Rogério Correia cobra explicações sobre “relações promíscuas” de Vorcaro e ministros do STF

0

Por Leonardo LucenaBrasil 247

247 – O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) cobrou explicações nesta sexta-feira (18) sobre as relações entre ministros do Supremo Tribunal Federal e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master que está preso por envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras descoberto pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

Em postagem na rede social X, o petista mencionou os ministros do STF Luiz Fux, Kássio Nunes Marques e André Mendonça, três magistrados que, de acordo com o parlamentar, precisam ter suas atuações apuradas com mais detalhes.

“As relações de Vorcaro com Fux, Mendonça e Kássio Nunes são, no mínimo, promíscuas e precisam ser esclarecidas”, escreveu Rogério Correia. “É muita proximidade entre banqueiro e ministro. O povo quer saber o que está por trás disso”, acrescentou.

Ainda na plataforma, o deputado do PT recordou a proximidade entre o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que repassou dezenas de milhões de reais para ajudar na produção do filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro (PL), preso após ser condenado por ministros do STF a 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista.

“É muito dinheiro, muita confusão e muita promiscuidade. O que isso tem a ver com Flávio Bolsonaro? Tudo”, continuou o parlamentar do PT. “Olho vivo, pessoal”, complementou.

🚨 TEM CAROÇO NESSE ANGU!

As relações de Vorcaro com Fux, Mendonça e Kassio Nunes são, no mínimo, promíscuas e precisam ser esclarecidas.

É muita proximidade entre banqueiro e ministro. O povo quer saber o que está por trás disso. pic.twitter.com/kvtaXc9WPu

— Rogério Correia 1⃣3⃣1⃣3⃣ (@RogerioCorreia_) September 18, 2026

Caso Luiz Fux

Conversas recuperadas pela PF no celular de Vorcaro mostraram que o empresário acionou Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, numa tentativa de destravar o pagamento de um precatório de valor bilionário. O processo era referente a créditos da Agro Industrial Tabu comprados por fundos de investimento nos quais o Banco Master tinha interesse direto.

Em nota enviada por sua assessoria de imprensa, Rodrigo Fux afirmou que o escritório foi procurado, mas não advogou no caso nem fez contrato com Vorcaro ou com o Master. A assessoria disse que ele não conversa com o pai sobre processos que tramitam na Corte.

O ministro Luiz Fux afirmou que, em todas as etapas em que participou do julgamento, votou contra a liberação dos valores. De acordo com o ministro, a decisão do tribunal contra a pretensão de Vorcaro foi tomada de forma unânime. A defesa de Daniel Vorcaro informou que não comentará o caso.

Caso Kássio Nunes Marques

Mensagens obtidas a partir do celular de Daniel Vorcaro ligam Kevin Marques, filho do ministro Kássio Nunes Marques, a diálogos sobre repasses relacionados à Consult Inteligência Tributária. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, a empresa recebeu R$ 6,632 milhões do Banco Master e, nesse mesmo intervalo, destinou R$ 282 mil ao advogado.

Na última terça-feira (15), Nunes Marques reagiu. “Em relação a mensagens que circulam de ontem, de hoje e que sempre vão rondar autoridade no Brasil, eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master”, afirmou em sessão no STF.

O magistrado defendeu a atuação do filho, disse possuir “absoluta isenção” nos processos que julgou e negou ter trocado mensagens diretamente com Vorcaro.

Caso André Mendonça

No começo do mês, André Mendonça retirou o sigilo de alguns materiais produzidos pela PF sobre a troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro. Havia registros de um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Master com o escritório Barci de Moraes, que pertence à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.

O material citou alguns cartões de crédito do banco de Vorcaro emitidos para filhos do ministro, com limites que chegariam a R$ 300 mil. Em seguida, Moraes reagiu e enviou a Fachin alguns relatórios da PF que teriam indicado “fortes indícios” de irregularidades atribuídas a Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.

A disputa avançou no STF. Mendonça encaminhou a Fachin um pedido de afastamento de Alexandre de Moraes.

Flávio Bolsonaro, Master e Dark Horse

O senador Flávio Bolsonaro havia declarado que Vorcaro parou, em maio de 2025, de fazer pagamentos destinados a colaborar com o financiamento de Dark Horse. Mas o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registrou uma transferência de US$ 1.666.667 realizada pelo ex-banqueiro em 16 de setembro de 2025 para o fundo Havengate Development Fund (EUA). 

De acordo com reportagem da revista Piauí, o repasse aconteceu meses após maio de 2025, data apontada por Flávio Bolsonaro como o momento em que Vorcaro teria encerrado os pagamentos ao projeto.

A transação também teria sido feita oito dias depois de Flávio Bolsonaro enviar uma mensagem ao banqueiro cobrando parcelas atrasadas. Com o valor identificado pelo Coaf, a quantia destinada por Vorcaro ao filme aumentou de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, o equivalente a mais de R$ 65 milhões pela cotação da época. Investigadores apuram outra transferência que pode ter feito os valores chegarem a R$ 72 milhões. 

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *