Por Jorge FolenaBrasil 247

A desordem institucional promovida por André Mendonça, ministro do STF (nomeado pelo ex-presidente condenado por graves crimes contra a ordem democrática) traz ao debate a necessidade imperiosa de enfrentamento ao crime organizado, que se infiltrou em atividades empresariais a partir do governo da liberdade econômica, que esteve à frente do país entre 2019-2022.

Daniel Vorcaro é um dos frutos podres da árvore plantada no governo anterior, que assumiu um banco pequeno e conseguiu, por meio da corrupção, conquistar vasto espaço e poder no sistema financeiro e político do país.

Empregando as velhas práticas mafiosas, Vorcaro atuou como um polvo, espalhando seus tentáculos por quase toda a estrutura política do país, contratando prepostos para trabalhar em seu banco de fachada, financiando viagens de luxo, refeições caras, degustação de charutos e uísque e vinhos de safras exclusivas e, como se não bastasse, organizando festas luxuosas para os moralistas no discurso, mas que gostam de orgias e bacanais com jovens meninas; aliás, uma técnica muito semelhante à utilizada por Eppstein. Porém, aqui no Brasil do Banco Master, ainda não veio à tona, em profusão, o que  rolou nas festinhas.

O ex-dono do Banco Master distribuía milhões de reais para corromper servidores do Banco Central, de governos estaduais e municipais e até mesmo magistrados, como está sendo revelado pela retirada de sigilo das investigações, que estava sendo imposto a qualquer custo pelo ministro André Mendonça, para proteger pessoas próximas ao seu círculo político, como alguns integrantes da família Bolsonaro, que receberam repasses de milhões de reais sob a alegação de colaboração para o filme do ex-presidente.

O caso Master é emblemático para se observar como o crime organizado se espalhou e ganhou força, a partir do governo de Bolsonaro, e porque há tanto esforço da classe dominante do país para tentar impedir a reeleição do presidente Lula.

Como tenho comentado ao longo do último ano, no Brasil, desde o início do século passado, já tinham sido identificadas as forças que conspiram contra o país, que são o imperialismo, o latifúndio e o fascismo. A partir da operação Carbono Oculto, em agosto de 2025, foi possível identificar, com mais evidência, que o crime organizado, que está estruturado em diversas atividades econômicas e financeiras, também integra estas forças que conspiram contra o desenvolvimento brasileiro.

Não quero parecer ufanista, mas é inegável que foi sob a liderança do presidente Lula, neste seu terceiro mandato, que a Polícia Federal iniciou um sério enfrentamento ao crime organizado, que sempre contou com a omissão e o apoio de governos locais (como no Rio de Janeiro) para atuar livremente e sem qualquer repressão. Os governos estaduais, que são constitucionalmente responsáveis pela garantia da segurança pública, apenas direcionavam suas ações contra a população preta e pobre das periferias das grandes cidades, como se nesses locais estivessem os verdadeiros chefes do crime.

O presidente Lula, com uma coragem impressionante, escolheu meter a mão nesse vespeiro e encaminhou uma proposta de emenda constitucional para que a Polícia Federal se tornasse  responsável pelo enfrentamento ao crime organizado, às milícias privadas e aos crimes ambientais. O curioso é que quem mais combateu esta proposta de emenda constitucional foram os governadores bolsonaristas Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Jorginho de Melo e Cláudio Castro. Inclusive, este grupo de governadores, com apoio da família Bolsonaro, abraçou Cláudio Castro em uma manifestação arrevesada de solidariedade, quando, no final de outubro de 2025, a polícia do Rio de Janeiro matou mais de cento e vinte uma pessoas, numa única incursão no Complexo do Alemão.

Como desdobramento desta matança, promovida pelo dublê de cantor religioso e governador cassado  Cláudio Castro, o ministro Alexandre de Moraes do STF, nos autos do processo da ADPF das favelas, determinou a prisão de várias autoridades ligadas ao governo de Castro e ao comando vermelho, pessoas que tinham também forte relação política e pessoal com o candidato Flávio Bolsonaro.

Em consequência do caso do Banco Master, a mídia empresarial tentou construir a tese de que toda a política brasileira estaria contaminada pela corrupção, porém esquecendo de informar – como de costume – que o mencionado banco também foi um dos grandes patrocinadores desses veículos e que o dinheiro de Vorcaro é oriundo de práticas delituosas contra o sistema financeiro e de corrupção promovida em diversos fundos de servidores públicos de estados e municípios.

De fato, o dinheiro da corrupção de DV se espalhou pela vida política e empresarial do país e foi utilizado para satisfazer os desejos de muita gente.

Porém, o único que não tem nada a ver com as falcatruas do Banco Master é o presidente Lula, que em seu terceiro mandato compreendeu a necessidade de se enfrentar o crime organizado, que se associou ao fascismo, ao imperialismo e ao latifúndio para tentar derrotá-lo eleitoralmente, mas cujas intenções finais são ainda mais tenebrosas do que a intervenção nas eleições de um país.

Os desdobramentos da crise instalada no STF vão deixando evidente a importância da liderança do presidente Lula, que já se manifestou de modo contundente em defesa da soberania e do direito cada país de determinar seu próprio futuro.

Por tudo isto, o processo eleitoral que atravessamos é crucial para o futuro do país, assim como a reeleição do Presidente Lula, pois fora da hipótese da vitória das forças progressistas só existe a certeza da barbárie.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *