Rio Meia Ponte entra em nível de alerta, mas abastecimento de água em Goiânia segue normal

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Por Mylenna Scheidegger — Jornal Opção

Rio Meia Ponte entra em nível de alerta, mas abastecimento de água em Goiânia segue normal

O Rio Meia Ponte entrou em nível de alerta por criticidade hídrica no ponto de monitoramento localizado a montante da captação de água de Goiânia. A medida foi estabelecida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), por meio da Portaria nº 249, de 13 de outubro, publicada no Diário Oficial do Estado de Goiás (DOE-GO). De acordo com a publicação, a vazão registrada no local em 9 de outubro foi de 6.570 litros por segundo. A decisão considera a média móvel de sete dias acima de 5.500 litros por segundo pelo terceiro dia consecutivo.

Ao Jornal Opção, o gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (CIMEHGO), André Amorim, explicou que a média móvel da vazão do Meia Ponte havia chegado a cerca de 5 mil litros por segundo no fechamento diário mais recente citado por ele. A vazão registrada no dia foi de 4.283 litros por segundo. Com as chuvas registradas, a expectativa era de elevação desses números e de recuo do rio para o nível de alerta. “Devido às chuvas de ontem (quarta-feira, 14) ele vai aumentar”, afirmou Amorim, ao explicar que a situação é reavaliada diariamente conforme os dados de monitoramento.

Amorim explica que o comportamento do rio depende da regularidade das chuvas. Como o período chuvoso ainda não se estabeleceu de forma consistente, a tendência é de oscilações na vazão, com períodos de elevação seguidos por novas quedas. “Basta a chuva dar uma paradinha, ele começa a cair um pouco”, afirmou. Segundo o meteorologista, apesar da possibilidade de melhora pontual, ainda não há estabilidade suficiente no regime de chuvas para garantir uma recuperação contínua da vazão.

Dados do monitoramento do Meia Ponte | Foto: CIMEHGO

O representante do CIMEHGO também destacou que o Meia Ponte está sendo monitorado continuamente e que as medidas previstas para cada nível de criticidade são adotadas conforme a evolução do quadro. Ele ressaltou ainda a importância do uso racional da água e da preservação dos recursos hídricos.

Comparação com 2025

Apesar das oscilações, Amorim avalia que a situação do Meia Ponte está melhor do que no mesmo período do ano passado. Segundo ele, a vazão registrada na mesma época de 2025 era de aproximadamente 3 mil litros por segundo. “Esse ano a gente conseguiu, assim, no geral, ele está melhor que o do ano passado”, afirmou. O meteorologista ressalta, porém, que o cenário ainda exige acompanhamento, principalmente diante da irregularidade das chuvas.

Ao comentar a preservação da bacia, Amorim destacou que a responsabilidade pela conservação dos recursos hídricos deve ser compartilhada entre o poder público, a população e os setores que utilizam a água. “Cada ano que passa eles vão entendendo que a bacia é uma bacia crítica. Então ela precisa de um cuidado melhor. Não é só o Estado cuidar, é todos cuidarem, porque todo mundo usufrui”, declarou.

O representante do CIMEHGO também afirmou que o monitoramento dos mananciais é contínuo e que as medidas previstas para cada nível de criticidade são adotadas conforme a evolução dos indicadores. “Mas a população tem que fazer a sua parte, preservar os recursos hídricos e fazer o uso racional da água”, reforçou.

Abastecimento de Goiânia

Apesar do alerta para a situação hídrica do Rio Meia Ponte, a Saneago informou ao Jornal Opção que o abastecimento de água em Goiânia segue dentro da normalidade. Segundo a Companhia, a vazão atual do manancial, em conjunto com os demais sistemas produtores, é suficiente para atender à demanda da população. (Confira a nota completa no final da reportagem)

A capital conta com três sistemas produtores, que utilizam dois mananciais: o Rio Meia Ponte e o Ribeirão João Leite, cuja água é armazenada na barragem do Sistema Mauro Borges. Atualmente, 64% de Goiânia é abastecida pelo Ribeirão João Leite, enquanto os outros 36% recebem água do Meia Ponte.

