STF chega rachado à sessão sobre Moraes e sob “tensão extrema”
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – O Supremo Tribunal Federal (STF) chega à véspera da sessão que analisará um pedido de investigação contra Alexandre de Moraes em meio a uma grave disputa interna que mergulha a Corte, com pressões de diferentes grupos sobre o presidente do tribunal, Edson Fachin, e incertezas sobre o rumo do julgamento marcado para esta terça-feira (15).
Ministros do STF ouvidos sob reserva pela CNN Brasil classificam o ambiente nos bastidores como de “tensão extrema”. A troca de ofícios ocorrida durante o fim de semana e o aumento da pressão sobre a cúpula do tribunal agravaram o confronto interno e tornaram imprevisível o cenário para a sessão.
No centro das pressões está Fachin. Tanto o grupo mais alinhado a Moraes quanto a ala ligada a André Mendonça tentam influenciar a condução dos procedimentos que estão na origem do confronto entre ministros.
Uma das principais cobranças é para que o presidente do Supremo assuma a relatoria dos inquéritos que servem de base para a disputa. De acordo com a reportagem, a pressão nesse sentido aumentou drasticamente nos últimos dias.
Ala pró-Moraes avalia questões processuais
Entre ministros mais alinhados a Moraes, são discutidas possibilidades de apresentação de questões de ordem e preliminares antes que o plenário avance sobre o pedido de investigação contra o magistrado.
A movimentação poderia postergar a discussão relacionada à suspeita levantada pela Polícia Federal sobre o vínculo de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A possibilidade seria abrir o julgamento com ponderações sobre questões processuais. Magistrados ouvidos sob reserva afirmam ainda que um eventual pedido de vista continua no radar.
O instrumento permitiria interromper a análise do caso. A alternativa, no entanto, é vista com cautela pelo grupo alinhado a Moraes devido ao desgaste político que poderia provocar. Apesar da resistência, ministros avaliam que a hipótese não está descartada.
Fachin resiste à pressão por adiamento
Mesmo diante das movimentações para postergar a análise, Fachin vem sinalizando que pretende manter a sessão marcada para esta terça-feira.
O presidente do Supremo também resiste à pressão da ala pró-Moraes para que o pedido de investigação contra o ministro seja analisado em conjunto com o caso envolvendo André Mendonça, cujo julgamento está previsto para o dia 23.
A tentativa de preservar as duas análises em datas diferentes passou a ser mais um elemento da disputa interna que atravessa a Corte.
Presidente do STF pode antecipar voto
Em meio ao acirramento das pressões, Fachin avalia uma iniciativa capaz de definir desde o início o rumo do julgamento. O presidente do STF considera antecipar seu voto sobre Moraes e apresentá-lo já na abertura da sessão desta terça-feira.
A eventual antecipação colocaria a posição do presidente da Corte sobre a mesa antes das demais manifestações e discussões processuais previstas para o julgamento.
A decisão de Fachin ganha ainda mais peso diante das tentativas de diferentes grupos de influenciar o andamento dos procedimentos relacionados à crise.
Fonte: Brasil 247