Selo climático no fast-food: o truque visual no cardápio que faz clientes mudarem de dieta

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Alterar o comportamento humano é um desafio complexo, especialmente quando os benefícios parecem distantes, como a preservação do meio ambiente. No entanto, um novo estudo publicado na revista científica JAMA Network Open revela que uma simples informação sobre a pegada de carbono de uma refeição é suficiente para guiar os consumidores rumo a escolhas mais sustentáveis.
Pesquisadores recrutaram mais de 10 mil adultos nos Estados Unidos para um teste clínico randomizado online. Os participantes precisavam fazer um pedido em um cardápio simulado de fast-food, que incluía hambúrgueres de carne bovina, frango, peixe, saladas e opções vegetais. O grupo foi dividido aleatoriamente para visualizar diferentes tipos de rótulos climáticos junto aos pratos e testar qual teria maior influência na decisão final.
No grupo de controle, que via apenas um QR code neutro sem dados ambientais, 53% das pessoas escolheram itens classificados como de alto impacto climático. O cenário começou a mudar quando os alertas visuais entraram em cena. A taxa de escolha de pratos altamente poluentes caiu para 48% quando os clientes viam uma nota climática simples, e para 47% diante de um selo de alerta.
O formato da informação provou ser o fator crucial para o sucesso da estratégia. O uso de uma nota climática acompanhada de uma escala visual colorida reduziu as escolhas prejudiciais para 46%. O rótulo mais eficaz foi o que trazia a mensagem direta de “alto impacto climático”, derrubando a taxa de pedidos de alta emissão para 45%. Por outro lado, um selo que tentava traduzir o impacto ambiental em custos em dólares registrou 49% de adesão, uma diferença considerada estatisticamente irrelevante em relação ao controle, possivelmente por exigir um esforço extra de interpretação.
Uma preocupação central dos cientistas era se a busca por pratos ecologicamente corretos faria o consumidor optar por alimentos menos saudáveis na hora da pressa. A pesquisa comprovou que o índice de qualidade nutricional, que avalia fatores como calorias, sódio, açúcar e fibras, permaneceu praticamente inalterado em todos os grupos. A opção pela sustentabilidade, portanto, não piorou a qualidade da dieta.
Embora o estudo tenha a limitação de ter ocorrido em um ambiente virtual, onde a fome e o peso no bolso não eram reais, os autores destacam o enorme potencial prático da descoberta. Como uma parcela imensa da população consome fast-food diariamente, não é realista esperar que o cliente calcule a pegada de carbono do próprio almoço. Porém, se os restaurantes fizerem essa matemática e a apresentarem de forma simples e direta no balcão, essas pequenas mudanças de decisão podem evitar a emissão de milhões de toneladas de gases nocivos todos os dias.
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Fonte: umsoplaneta

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