De acordo com a Saneago, o volume de água acumulado na barragem do Ribeirão João Leite está em 83% da capacidade total, de 129 milhões de metros cúbicos. Além disso, os sistemas são interligados por estruturas que permitem reforçar o abastecimento de regiões atendidas pelo Meia Ponte com água proveniente do João Leite, caso haja redução na vazão do rio.

Uma dessas estruturas é a adutora de integração, que pode reforçar o Sistema Meia Ponte com até 800 litros por segundo. A Companhia também destaca a Conexão Cristina, inaugurada em 2025, que permite maior flexibilidade na distribuição de água entre os sistemas, com capacidade de operação de até 2.124 litros por segundo.

A Saneago esclareceu ainda que, no nível de criticidade atual, não há necessidade de reduzir o volume de água captado no Meia Ponte. Mesmo assim, reforçou a importância do consumo consciente até a regularização das chuvas.

A Companhia também informou que os sistemas de abastecimento dos 223 municípios atendidos por ela seguem operando com qualidade e regularidade.

Monitoramento

A classificação do rio é dividida em seis níveis, conforme a vazão: atenção (até 12 mil litros por segundo), alerta (até 9 mil) e quatro níveis críticos, com limites de 5.500, 4 mil, 3 mil e 2 mil litros por segundo, respectivamente. Quanto menor a vazão, maior o nível de criticidade e a necessidade de medidas específicas.

O acompanhamento da vazão é importante para avaliar a disponibilidade de água no rio e orientar as medidas necessárias diante de períodos de menor volume. No caso do Meia Ponte, a expectativa é que a regularização das chuvas contribua para a recuperação dos níveis e reduza as oscilações registradas durante a transição entre a estiagem e o período chuvoso.

Foto: Semad

O que diz a Saneago

A Saneago informa que os sistemas de abastecimento de água de todos os 223 municípios atendidos pela Companhia estão operando com qualidade e regularidade.

SAA de Goiânia

A Companhia explica ainda que a vazão atual do Rio Meia Ponte – ver https://lookerstudio.google.com/u/0/reporting/83b2f667-fa79-4f5f-8bb8-1a38a0dff630/page/fyW6C -, em conjunto com os demais sistemas, é suficiente para manter o abastecimento de Goiânia dentro da normalidade, atendendo plenamente a demanda da população.

Goiânia conta com três sistemas produtores, que utilizam dois mananciais: Meia Ponte (captação superficial) e Mauro Borges/João Leite (água represada). Atualmente, 64% da Capital é abastecida pelo Ribeirão João Leite e 36% pelo Rio Meia Ponte.

A Estação de Tratamento de Água (ETA) Meia Ponte tem capacidade de tratamento de até 2.000 litros por segundo. A ETA Mauro Borges e a ETA Jaime Câmara têm vazão de tratamento de até 4.000 L/s e até 2.000 L/s, respectivamente – vale destacar que o volume atual de água acumulada na barragem do Ribeirão João Leite está em 83% (a barragem tem volume total de 129 milhões de metros cúbicos de água, ou seja 129 bilhões de litros de água).

Investimentos em segurança hídrica

Para maior segurança hídrica e estabilidade no abastecimento dos goianienses, os sistemas estão interligados, por meio de uma adutora de integração. Esta adutora reforça o Sistema Meia Ponte com até 800 litros por segundo. Assim, é possível utilizar água reservada do João Leite para abastecer também bairros atendidos pelo Meia Ponte, caso o manancial registre diminuição na vazão.

Além disso, inaugurada no ano passado, a Conexão Cristina é um avanço estratégico para o fortalecimento da segurança hídrica, integrando os Sistemas João Leite e Meia Ponte e possibilitando que a água seja distribuída de maneira mais flexível. Com capacidade para operar até 2.124 litros por segundo, o Booster permite, por exemplo, que a água captada no Ribeirão João Leite reforce o abastecimento de regiões atendidas majoritariamente pelo Sistema Meia Ponte.

