Sidônio tira férias do governo para se dedicar integralmente à campanha de Lula
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Sidônio Palmeira, tirará férias a partir de segunda-feira (12) para se dedicar integralmente à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão ocorre após críticas internas à estratégia de comunicação petista diante do resultado do primeiro turno, segundo o jornal O Globo.
Embora já participasse do planejamento eleitoral e mantivesse contato direto com Lula, Sidônio passará a concentrar sua atuação na disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O ministro foi um dos responsáveis pela estratégia de comunicação da campanha vitoriosa do presidente em 2022 e se tornou alvo de cobranças após o desempenho eleitoral deste ano.
Flávio encerrou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. O resultado levou dirigentes do PT a defenderem mudanças na comunicação e na organização da campanha para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Campanha intensifica ataques a Flávio Bolsonaro
Uma das principais apostas da campanha petista é associar uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ao risco de cortes em programas sociais e à perda de direitos trabalhistas. A estratégia ganhou espaço no horário eleitoral e nos discursos públicos de Lula.
Durante compromissos eleitorais, o presidente tem questionado a promessa do senador de reduzir R$ 200 bilhões em despesas públicas e argumentado que os cortes poderiam atingir principalmente a população mais pobre.
A campanha também ampliou os ataques a Flávio na televisão, com referências ao caso Banco Master e às posições do candidato do PL sobre a Previdência e o fim da escala de trabalho 6×1.
Lula aposta em vídeos mais informais nas redes
A equipe petista também trabalha para ampliar a presença do presidente nas redes sociais. Uma das iniciativas partiu do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que sugeriu uma comunicação mais direta com os eleitores, por meio de vídeos gravados pelo próprio Lula no formato de selfies.
O presidente já começou a adotar a orientação e passou a publicar conteúdos mais informais durante as agendas de campanha.
A equipe de comunicação também recebeu novos integrantes. O publicitário Otávio Antunes, responsável pela campanha de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, passou a trabalhar ao lado de Raul Rabelo, encarregado do marketing eleitoral.
Também foram incorporados Rafael Marroquim, que atuou na campanha de João Campos, e Bruno Monteiro, que participou da reeleição do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).
Camilo Santana divide coordenação política
A reorganização alcançou também a estrutura política da campanha. O senador Camilo Santana (PT-CE) passou a dividir a coordenação-geral com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, que até então exercia a função sozinho.
Camilo assumiu a articulação política, enquanto o ex-ministro Rui Costa ficou responsável pela organização da agenda de viagens de Lula. As mudanças ocorreram após o presidente manifestar insatisfação com a condução da campanha no primeiro turno.
Em reunião na quarta-feira (7), Lula criticou o desempenho da própria equipe e avaliou que a campanha poderia ter sido melhor. “Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada de que participei desde 1989”, afirmou o presidente.
Fonte: Brasil 247