STJ aceita queixa-crime contra desembargadora por ofensas a colegas: “esquerdistas de merda”
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu, por unanimidade, uma queixa-crime contra a desembargadora Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain, vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT-17), acusada de proferir ofensas e ataques diretos a colegas magistrados em um grupo de mensagens, informa o Metrópoles.
O acolhimento da ação ocorreu em sessão realizada na última quarta-feira (16). Ao votar pelo recebimento da queixa-crime, o relator do caso, ministro Og Fernandes, destacou que o processo apresenta elementos suficientes para o seu prosseguimento no tribunal. De acordo com o magistrado, “existe justa causa para o recebimento da queixa-crime, pois subexistem indícios mínimos de autoria e materialidade das supostas ofensas”.
As acusações contra a vice-presidente do TRT-17 referem-se a episódios ocorridos em julho de 2025. Na ocasião, a magistrada teria disparado mensagens com ofensas de teor político aos demais integrantes do grupo institucional, chamando outros juízes e desembargadores de “esquerdistas de merda”.
Ataques ao STF e processo no CNJ
Além de responder à esfera penal perante o STJ, a desembargadora também é alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O procedimento foi instaurado pelo órgão de controle do Judiciário em março de 2026, motivado por denúncias de magistrados que apontaram “abuso no exercício do direito de expressão” por parte de Marise Chamberlain.
A representação apresentada ao CNJ detalha que as manifestações da desembargadora ultrapassaram as agressões aos colegas de tribunal e atingiram integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma das mensagens enviadas ao grupo de comunicação interna, Marise referiu-se ostensivamente ao ministro Alexandre de Moraes pelo apelido pejorativo de “Xanderleia”.
O teor das mensagens anexadas aos autos revela a hostilidade das declarações da magistrada no canal de comunicação do tribunal:
“Aqui é um canal institucional. Se vocês esquerdistas de merda quiserem postar vídeos que favorecem sua ideologia eu também me sinto no direito de postar outro lado. E aviso: eu não me importo…. Querem escrotizar? Bora….. Gentalha. Barroso sancionado. Filhos expulsos. Xanderleia na lei magnistsky é uma coisa divertida né? Bora conversar sobre isso. Ou vamos fingir demência e falar sobre coisas que nos unem”.
Em outro trecho da discussão, Marise direcionou ofensas individuais a outro magistrado, chamando-o de “criatura abjeta”, e ameaçou inundar o espaço virtual com conteúdos de ativistas e políticos da extrema-direita caso o debate político continuasse no grupo:
“Olha aqui criatura abjeta, se aqui nesse grupo formos nos manifestar sobre assuntos políticos e aceitar discursos hipócritas sobre soberania e blá-blá-blá… vou me sentir à vontade pra postar um sem-número de vídeos sobre democracia, liberdade, perseguição política etc… No mais, podemos voltar às felicitações de aniversário. Toda vez que vcs postarem essa hipocrisia eu tb vou encher o grupo de vídeos bacanas do Nikolas Ferreira, Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro e o monte de gente decente que tem CORAGEM de lutar.”
Histórico de afastamento
Os episódios de conduta inadequada da magistrada culminaram em sanções disciplinares recentes. Em julho de 2026, Marise Chamberlain foi cautelarmente afastada de suas funções no TRT-17 por determinação expressa do corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell. A medida punitiva foi tomada após a desembargadora proferir ofensas verbais contra a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) durante a realização de uma sessão administrativa do tribunal.
A reportagem do Metrópoles indicou que buscou contato com a defesa da desembargadora Marise Chamberlain para obter um posicionamento sobre a decisão do STJ, mas não obteve retorno até a publicação do texto.
Fonte: Brasil 247