Sendo assim, hoje, com as integrações dos sistemas, realizadas nos últimos anos, o abastecimento de Goiânia conta com muito mais segurança hídrica.

Combate ao desperdício

De qualquer forma, até a regularização das chuvas, é fundamental que a população também faça sua parte por meio do consumo consciente da água. Dicas de economia estão disponíveis em: www.saneago.com.br/dicas

Da mesma forma que a Saneago solicita o consumo consciente da população, a Companhia faz a sua parte no combate ao desperdício. Como exemplo está a redução do índice de perdas de água na distribuição. Pelo Novo Marco Legal do Saneamento, as companhias têm até 2033 para alcançar 25% de perdas de água na distribuição. Com uma década de antecedência, a Saneago foi a primeira a alcançar a meta de redução de perdas e, atualmente com 21,5%, já superou este índice. Além disso, de acordo com o Estudo de Perdas de Água 2026, elaborado e divulgado pelo Instituto Trata Brasil, Goiânia aparece, pelo 5º ano consecutivo, como a capital com menor índice de perdas de água na distribuição. Menos água perdida na distribuição significa mais água na torneira da população.

Entes

Por fim, a Saneago esclarece que é apenas uma das usuárias das bacias, sendo responsável pelo abastecimento público nos municípios onde opera. Portanto, para informações sobre os demais usuários da bacia, checar com a Semad – responsável pela gestão de Recursos Hídricos no Estado de Goiás.

Além disso, a Deliberação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Meia Ponte https://cbhmeiaponte.meioambiente.go.gov.br/wp-content/uploads/2022/09/Deliberacao-021-2022-Emergencia-Hidrica-Meia-Ponte-1.pdf define os níveis de criticidade de acordo com a vazão do Rio Meia Ponte no ponto de captação da Saneago; sendo que no nível atual não há redução do volume captado pela Saneago.

O que diz a Semad

A propósito das informações solicitadas pelo Jornal Opção, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) esclarece o que se segue:

  • A edição de quarta-feira, 14 de outubro, do Diário Oficial do Estado trouxe uma portaria da Semad que declarou o novo enquadramento do rio Meia Ponte, vital para região metropolitana de Goiânia.
  • A edição dessa portaria e quaisquer outras medidas tomadas no âmbito do Meia Ponte estão previstas na resolução 021/2022 do Conselho de Bacia Hidrográfica do Meia Ponte.
  • Essa resolução estabelece quais são os níveis de enquadramento do rio, com base na vazão de momento, e que medidas devem ser tomadas em cada cenário.
  • Os níveis são os seguintes:
  • Nível de Atenção – vazão menor ou igual a 12.000 L/s;
  • Nível de Alerta – vazão menor ou igual a 9.000 L/s;
  • Nível Crítico 1 – vazão menor ou igual a 5.500 L/s;
  • Nível Crítico 2 – vazão menor ou igual a 4.000 L/s;
  • Nível Crítico 3 – vazão menor ou igual a 3.000 L/s;
  • Nível Crítico 4 – vazão menor ou igual a 2.000 L/s.
  • A portaria a que se referiu a reportagem tirou o Meia Ponte do Nível Crítico 1 e o levou para o Nível de Alerta. Em outras palavras, a situação do corpo hídrico melhorou e nós nos afastamos um pouco mais de um eventual cenário de risco.
  • No nível de Alerta, a resolução 021/2022 prevê a realização de campanhas sobre uso racional da água e divulgação da situação hídrica da Bacia à sociedade e aos usuários de água (meios de comunicação e mídias sociais); Reuniões com os usuários de água da Bacia, de forma articulada com as prefeituras, associações de produtores rurais e outras entidades de interesse; campanhas de fiscalização e orientação aos usuários de água.
  • Tais ações já estão em execução no âmbito da Semad, respeitadas as restrições que a legislação eleitoral impôs até o dia 4 de outubro.

Leia também:Chuva dá ‘sobrevida’ ao Meia Ponte, mas rio registra menor vazão do ano em Goiânia

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Fonte: Jornal Opção

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