Suíços rejeitam referendo para reforçar neutralidade do País

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Por AFP — Carta Capital

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A neutralidade, enraizada na história da Suíça há vários séculos, está inscrita na Constituição desde 1848

Os suíços rejeitaram de forma categórica, neste domingo 27, uma iniciativa popular para reforçar a neutralidade do País, um texto promovido pela direita nacionalista e classificado como pró-Rússia por seus críticos.

Esta iniciativa pretendia inscrever na Constituição uma neutralidade reforçada, que excluísse qualquer aliança com uma organização militar ou adoção de sanções econômicas contra um terceiro país, com exceção daquelas decididas pela ONU.

O texto foi amplamente rejeitado, com 70,1% dos votos, segundo os resultados finais.

“Este resultado não é um voto contra a neutralidade. A Suíça era neutra ontem, é neutra hoje e continuará sendo neutra”, disse o ministro das Relações Exteriores do país, Ignazio Cassis, à imprensa em Berna, quando os resultados foram anunciados.

A neutralidade, enraizada na história da Suíça há vários séculos, está inscrita na Constituição federal desde 1848 e implica que o Estado se abstenha de tomar partido nas guerras entre terceiras nações.

Mas a adoção das sanções da União Europeia contra Moscou após a invasão russa da Ucrânia, bem como o primeiro mandato da Suíça como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, em 2023 e 2024, colocaram a questão da neutralidade no centro dos debates políticos e midiáticos.

“Neutralidade não significa que a Suíça faça vista grossa quando ocorre uma violação das normas internacionais”, havia afirmado Cassis durante a campanha.

A organização pró-soberania Pro Suisse, que promovia a iniciativa, defendia uma concepção mais rígida, com o apoio da União Democrática de Centro (UDC), partido de direita nacionalista e principal força política do país.

“A Suíça tem um papel fundamental a desempenhar neste planeta. Queremos trazer paz, diplomacia e diálogo. E, para conseguir isso, precisamos ser credíveis com uma neutralidade perpétua e armada”, sustentou Céline Amaudruz, vice-presidente da UDC e deputada, na televisão pública suíça.


AFP

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Fonte: Carta Capital

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