Sidônio confirma estratégia para impedir Flávio Bolsonaro de ficar atrás de Lula no debate da Globo
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá uma estratégia específica para impedir que Flávio Bolsonaro (PL) se posicione atrás dele durante o debate da TV Globo, marcado para sexta-feira (23), último confronto entre os candidatos antes do segundo turno das eleições presidenciais. A medida foi anunciada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, após o incômodo provocado pela movimentação do senador durante o debate da Band, realizado no último domingo.
Segundo o jornal O Globo, Sidônio, principal responsável pela preparação de Lula para os debates, afirmou nesta quarta-feira (21), no Palácio do Planalto, que o presidente poderá permanecer no púlpito para evitar que o adversário apareça atrás dele enquanto estiver falando diretamente aos telespectadores.
“Lula vai ficar no púlpito se necessário. Essa estratégia da extrema direita (de ficar atrás do candidato) é usada no mundo inteiro e não vai acontecer neste debate (TV Globo)”, declarou o ministro.
Sidônio também criticou diretamente o comportamento do candidato do PL, classificando Flávio como “papagaio de pirata”. O ministro assegurou que o senador “não vai ficar atrás de Lula” no próximo encontro. Apesar da possibilidade de permanecer mais tempo no púlpito, a orientação não prevê que o presidente deixe completamente de circular pelo estúdio.
A campanha petista também solicitou à TV Globo que as declarações dos candidatos sejam submetidas a checagem de fatos durante o programa.
Movimentação de Flávio na Band provocou irritação
A decisão de alterar a estratégia de Lula ocorre depois que Flávio Bolsonaro utilizou a movimentação pelo estúdio como parte de sua atuação no debate da Band. Enquanto o presidente respondia às perguntas e se dirigia às câmeras, o senador circulava atrás dele, balançava negativamente a cabeça e fazia expressões faciais de desaprovação.
De acordo com a reportagem, a postura havia sido ensaiada pela equipe do candidato do PL. O objetivo era produzir imagens das reações de Flávio às declarações de Lula que pudessem posteriormente ser recortadas e divulgadas nas redes sociais.
O comportamento provocou irritação em Sidônio Palmeira, que acompanhava o debate e conversava com o presidente durante os intervalos. Na primeira pausa, o ministro chegou a questionar Flávio sobre sua insistência em permanecer atrás de Lula enquanto o petista respondia às perguntas.
Sidônio também discutiu com integrantes da equipe do senador. Registros dos bastidores mostraram o ministro visivelmente irritado com a situação.
O chefe da Secom tirou férias do cargo para se dedicar exclusivamente à campanha de Lula no segundo turno e assumiu papel central na preparação do presidente para os confrontos televisivos.
Lula poderá adotar postura mais dura contra Flávio
Além das mudanças relacionadas à movimentação no estúdio, a campanha petista discute uma alteração na postura de Lula diante do adversário. O presidente deverá dedicar a quinta-feira (22) e a sexta-feira (23) à preparação para o debate da Globo.
Conforme O Globo, aliados defendem que Lula adote uma abordagem mais incisiva, com cobranças sobre as relações de Flávio Bolsonaro com milicianos e com o advogado Willer Tomaz, amigo do senador e investigado no escândalo do INSS.
Outra possibilidade discutida pela equipe é que o presidente responda a eventuais ataques envolvendo investigações sobre seu filho, conhecido como Lulinha, estabelecendo um contraste com a atuação de Jair Bolsonaro (PL) em relação a Flávio.
A avaliação de integrantes da campanha é que Lula poderá argumentar que Flávio recebeu proteção política do pai durante seu governo, enquanto Lulinha é alvo de investigações no atual mandato presidencial. Segundo a reportagem, o filho do presidente é investigado em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).
O presidente também já havia recebido a sugestão de afirmar que, caso a Polícia Federal durante o governo Bolsonaro tivesse a mesma atuação que no governo Lula, Flávio estaria preso. Trata-se, porém, de uma linha de ataque discutida na preparação, e não de uma declaração já feita pelo presidente.
A intenção de parte dos aliados é que Lula amplie as críticas pessoais ao adversário, inclusive apresentando Flávio como uma figura política pior que seu pai.
Estratégia difere da adotada no primeiro debate
A possível mudança representa uma diferença em relação à preparação para o debate da Band. Na ocasião, Lula havia sido orientado a evitar ataques pessoais ao senador, sob o entendimento de que o eleitorado já conhecia seu histórico político.
A prioridade era apresentar propostas de governo e confrontar Flávio sobre os possíveis impactos de sua agenda econômica, especialmente os riscos de cortes em programas sociais e as contradições das medidas de redução de despesas defendidas pelo candidato do PL.
Agora, com a proximidade da votação, a campanha avalia combinar a defesa das políticas sociais do governo com questionamentos mais contundentes sobre o histórico e as relações políticas do adversário.
O debate de sexta-feira será a última oportunidade de confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro antes de os eleitores voltarem às urnas, no domingo (25), para definir o próximo presidente da República.
Fonte: Brasil 247