistentes, como agitação acima da média, dificuldade para dormir,  baixa tolerância à frustração e prejuízos contínuos no aprendizado e nas relações sociais. 

O cuidado com o TDAH deve envolver diversas frentes, combinando acompanhamento psicológico, suporte na  escola e, quando indicado, suporte farmacológico. Atualmente, as opções terapêuticas dividem-se entre estimulantes e não estimulantes,  como a atomoxetina.

” O tratamento do TDAH exige uma abordagem multidisciplinar baseada em três pilares principais. O primeiro é a psicoeducação, fundamental para que o paciente (e a família, no caso de crianças e adolescentes) entenda o transtorno e suas implicações. O segundo pilar é a psicoterapia, que pode ser suficiente para determinados casos. Por fim, há a farmacoterapia: o uso de medicamentos é indicado e indispensável para muitos pacientes, devendo ser combinado às outras estratégias”, reforça Paulo Mattos. 

Embora os estimulantes sejam historicamente considerados tratamento de primeira linha, recentes artigos  científicos apontam que medicamentos não estimulantes também podem ser considerados opções de primeira linha em perfis específicos  de pacientes. Esta classe atende a perfis que precisam de maior tolerabilidade e de um controle contínuo do foco e da impulsividade ao  longo do dia, permitindo um tratamento individualizado, adequado às características e à rotina de cada paciente. 

*O jornalista viajou a convite da Apsen 

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Fonte: A Gazeta

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