Senadores veem pouco espaço para acordo que evite impeachment de Moraes
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Senadores que assumirão mandato em 2027 avaliam que uma eventual saída antecipada do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) não seria suficiente para afastar a pressão pela abertura de um processo de impeachment.
Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, a resistência a uma solução negociada aparece até entre parlamentares contrários ao afastamento de integrantes da Corte.
A avaliação está relacionada ao perfil de parte dos senadores eleitos, que fizeram do enfrentamento ao Supremo uma das principais bandeiras de campanha. Na leitura de lideranças ouvidas pela coluna, esse compromisso político reduz a margem para um entendimento que resulte apenas na aposentadoria de Moraes ou de outro ministro alvo de pedidos de impeachment.
O cenário contrasta com as sinalizações transmitidas pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador político da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nas últimas semanas, Marinho procurou magistrados para assegurar que uma eventual derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não levaria a uma ruptura institucional.
Essas conversas, segundo o relato, não eliminam a expectativa de que o Senado avance sobre pedidos contra ministros. Mesmo parlamentares que rejeitam o impeachment consideram difícil conter a abertura de um processo, sobretudo contra Moraes, alvo central das críticas bolsonaristas por sua atuação no julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe.
A disputa pelo comando do Senado será decisiva para o encaminhamento dessa pressão. Conforme a coluna, a abertura do processo depende exclusivamente da decisão do presidente da Casa, o que coloca a eleição para o cargo no centro das articulações sobre a relação entre Legislativo e Judiciário.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), que já se apresenta como candidata à presidência do Senado, tem sinalizado que não impedirá o avanço de um pedido. Seus principais adversários na disputa são Marinho e o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
No entorno de Flávio Bolsonaro, há divergências sobre como conduzir a relação com o Supremo em caso de vitória presidencial. Aliados mais moderados projetam uma acomodação entre os Poderes. Já o setor mais radical defende o impeachment de Moraes e chega a falar em sua prisão.
O próprio candidato tem ajustado as declarações sobre o assunto para reduzir o tom de ameaça. Durante o comício de 7 de Setembro, em São Paulo, Flávio afirmou que, se eleito, indicaria cinco ministros para o STF, sob o argumento de que Moraes “vai cair”.
Posteriormente, passou a dizer que o próximo presidente faria “ao menos” quatro indicações. Essa projeção considera as aposentadorias de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes até 2030, além da vaga aberta com a saída de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025.
Moraes tem 57 anos e, pelas regras atuais de aposentadoria compulsória, pode permanecer no Supremo até 2043, quando completará 75 anos. Sua saída antecipada, portanto, dependeria de uma decisão de deixar o cargo ou do desfecho de um processo de afastamento.
Fonte: Brasil 247