Seção de opinião do New York Times fez um uso bem cringe de IA

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Por Sérgio Spagnuolo — Núcleo Jornalismo

A seção de opinião do maior jornal do mundo, o New York Times, publicou um vídeo feito por inteligência artificial do grande economista britânico John Maynard Keynes. 🫠

Na peça, o avatar dele é entrevistado sobre o futuro e sobre o efeito de IA na economia. 🫠🫠

A emulação do economista foi recriada com a ajuda do economista alemão Markus Brunnermeier, da Universidade de Princeton, que também é o entrevistador, a partir de mais de 12.000 mil páginas de textos e entrevistas de Keynes. 🫠🫠🫠

Keynes morreu em 1946 e o NYT diz que teve autorização de sua família para fazer isso, o que não tira o fato de que o vídeo é incrivelmente cringe – o jornal, inclusive, mudou até a linguagem de Keynes para akgo mais moderno, visto que o britânico “falava mais formalmente”. 🫠🫠🫠🫠

O Hard Fork, um dos mais populares podcasts de tecnologia dos EUA, anunciou uma repaginada nesta quinta-feira (1.out.2026), após a saída de seus criadores, Kevin Roose e Casey Newton, que foram criar seu próprio projeto, Machine Gods (com a NPR).

Parece que vai ser bem interessante esse novo formato. Eu gostava do anterior, Roose e Newton são divertidos e muito bem informados. Mas, confesso, eu já estava um pouco cansado da posição deles sobre as grandes empresas de tecnologia, especificamente acerca de IA.

Há, nos EUA, uma piada informal sobre jornalistas da Costa Leste (principalmente Nova York) e da Costa Oeste (principalmente San Francisco). Um lado (leste) é mais cético com IA e com as Big Techs, e outro (oeste) é bem mais entusiasmado com a mentalidade das grandes empresas de tecnologia – não quer dizer que não tenham críticas (Roose é particularmente duro com a Meta), mas compram muito mais o discurso de seus profissionais.

O novo Hard Fork será liderado pelo jornalista Max Read.

Via The New York Times

Se você acompanha o Núcleo, sabe que nossas críticas às Big Techs têm transbordado do conteúdo que produzimos. Estamos cada vez mais preocupados também com nossa própria dependência dos serviços e produtos dessas empresas.

Felippe Mercurio, nosso diretor de tecnologia, tem feito magia computacional para autohospedar tudo o que conseguimos e, recentemente, migramos parte da infraestrutura da empresa do Google para o Proton.

Mas meu navegador ainda é o Chrome, do Google, que tem quase 70% do mercado, segundo o site Statcounter. Talvez seja hora de dar uma nova chance para o Firefox, browser que usei exaustivamente quando adolescente e que acabou de ganhar um novo xablau visual. É o maior redesign dele em anos.

Ele ficou mais modernoso, ganhou modo compacto, widgets de IA (facilmente desativáveis) e outras funções, como navegação por duas páginas lado a lado, VPN integrada e bloqueador de rastreadores, que torna a experiência mais fluida.

☞ Experimente aqui.

E você, qual browser usa por aí?

Via The Verge e Mozilla.

Antes de votar, é bom saber quais políticos estão alinhados com as maiores, mais ricas e mais poderosas empresas da história. O CTRL+Z fez um app mostrando os campeões de representação dessas Big Techs.

A ONG descreveu a iniciativa assim:

Alguns dos principais nomes incluem Adriana Ventura (NOVO-SP), Caroline de Toni (PL-SC), Gilson Marques (NOVO-SC), Marcel van Hattem (NOVO-RS), Bia Kicis (PL-DF), Eduardo Girão (NOVO-CE) e Kim Kataguiri (MISSÃO-SP), entre vários outros.

Se quiser saber um pouco mais, tem essa reportagem da Agência Pública com esses dados, detalhando mais os políticos.

Uma cópia – quase idêntica à primeira vista – do novo agente de IA Muse foi aprovada pela Apple e chegou ao top 20 da Apple Store para Mac, enganando usuários que achavam que estavam baixando o aplicativo de IA da Meta.

Quem notou isso primeiro foi o desenvolvedor Jeff Johnson, do ótimo app StopTheMadness.

O aplicativo oficial “Muse from Meta” e a cópia “Muse AI: Get Work Done” parecem idênticas (veja abaixo) na App Store norte-americana.

App oficial é Muse from Meta

Segundo Johnson:

O Muse da Meta ainda não está disponível na App Store no Brasil – se você quiser baixar o app para Mac, por sua conta e risco, dá pra fazer no site oficial da Meta (leve em conta que, pra ter o melhor uso do agente de IA, você teria que dar permissões insanas pra Meta, uma empresa que não é conhecida por respeitar tanto os dados de seus usuários).

Mas isso não impediu espertinhos de lançarem cópias por aqui. Hoje (28.set.2026) eu fiz uma busca e encontrei ainda outra cópia similar, embora levemente menos parecida. Os dois apps abaixo são enganosos:

Via Blog de Jeff Johnson

Eu lembro que, em 2018, só havia três agregadores de pesquisas eleitorais publicamente disponíveis no Brasil para as eleições daquele ano: o Polling Data (do estatístico Neale Ahmed El-Dash), o do Jota e o do Poder360 (disclaimer, minha consultoria, Volt Data Lab, que desenvolveu esta aplicação à época).

