Saiba quem é o major do Exército que atuou na África e agora disputa vaga de deputado estadual em Goiás

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Por Cilas Gontijo — Jornal Opção

Saiba quem é o major do Exército que atuou na África e agora disputa vaga de deputado estadual em Goiás

A trajetória de Major Hugo Christiani, candidato a deputado estadual pelo PL em Goiás, começou longe da política e do Estado que hoje escolheu para disputar uma vaga no Legislativo. Carioca, de 41 anos, ele conta que cresceu na Tijuca, no Rio de Janeiro, próximo ao Colégio Militar, e decidiu seguir a carreira militar ainda adolescente.

“Eu cresci num bairro no Rio de Janeiro que chama Tijuca e esse bairro tem o primeiro colégio militar do Brasil”, relata. Aos 16 anos, ingressou no Exército e, em 2007, formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) como oficial de Cavalaria.

“Eu fiz o concurso para a Escola Preparatória do Exército, me formei na Academia Militar das Agulhas Negras no ano de 2007, sou oficial de cavalaria pela formação”, conta.

Depois da formação, Hugo foi para Mato Grosso do Sul, onde permaneceu por dois anos, conheceu a esposa e teve o primeiro filho. O objetivo profissional, porém, era chegar às Operações Especiais.

“Eu sempre tinha um sonho de servir nas Operações Especiais. Eu entrei no Exército para trabalhar nas Operações Especiais, era o meu sonho”, conta. A busca pela especialização o levou a Goiás, onde está instalado o Comando de Operações Especiais do Exército. “Eu vim pra Goiânia por esse motivo, era uma razão profissional, eu não conhecia Goiânia”, diz.

A chegada ocorreu no fim de 2011 e, segundo ele, a permanência na capital goiana se transformou também em uma escolha pessoal. “Preferi ficar aqui a minha vida inteira na carreira militar. Sou goiano de coração. Amo Goiânia e Goiás que me acolheu”, afirma.

Major Hugo Christiani concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Cilas Gontijo, do Jornal Opção, na qual contou detalhes de sua trajetória no Exército, da mudança para Goiás e da decisão de ingressar na política.

Favoritismo

Major Hugo Christiani considera que seu favoritismo dentro do PL é resultado do alinhamento entre diferentes lideranças da direita em Goiás, especialmente Major Vitor Hugo e Gustavo Gayer. Segundo ele, essa aproximação representa um diferencial porque vem sendo construída antes de 2022, enquanto outros nomes teriam ingressado mais recentemente na disputa.

 “Eu acho que muito desse favoritismo vem desse alinhamento anterior com o Major Vitor Hugo”, afirmou. Ele disputou uma vaga de deputado federal em 2022, obteve 8.080 votos e ficou como suplente, ampliando sua presença política para mais de 100 municípios.

Para a nova disputa, afirma ter priorizado 52 cidades, divididas em diferentes níveis de atuação. “Acho que isso ajuda muito”, avalia, ao destacar a rede de apoiadores construída desde a eleição anterior.

Experiência internacional e entrada na política

A carreira militar também levou Hugo para fora do Brasil. Em 2015, ele trabalhou na Embaixada Brasileira em Kinshasa, na República Democrática do Congo, experiência que, segundo ele, ampliou sua percepção sobre política e diplomacia. “Você começa a ver como funciona a nível político e como funciona a nível diplomático”, relata.

Em 2020, durante a pandemia, voltou à África para uma missão na República Centro-Africana. “Eu fiquei dez meses sem ver minha família”, conta. Foi nesse período que, segundo ele, amadureceu a decisão de antecipar a entrada na política.

“Eu não consigo esperar até a minha reserva para a gente resolver isso. O país está com pressa, a gente precisa resolver isso agora”, avalia.

A aproximação com a política ganhou força a partir de 2018, com a ascensão de Jair Bolsonaro, e se consolidou em parceria com o então deputado Major Vitor Hugo. Segundo Major Hugo Christiani, quando Vitor Hugo decidiu disputar o governo de Goiás em 2022, surgiu a possibilidade de ele tentar ocupar o espaço político deixado pelo aliado.

Naquele ano, concorreu a deputado federal pelo PL. “A decisão foi tomada na oportunidade de 2022, quando essa janela se abriu. Fui candidato a deputado federal, tive 8.080 votos”, afirma.

