Sessão do STF pode expor ligações de políticos com o Banco Master, diz José Guimarães
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou nesta terça-feira (15) que a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possível abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes pode contribuir para que os eleitores conheçam as relações de candidatos com o escândalo do Banco Master.
Em entrevista a jornalistas no Palácio do Planalto, Guimarães voltou a defender a transparência e a quebra dos sigilos relacionados às investigações sobre o caso. A declaração foi dada enquanto o plenário do Supremo analisava a situação envolvendo Moraes.
“O que vai acontecer? Vamos aguardar. Para que a sociedade, ao decidir na eleição, tenha consciência do conteúdo, principalmente das vinculações que cada candidato tem com esse que foi o maior escândalo da história do Brasil”, afirmou Guimarães, de acordo com o jornal O Estado de São Paulo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de um evento no Palácio do Planalto durante a manhã, mas não respondeu às perguntas dos jornalistas ao deixar o local.
STF analisa pedido envolvendo Alexandre de Moraes
A discussão no Supremo ocorre depois de o ministro André Mendonça pedir a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes a respeito da relação do magistrado com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O caso passou à análise dos demais integrantes da Corte.
Ao comentar a sessão, Guimarães reforçou uma posição já defendida pela campanha de Lula: ampliar a transparência sobre as investigações relacionadas ao Banco Master para permitir que a sociedade conheça eventuais conexões políticas reveladas pelas apurações.
A declaração também evidencia a entrada definitiva do Caso Master na disputa eleitoral. Para o ministro, as informações reunidas nas investigações devem estar disponíveis para que os eleitores possam avaliar as relações mantidas pelos candidatos com personagens envolvidos no escândalo.
Flávio Bolsonaro entra no foco da estratégia eleitoral
Uma das estratégias discutidas pelo governo e pelo PT é associar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao caso envolvendo o Banco Master. A orientação esteve entre os temas debatidos em uma reunião do partido realizada na semana passada.
Guimarães foi um dos integrantes do governo que defenderam uma postura mais incisiva da campanha de Lula diante do episódio.
Um dos pontos explorados politicamente pela campanha é a cobrança por esclarecimentos sobre R$ 134 milhões que Flávio Bolsonaro teria solicitado a Daniel Vorcaro. De acordo com a justificativa apresentada para o pedido, os recursos seriam destinados ao financiamento de “Dark Horse”, filme que contaria a trajetória política do ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL).
A campanha de Lula passou a cobrar uma prestação de contas sobre esses recursos e busca colocar as relações entre o entorno político de Bolsonaro e Vorcaro no centro do debate eleitoral.
Crise no Supremo também preocupa o Planalto
A ofensiva em torno do Caso Master ocorre, no entanto, em um cenário politicamente delicado para o próprio governo. Aliados de Lula avaliam que o pedido de investigação contra Moraes constitui um “mal necessário” diante da proporção alcançada pela crise no STF.
Ainda segundo a reportagem jornal, pesquisas em poder do Palácio do Planalto indicam que a crise no Supremo também produz desgaste sobre a imagem de Lula. Moraes, que foi relator do processo que condenou Jair Bolsonaro na trama golpista, é considerado aliado do governo por parte do eleitorado.
O cenário coloca o Planalto diante de duas frentes. De um lado, o governo busca defender transparência nas investigações e cobrar esclarecimentos sobre eventuais relações de adversários com o Banco Master. De outro, procura evitar que a crise institucional no Supremo seja transferida politicamente para Lula durante a campanha.
Caso Master ganha peso na eleição
A manifestação de Guimarães indica que o governo pretende transformar a divulgação das informações relacionadas ao Banco Master em um dos elementos da disputa eleitoral, principalmente diante das conexões políticas que possam surgir das investigações.
Ao insistir na transparência e na quebra de sigilos, o ministro procura deslocar o debate para as relações mantidas por candidatos com personagens envolvidos no caso, defendendo que essas informações sejam conhecidas antes da decisão dos eleitores nas urnas.
Lula havia considerado inicialmente a possibilidade de gravar um vídeo para comentar o episódio. Na manhã desta terça-feira, porém, decidiu conceder uma entrevista a uma emissora de televisão durante a noite.
Fonte: Brasil 247