Agregador de pesquisas, grosso modo, é uma forma de acumular dados a fim buscar maior previsibilidade de onde as pesquisas estão indo. Há diferentes metodologias: enquanto alguns utilizam apenas médias móveis, outros recorrem a métodos mais sofisticados, que envolvem até pesos para institutos de pesquisa diferentes (algo chamado de house effect).

Agregadores que encontrei por aí:

Talvez você já tenha ouvido falar em Alexander Wang, 29, diretor de inteligência artificial da Meta e um dos bilionários mais jovens do mundo.

Wang coordenou o lançamento do Muse neste mês, agente pessoal de inteligência artificial da Meta e, nos últimos dias, do Muse Charm, que o mercado definiu como “Tamgochi com IA”, um dispositivo para atrair usuários mais jovens.

Como de costume, no início da manhã fui dar uma olhada no noticiário de tecnologia e dei uma passada no X de Wang. Fiquei um pouco surpreso com a quantidade de shitpost.

O perfil dele é lotado de memes fubangos de IA, misturado com alfinetadas em concorrentes e replies em críticos com um humor questionável. Tem também uma montanha de promoção dos produtos da Meta, principalmente da linha Muse, que ocorre por meio de mais memes e reposts. Um exemplo:

on the agenda of my next 1-1… https://t.co/um9XR4iJyJ

Outro:

ok this is good well memed https://t.co/rL7WrGruxk

Mais um:

“you must be a yemeni farmer addicted to khat if you think muse is going to have 1 billion users”

muse: pic.twitter.com/2Hn2dF48rB

Você pode argumentar que pode ser uma conta é fake ou de paródia, mas eu tenho quase certeza de que não é. Não tenho como provar, porém. Nas redes da própria Meta, Wang é bem diferente.

Mas confesso que nesse post aqui eu dei uma risadinha:

tbh pretty proud how non-butthole the muse logo looks https://t.co/cnjtFQT5nX

☞ Why do AI company logos look like buttholes?
☞ ‘Tamagotchi’ com IA: como funciona o Muse Charm, novo dispositivo da Meta

A Meta está sendo processada por falhar em proteger jovens em suas plataformas, e parte de sua defesa se concentra em salvaguardar o privilégio que clientes têm de não ter seus segredos revelados por advogados – um direito que tem sido abusado, segundo advogados que processam a empresa.

Mas funcionários da empresa que cuidam da área de contas de adolescentes tiraram sarro dessa estratégia jurídica mandando fazer bonés de brinde com os dizeres “a/c priv” (attorney-client privilege, ou, em português, privilégio advogado-cliente). Uma piadinha de mau gosto estilo quinta série, sobre um assunto que afeta milhões de adolescentes e crianças.

Segundo o The Verge:

Via The Verge

Letterbox, a rede social para amantes de cinema, está na mira de três possíveis compradores: o estúdio A24, a Sony Pictures e o jornal New York Times. As informações são do próprio NYT, que diz que o aplicativo cresceu em popularidade nos últimos anos.

A visão de negócios do jornal para produtos além do jornalismo tem dado resultado, como a aquisição do joguinho Wordle e do site de reviews Wirecutter, peças centrais na estratégia para aumentar o engajamento e atrair assinantes.

De acordo com a reportagem, o Letterboxd está avaliado em US$300 milhões, ou aproximadamente R$1,5 bilhão. Rumores mais antigos apontavam também a Netflix, a Paramount e até o cofundador do Reddit, Alexis Ohanian, na briga pela compra.

Via NYT e InfoMoney.

O setor de inteligência artificial é cheio de ironias e contradições. Um exemplo recorrente é que, se modelos de IA geram de fato resultados tão bons, por que esses mesmos resultados não podem ser utilizados pra treinar novos modelos? 

Pois é, funcionários terceirizados da OpenAI, uma das líderes desse setor, foram pegos fazendo exatamente isso, e não deu boa – deu demissão. 

Segundo o 404 Media: 

Pois é, essa ironia não fica perdida para ninguém. A utilização de dados sintéticos (ou seja, gerados por IA) para treinar sistemas de IA já foi apontada como uma das soluções para problemas de direitos autorais, mas esses dados simplesmente não são bons. O ser humano, com sua forma caótica de pensamento e escrita, adiciona muito mais valor a essa tarefa.

Uma outra contradição do setor é que eles querem que essas ferramentas sejam utilizadas por todas as empresas, em todos os setores, mas eles mesmos não as utilizam nesses casos. Isso equivale a executivos de redes sociais não permitirem que seus filhos apareçam em todas essas mesmas plataformas.

Dá pra dar muitos mais exemplos dessas contradições, mas parei por aqui.

Via 404 Media

Depois de ser derrubado a pedido da campanha de Jacques Wagner (PT-BA), o MasterWhats voltou ao ar. O MasterWhats é uma plataforma que simula o WhatsApp de Daniel Vorcaro, alimentado com as mais de 65 mil mensagens do banqueiro que já vazaram até hoje.

Lucas Matheus Alves, desenvolvedor do projeto, fez o anúncio no X e agradeceu quem ajudou a dar visibilidade ao caso.

O MasterWhats voltou.

Quero agradecer de coração a todos que se mobilizaram e ajudaram nesse momento tão difícil. Em nenhum instante eu recuei. Mantive firme a minha posição e a defesa do que acredito ser certo.

Foram horas tensas inclusive um dia inteiro sem dormir. Mas a… pic.twitter.com/tiNtKxQnUT

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Fonte: Núcleo Jornalismo

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