Segurança, escala 6×1 e Milei: os temas de Lula para o debate contra Flávio Bolsonaro
Por Vinícius Nunes — Carta Capital
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Presidente deve combinar propostas para um novo mandato com respostas a ataques do adversário, no domingo, na ‘Band’
O presidente Lula (PT) se prepara para o primeiro debate do segundo turno contra o seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL), marcado para este domingo 18, na Band . A campanha do petista dá atenção especial à segurança pública, à redução da jornada de trabalho e à relação do adversário com lideranças da extrema-direita internacional. A preparação combina a apresentação de propostas para um eventual quarto mandato com respostas a temas que devem ser explorados pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A segurança pública deve ocupar espaço central no confronto. Na quinta-feira 15, em entrevista à TV Globo , Lula defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos, uma mudança em relação à posição histórica do presidente. A declaração ocorre em meio à tentativa do petista de disputar com Flávio um tema que costuma favorecer o discurso da direita e que deve estar entre os assuntos prioritários do debate.
A preparação também levou em conta respostas passa a eventuais cobranças sobre o combate às facções criminosas. Nesse campo, a campanha petista tem motivos para explorar a atuação de Flávio Bolsonaro junto ao governo norte-americano , especialmente a articulação para que os Estados Unidos classificassem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A equipe de Lula também deve ter em conta a participação de Eduardo Bolsonaro (PL), irmão do senador, nas articulações com autoridades dos Estados Unidos.
O tarifaço imposto pelos norte-americanos ao Brasil é outro episódio que pode entrar na comparação entre os candidatos. Deve ser explorada a articulação de Eduardo Bolsonaro e aliados do senador, incluindo contatos com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio . O tema permite ao petista associar o adversário à pressão estrangeira sobre decisões brasileiras, embora a preparação para o debate não se limite à relação com Donald Trump .
Promulgada na sexta-feira 16, a proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1 oferece a Lula a oportunidade de apresentar uma medida concreta e de contrastar sua agenda com a atuação de Flávio Bolsonaro. O senador votou a favor da proposta, assim como outros integrantes da oposição, apesar da resistência de setores bolsonaristas à redução da jornada de trabalho. A mudança de posição em ano eleitoral pode ser explorada na comparação entre o discurso e a atuação dos candidatos, sem ignorar o voto favorável do senador.
Na área econômica, a campanha petista também tem colocado em evidência a relação de Flávio com o presidente da Argentina, Javier Milei . Uma propaganda veiculada na sexta-feira associa diretamente o senador ao governo argentino e questiona os efeitos das políticas de corte de gastos adotadas por Milei. A peça explora declarações de integrantes da equipe econômica de Flávio que elogiaram o presidente argentino e aproxima a proposta de redução de despesas do brasileiro à política de austeridade implementada no país vizinho – a pobreza já atinge 32,3% da população na Argentina.
A comparação com Milei permite à campanha de Lula discutir as consequências sociais das propostas do adversário, enquanto a relação com Trump e Rubio abre outra frente, ligada à soberania nacional e à interferência externa.
Lula se prepara para o encontro com conversas individuais com auxiliares, nas quais ouve sugestões de perguntas e respostas para possíveis ataques de Flávio. O treinamento envolve o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira , e a jornalista Olga Curado – c onforme relatou o colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim. A profissional já ajudou o presidente a se preparar para debates em 2006 e 2022 .
A preparação também conta com a participação de aliados que influenciam a estratégia eleitoral, entre eles o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante , e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT) . Na nova coordenação da campanha, Fonteles e os ex-ministros Camilo Santana (PT-CE) e Rui Costa (PT-BA) tiveram influência direta na mudança de discurso de Lula sobre segurança pública.
O debate de domingo será o primeiro confronto entre Lula e Flávio. A disputa entre os dois está acirrada, com as principais pesquisas eleitorais da semana apontando empate no segundo turno .
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Fonte: Carta Capital