Sem demonstrar derrotismo, Lula fala em virada no 2º turno e diz que irá focar em abstenções

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Por Carolina Maingué Pires — JOTA

O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou demonstrar esperança ao comentar o resultado do primeiro turno das eleições. Ele iniciou seu discurso com um chiste devido ao fato de ter ido para o 2º turno contra Geraldo Alckmin, em 2006, que atualmente é seu vice. “Eu confesso pra vocês que eu achei que ia ganhar as eleições no 1º turno. Mas eu lembro que pensei que ia ganhar no 1º turno quando disputei com o Alckmin, e não ganhei. Eu lembro que eu pensei que ia ganhar no 1º turno quando disputei com o José Serra, e não ganhei. Mas a gente tem o 2º turno e o 2º turno é a hora da Prova dos Nove”, falou.

Ele não comentou, no entanto, o fato de ter ficado atrás na votação. Com 99,87% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro obteve 47,06% dos votos válidos e Lula, 45,12%. Havia uma expectativa de que, mesmo com 2º turno, Lula terminasse este domingo (4/10) na frente.

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Lula citou a experiência de Alckmin como governador de São Paulo e a experiência dele próprio como o presidente que foi capaz de concretizar a “melhor política de inclusão social da história desse país”. Do outro lado, disse ele, há biografias e passado “tenebrosos”, referindo-se à história de Flávio Bolsonaro e seu pai, Jair Bolsonaro.

“É uma biografia tenebrosa, coligações tenebrosas, com suspeitas gravíssimas com relação com milicianos, com relação com o crime organizado, com relação com assassinatos no Rio de Janeiro. Tudo isso vai ficar claro. E também com a participação da criação do Banco Master, que resultou não apenas na maior corrupção desse país, mas também na maior orgia envolvendo políticos e autoridades desse país”, afirmou Lula.

O presidente falou que, caso reeleito, tem o plano de continuar investindo em universidades, tecnologia, na indústria brasileira, na exploração das terras raras, dos minerais críticos e do petróleo na margem equatorial. Falou ainda que terá compromisso com a economia brasileira, mas que não pode haver “política de corte fiscal capaz de prejudicar as pessoas pobres desse país”.

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Lula fez um aceno ao fato de as pessoas poderem “emagrecer de graça” pelo SUS, em alusão às chamadas canetas emagrecedoras, mas em seguida disse que a pessoa que quiser emagrecer utilizando o sistema público de saúde primeiro deverá fazer exames e cuidar da alimentação.

Ele comentou o número elevado de abstenções. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 30 milhões de pessoas não foram às urnas. A campanha fará um “apelo para que as pessoas saibam que nesse momento histórico do brasil o voto é necessário”, disse Lula.

Ele chegou ao Hotel Renaissance, em São Paulo, acompanhado do candidato a governador pelo PT, Fernando Haddad – que perdeu em primeiro turno para o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB); do candidato a deputado federal Edinho Silva, presidente do Partido dos Trabalhadores; das candidatas derrotadas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede); do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos; e da primeira-dama Janja.

PT nos estados

Em São Paulo, Haddad perdeu para Tarcísio por uma diferença de cerca de 6 milhões de votos. As duas candidatas a senadora que compuseram o palanque de Lula no estado, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), também não se elegeram. Em Minas Gerais, o PT perdeu no 1º turno com a derrota de Patrus Ananias.

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O Nordeste, como sempre, representou um respiro ao petismo com a reeleição de Jerônimo Rodrigues, que tinha como principal adversário ACM Neto (União). Elmano de Freitas, no Ceará, venceu Ciro Gomes (PSDB). No Piauí, Rafael Fonteles bateu Joel Rodrigues (PP) com mais de 70% dos votos.

No Distrito Federal (DF), Leandro Grass (PT) obteve 34,47% e disputará o 2º turno com Celina Leão (PP), que conquistou 49,93%.

Fonte: JOTA

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