Sob gestão de Mario Frias, Ancine autorizou produtora de Dark Horse a captar R$ 5 milhões
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A Agência Nacional do Cinema (Ancine) autorizou, em 2021, a empresa Go 7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Ltda., pertencente à produtora Karina Gama, a captar R$ 5 milhões por meio dos incentivos da Lei do Audiovisual. O projeto aprovado no edital tratava-se da série documental intitulada “Mais que Vencedores”, focada na trajetória de jogadores de futebol integrantes do movimento Atletas de Cristo, informa Ramiro Brites no Metrópoles.
Karina Gama também é produtora, por meio de outra empresa de sua propriedade, a GoUp Entertainment, do longa-metragem Dark Horse, uma obra sobre Jair Bolsonaro (PL). A pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a produção do filme sobre o ex-mandatário recebeu ao menos US$ 12,5 milhões (o equivalente a cerca de R$ 64 milhões na cotação atual) de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master.
A liberação da captação de recursos pela Ancine ocorreu em um período no qual o órgão estava subordinado à Secretaria Especial da Cultura, então comandada por Mario Frias, atual deputado federal (PL-SP). Além do vínculo institucional na época, Frias assina o roteiro do filme Dark Horse.
A autorização para a captação de recursos foi revelada pelo jornal O Estado de São Paulo e posteriormente confirmada pelo Metrópoles, após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a derrubada do sigilo das investigações que envolvem o filme Dark Horse. O despacho autorizando a captação via Lei do Audiovisual foi assinado por Alex Braga, que exercia o cargo de presidente interino da Ancine desde o primeiro ano da gestão de Jair Bolsonaro, tendo sido efetivado como diretor-presidente em outubro de 2021, com mandato previsto até outubro de 2026.
Apesar da chancela estatal para buscar quase R$ 5 milhões no mercado, a Go 7 Assessoria não efetuou a captação de nenhum valor. O modelo de fomento da Lei do Audiovisual opera de forma semelhante ao da Lei Rouanet, utilizando mecanismos de renúncia fiscal de empresas que patrocinam projetos culturais. Contudo, a legislação do setor audiovisual apresenta maior amplitude, permitindo que os investidores atuem não apenas por meio de mecenato, mas também tornando-se sócios das produções e obtendo participação nos lucros. Diante da ausência de captação financeira, a série “Mais que Vencedores” não foi produzida.
Investigações de outros contratos e verbas públicas
Além da atuação no setor audiovisual, Karina Gama é responsável pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma organização social mantida com verbas públicas e que se tornou alvo de apurações policiais e federais.
A Polícia Civil do Estado de São Paulo investiga o ICB em razão de um contrato que ultrapassa a marca de R$ 100 milhões, cujo objeto é a instalação de pontos de acesso à internet sem fio (Wi-Fi) na periferia da capital paulista.
Paralelamente, a Polícia Federal (PF) apura a suspeita de eventuais desvios de recursos públicos relacionados a R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas ao instituto pelo deputado Mario Frias. Entre os casos sob investigação, a coluna destacou um projeto de jiu-jitsu contratado pelo ICB com a emenda repassada por Frias. A iniciativa registrou o gasto de mais de R$ 500 mil na aquisição de vestimentas para a prática da arte marcial (kimonos), embora os alunos atendidos frequentassem os treinamentos utilizando roupas comuns.
Fonte: Brasil 247