Em 2026, voltou ao projeto eleitoral, desta vez com a candidatura a deputado estadual e mantendo a proximidade com o grupo político ligado ao bolsonarismo em Goiás.

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Major Hugo Christiani considera que seu favoritismo dentro do PL é resultado do alinhamento entre diferentes lideranças da direita em Goiás | Foto: Acervo pessoal

Candidato diz ter enfrentado problemas no Exército

A entrada na política, entretanto, teria provocado consequências dentro da carreira militar. Hugo afirma que sua candidatura e sua proximidade com Bolsonaro provocaram “estranheza” nas Forças Armadas. “O fato de eu ter sido candidato, o fato de eu ter sido próximo a Bolsonaro, gerou, naturalmente, uma estranheza nas Forças Armadas”, declara.

Segundo ele, mesmo estando entre os oficiais mais bem classificados de sua turma e com experiências no exterior, decidiu disputar a eleição sabendo que isso poderia prejudicar sua trajetória. “Eu já sabia que, quando eu fosse candidato em 2022, eu ia jogar tudo isso fora”, ressalta.

O militar também relata o que considera uma suposta perseguição em 2026. Segundo Hugo, o Exército não o teria agregado dentro do prazo necessário para a candidatura, o que teria provocado inicialmente o indeferimento de sua candidatura. “O Exército deixou de me agregar no prazo previsto. Deliberadamente”, diz.

Ele afirma que a situação só foi regularizada depois que a candidatura havia sido indeferida e que uma publicação administrativa ocorreu posteriormente. Hugo também relaciona sua transferência para uma unidade administrativa, ocorrida no fim de 2025, ao que entende como retaliação.

“No meu entendimento, sim”, responde ao ser questionado se a transferência fazia parte dessa suposta perseguição. Ao mesmo tempo, reconhece que a movimentação é uma decisão discricionária do comandante. “Essa necessidade de serviço não precisa ser justificada. É discricionário”, pondera.

“Isso é um castigo”, afirma

Ao explicar a situação, Major Hugo diz considerar incomum que um oficial com sua trajetória em Operações Especiais seja direcionado para uma unidade administrativa. “Eu sou um oficial com 14 anos de Operações Especiais movimentado para uma base de administração. Você está entendendo? Isso é um castigo”, relata.

Apesar da avaliação, ele ressalta que não considera a transferência ilegal do ponto de vista administrativo. “Não tem nada administrativamente falando incorreto nisso”, reconhece. Para o militar, o cenário também pode se prolongar dependendo do resultado das eleições.

“Eu acho que pode acontecer” uma nova perseguição caso não seja eleito, reflete, acrescentando que acredita que o contexto político nacional poderá influenciar sua situação dentro da corporação.

Sobre a legislação que envolve militares candidatos, Hugo explica que, segundo sua interpretação das regras atuais, militares com mais de dez anos de serviço podem ser agregados para disputar eleições. Caso sejam eleitos, passam para a inatividade de forma proporcional ao tempo de contribuição; se não forem eleitos, retornam à função de origem. Ele também cita uma proposta discutida no Congresso que, segundo sua avaliação, poderia dificultar candidaturas de militares.

“Essa PEC está parada no Senado”, afirma. Para Hugo, a discussão sobre a participação de militares na política ainda reúne posições diferentes entre integrantes das Forças Armadas e das polícias militares.

Direita precisa estar unida

Para ele, a direita deveria evitar divisões durante a eleição. “A direita agora não tem que construir muro, tem que construir ponte”, diz.

Hugo também afirma que Flávio teria adotado uma postura de aproximação com grupos políticos de Goiás ao declarar que não considera Caiado um adversário. “Ele reiterou mil vezes: não temos adversários em Goiás”, relata.

Amor pelo País

Major Hugo Christiani retoma a relação pessoal com o Exército e com o Brasil para explicar sua entrada na política. Ele lembra que, aos 15 anos, permaneceu fardado durante todo o dia 7 de setembro de 2000.

“Eu fiquei fardado até meia-noite do dia 7 de setembro”, recorda. O episódio, segundo ele, resume a forma como enxerga a própria trajetória.

“Eu tenho um amor com o Brasil, que é uma coisa de doido”, afirma. O slogan de sua campanha segue essa ideia: “Preparado pra servir, pronto pra lutar”. E resume sua visão sobre a política com uma frase: “A gente precisa de gente pra servir o país, e não pra se servir do país”.

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Fonte: Jornal Opção

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