‘Sentimento de medo’ vai influenciar resultado eleitoral, afirma cientista político
Por Afonso Bezerra — Brasil de Fato
Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.
No audio source provided.
A semana termina com mais movimentações no Supremo Tribunal Federal (STF) que impactam o processo eleitoral. Nesta sexta-feira (11), o ministro André Mendonça derrubou parte do sigilo das investigações sobre o Banco Master, atendendo a um pedido do presidente Edson Fachin. Com isso, tornou-se pública a investigação contra Flávio Bolsonaro (PL) por suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento do filme “Dark Horse”,
Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Adriano Oliveira avalia que as novas informações beneficiam as duas principais campanhas presidenciais: Flávio Bolsonaro é favorecido pelo impacto a Alexandre de Moraes, ministro vinculado à condenação dos golpistas de 8 de janeiro e agora suspeito de envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro.
“Eu vejo claramente que tanto o Flávio como o presidente Lula ganham e, consequentemente, se consolida a polarização que já está presente nesta eleição”, pontua Oliveira. O presidente Lula, no entanto, não aparece em nenhuma investigação sobre o Master.
Oliveira aponta que o sentimento de medo causado pela rejeição aos dois candidatos vai pautar a corrida eleitoral. “A última pesquisa Quaest trouxe que 53% dos eleitores brasileiros têm medo da permanência do presidente Lula e 53% receiam a volta do bolsonarismo. Esse medo eu detectei desde o ano passado e detectei também um movimento psicológico bem interessante por parte do eleitor: aquele eleitor independente, ele não quer o Lula, ele não quer o Bolsonaro. Todavia, ele rejeita mais o Bolsonaro, daí ele vota no Lula. E há o eleitor que não quer Lula nem Bolsonaro, mas ele rejeita tanto o Lula que opta por Flávio Bolsonaro. Esse mecanismo está presente e durará até o final do segundo turno”, afirma. “O que vai decidir a eleição é o sentimento de medo”, reforça.
Para o cientista político, o que favorece bastante Lula é a memória positiva dos governos do PT. “O que pesa negativamente para Flávio Bolsonaro é o governo do seu pai, Jair Bolsonaro, principalmente a sua atuação durante a pandemia, o jeito de ser de Jair Bolsonaro e por Flávio Bolsonaro ser visto como uma pessoa que apenas irá estar na presidência para receber a influência do pai”, ressalta. Nesse cenário, Adriano Oliveira considera que Lula tem “leve favoritismo” para sair vitorioso das eleições.
Para ouvir e assistir
Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h25 às 8h25 da manhã, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM, na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.
Fonte: Brasil de Fato