‘Substituir o luto pela luta’: Genoino traça roteiro para Lula vencer no 2º turno e enfrentar cerco da extrema direita
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Logo após o desfecho do primeiro turno eleitoral, o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, José Genoino, participou do programa Giro das Onze, da TV 247, para apresentar uma leitura tática e política do momento que o país atravessa. Rejeitando qualquer postura de abatimento ou paralisia diante do avanço da bancada da extrema direita no Congresso Nacional, Genoino convocou a militância e o campo democrático a entrarem imediatamente em estado de vigília ativa.
“Nós temos que substituir o pânico e a angústia pela luta. Nós temos que substituir a depressão e o luto pela luta”, sintetizou o dirigente histórico.
Para ele, a margem estreita observada nas urnas — de cerca de dois a três pontos percentuais — coloca a eleição presidencial inteiramente em aberto, tornando os dias que antecedem a votação final uma janela decisiva de disputa ideológica, social e institucional.
Os dois eixos da campanha: desconstrução do adversário e disputa pelo futuro
Questionado sobre a prioridade imediata para o curto período de campanha até o segundo turno, Genoino foi categórico ao elencar dois pilares que devem estruturar a comunicação popular:
- Desmascarar a folha corrida do bolsonarismo: Demonstrar o perigo representado pela candidatura de Flávio Bolsonaro, trazendo de volta à memória pública a condução desastrosa na pandemia da Covid-19 com centenas de milhares de mortos, o vínculo com esquemas de corrupção, as ligações com milícias e as articulações financeiras obscuras.
- Afirmar o compromisso com o futuro: Evitar que a campanha se limite a uma prestação de contas burocrática dos mandatos petistas. O eleitorado quer saber o que virá pela frente: avanços no salário mínimo, expansão da saúde pública no SUS, investimento em educação de tempo integral, reforma agrária e soberania energética e industrial.
“Nós não temos que ficar falando só do legado e da biografia, porque o povo já conhece a biografia do Lula. Temos que disputar no imaginário popular o futuro: quem fez isso pode e vai fazer muito mais.”
Resgatar a abstenção e dialogar com o desalento popular
Um dos pontos centrais da análise de Genoino residiu no contingente expressivo de mais de 30 milhões de eleitores que não compareceram às urnas. Na visão do petista, o abstencionismo não reflete necessariamente desinteresse cívico, mas sim um sintoma profundo de revolta enrustida alimentada pelo bombardeio antipolítica dos grandes monopólios midiáticos.
Para atrair esse contingente, bem como os eleitores indecisos e os votos nulos, o ex-deputado sugeriu a elaboração de um compromisso concreto e direto — um “decálogo de propostas”. A mensagem, segundo ele, precisa dialogar com as dores materiais da classe trabalhadora:
- Risco real aos direitos sociais: alertar para as ameaças explícitas de cortes em benefícios constitucionais, previdência e vinculações orçamentárias de saúde e educação trazidas pela equipe econômica adversária.
- Defesa da soberania e do patrimônio nacional: impedir a entrega de empresas estratégicas como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, articulando a proteção das riquezas minerais, do petróleo e do território contra investidas geopolíticas externas.
Governabilidade: ‘Um pé nas instituições e um pé na luta social’
Diante das preocupações sobre a governabilidade com a forte bancada eleita pelo PL e seus aliados no Senado e na Câmara, Genoino desmontou o fatalismo institucional. O ex-parlamentar lembrou que a Presidência da República concentra prerrogativas fundamentais de Estado, como a execução orçamentária, a condução da política externa, as decisões de defesa e o canal direto de fala com a nação via pronunciamentos públicos.
Ele apontou que a extrema direita ainda precisará compor alianças para tentar obter maiorias absolutas e que o campo progressista possui espaço para construir pontes pontuais no Congresso contra pautas de chantagem e desestabilização golpista. Contudo, a garantia de sustentação e avanço virá prioritariamente da pressão das ruas:
“O governo vai ter que ter um pé nas instituições e um pé na luta social e na luta política. Nós vamos ter que ser muito mais exigidos nesse modelo de governabilidade.”
Entre as propostas de fundo que o ex-deputado defende colocar em debate está a realização de um plebiscito nacional sobre as emendas impositivas e secretas, devolvendo ao povo a decisão sobre o destino dos recursos públicos frente à captura parlamentar do orçamento.
Otimismo militante contra o cerco
Encerrando sua intervenção, Genoino fez um chamado à base partidária e aos movimentos sociais para não se intimidarem com as turbulências da mídia corporativa ou disputas internas de coordenação. Conclamou a militância a manter “cabeça fria e coração quente” para virar votos no corpo a corpo:
“Nós temos metade da população conosco. Essa força é imensa contra os bancos, contra a especulação financeira e contra a desinformação. Com otimismo militante e luta organizada nas ruas e nas redes, temos todas as condições de vencer.”
Fonte: Brasil 247