Sertanejos pró-Flávio ganharam R$ 600 milhões em shows sem licitação desde 2024
Por Ana Beatriz Garcia — TVT News
Doze artistas sertanejos que manifestaram apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) receberam, juntos, R$ 619 milhões em recursos públicos destinados a apresentações contratadas por prefeituras e governos estaduais desde 2024. Os dados são do projeto Farras, do observatório De Olho nos Ruralistas, que mapeou contratos de shows realizados até 30 de junho de 2026. Leia em TVT News.
O levantamento reúne 1.389 contratos firmados sem licitação ao longo de dois anos e meio. Entre os artistas identificados estão Murilo Huff, Zezé Di Camargo, Marrone, Gusttavo Lima e Rodolffo.
Os números foram divulgados após um encontro de campanha realizado na terça-feira (20), em Nerópolis, na região metropolitana de Goiânia. O evento reuniu mais de 30 cantores e influenciadores ligados ao sertanejo em apoio a Flávio Bolsonaro. A mobilização foi apresentada pelo Partido Liberal como uma resposta ao apoio de artistas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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Murilo Huff e Zezé Di Camargo lideram valores
Segundo o levantamento, Murilo Huff acumulou R$ 104,2 milhões em contratos de apresentações públicas desde 2024, com 200 shows. Ele ocupa a 15ª posição no ranking geral dos artistas mais contratados por administrações municipais e estaduais.
Zezé Di Camargo aparece em seguida, com R$ 92,4 milhões por 180 apresentações, incluindo shows ao lado do irmão Luciano. O cantor, que também atua na pecuária, já defendeu a anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro durante uma apresentação financiada com recursos públicos.
A dupla Bruno & Marrone acumulou R$ 77,1 milhões em cachês no período. Marrone participou do encontro com Flávio Bolsonaro sem o parceiro musical. Já a banda Hugo & Guilherme recebeu R$ 61,8 milhões em contratos públicos. Hugo também gravou um vídeo para as redes sociais do PL pedindo votos para o senador.
Rodolffo, outro dos artistas presentes na mobilização, recebeu R$ 53 milhões em cachês pagos com dinheiro público, segundo a reportagem.
Shows milionários em cidades governadas por aliados
O levantamento também identificou apresentações contratadas por administrações municipais comandadas por políticos alinhados ao bolsonarismo.
Em Campo Verde e Matupá, no Mato Grosso, as prefeituras pagaram R$ 1,1 milhão cada por apresentações de Bruno & Marrone realizadas em julho, durante exposições agropecuárias. Os prefeitos Alexandre Lopes e Bruno Mena, ambos do União Brasil, integraram a base eleitoral do governador eleito Otaviano Pivetta (Republicanos).
Em Alto Garças (MT), Murilo Huff recebeu R$ 705 mil por um show realizado em 14 de agosto. O município é administrado por Júnior Pitucha, do PL. Em São João del-Rei (MG), uma apresentação de Hugo & Guilherme custou R$ 704 mil aos cofres públicos.
Gusttavo Lima e contratos questionados em São Paulo
Gusttavo Lima, que também declarou apoio a Flávio Bolsonaro, recebeu R$ 43,9 milhões por 35 apresentações contratadas com recursos públicos desde 2024, conforme os dados atualizados até junho. O cantor tem a maior média de cachê entre os 150 artistas analisados pelo levantamento.
Em outubro, o Ministério Público de São Paulo pediu a anulação de contratos firmados pela Prefeitura de Marília com Gusttavo Lima e a dupla Maiara & Maraisa. Os artistas se apresentaram na feira AgroFood Show, em setembro, e os contratos somavam recursos vinculados às secretarias municipais de Saúde e Educação. O cachê de Gusttavo Lima foi de R$ 1,5 milhão.
O cantor também mantém relações empresariais que entraram no noticiário por sua ligação com Daniel Vorcaro, personagem central do caso Banco Master. Segundo reportagem da Agência Pública citada pelo observatório, os dois trocaram mensagens entre julho de 2024 e novembro de 2025. Em uma delas, Gusttavo Lima convidou Vorcaro para investir em uma operação de maquininhas de cartão para lojas da rede de supermercados BH, com movimentação prevista de R$ 23 bilhões.
O projeto Farras acompanha os contratos de shows pagos por governos estaduais e prefeituras e investiga as conexões entre o uso de recursos públicos, o mercado musical, as casas de apostas e o agronegócio.
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Fonte: TVT News