Se for eleito e copiar Milei, Flávio destruirá o SUS

0

Por Paulo Henrique Arantes — Brasil 247

Não se deve dourar a pílula. O mais provável, hoje, é que Flávio Bolsonaro seja eleito presidente do Brasil, ainda que os mais civilizados torçam por algum fato novo que reverta as projeções e dê vitória a Lula. Fato é que o medo impera. É alta a chance de que o herdeiro do golpista Jair, no Planalto, ocupe-se prioritariamente de soltar o pai, emplacar pautas medievais no Congresso e entregar aos Estados Unidos tudo que Donald Trump quiser. Em paralelo, paira uma dúvida de natureza tanto econômica quanto humanitária: os princípios histérico-liberais de Javier Milei servirão mesmo de modelo a um governo Flávio?

A precarização do trabalho na Argentina de Milei é assustadora. O fechamento de mais de 31 mil empresas e a perda de cerca de 245 mil empregos formais privados sob a gestão “libertária” empurraram a força de trabalho para o monotributo , regime de arrecadação simplificada para trabalhadores autônomos e para aplicativos de entrega. Organizações sociais e sindicatos argumentam que o crescimento do “trabalho por conta própria” não representa o empreendedorismo genuíno, mas sim uma estratégia de subsistência em um mercado cuja taxa de desemprego subiu para 7,9%, maior índice desde 2021. Nesse formato, o trabalhador assume todos os riscos fiscais e operacionais sem garantias contratuais.

De acordo com o relatório oficial do Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos), a indigência saltou de 6,3% para 7,5% da população na Argentina sob Milei. Isso significa que cerca de 2,2 milhões de argentinos nas áreas urbanas pesquisadas não têm o básico para comer diariamente.

Mas é na saúde que Javier Milei rompe todas as rédeas do bom-senso.

O Ministério da Saúde, após uma queda orçamentária superior a 30%, vê-se amarrado às rígidas metas de déficit zero e superávit primário impostas pelo governo. O governo Milei desmantelou o histórico programa Remediar, criado em 2002 para garantir a entrega gratuita de medicamentos em cerca de 7.800 centros de atenção primária na Argentina, afetando a assistência a milhões de cidadãos vulneráveis.

A austeridade cega também reduziu drasticamente as verbas destinadas à compra e à distribuição de medicamentos para tratamento de câncer. Os programas de assistência e tratamento gratuito para pacientes com HIV/Aids sofreram cortes sucessivos e expressivos de repasses, acumulando uma retração real que chegou a atingir metade da execução em relação ao período pré-ajuste, conforme dados da Fundação Soberania Sanitária.

Recuperemos apuração que publicamos neste espaço há pouco tempo, e que permanece atual – ou agravou-se. A drástica redução nos repasses federais e o estrangulamento de programas de saúde sobrecarregaram hospitais locais na Argentina, gerando atrasos em cirurgias marcadas e falta crônica de insumos médicos. Uma resolução do Ministério da Saúde eliminou por completo a gratuidade hospitalar para estrangeiros não-residentes, forçando-os a pagar antecipadamente ou a apresentar seguros privados para consultas não emergenciais sob a justificativa de combater o “turismo sanitário”.

O Decreto de Necessidade e Urgência (DNU 70/23) eliminou os controles estatais de preços sobre a medicina privada, o que resultou em reajustes sucessivos imediatos no valor das mensalidades e consultas, empurrando grande parcela de pacientes da classe média para um sistema público que já operava em frangalhos.

Milei também estrangulou os subsídios do Programa de Atenção Médica Integral (PAMI), o plano de saúde estatal dos aposentados. Idosos perderam o acesso à cobertura integral de medicamentos gratuitos, gerando o colapso nas dispensas estatais de remédios crônicos e um aumento explosivo no gasto do próprio bolso da população idosa. Para imitar e bajular Donald Trump, que ensaiou isso antes, o presidente argentino oficializou a saída do seu país da OMS.

É esse sujeito que inspira Flávio Bolsonaro, que pode ser eleito presidente do país do SUS, sistema de saúde cuja forma é enaltecida em todo o mundo desenvolvido.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *