Rihanna, Anitta e Djavan: artistas que “dormiram demais”, e Deus deu essas músicas para outros cantores

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Felipe Pinheiro

Publicado em 14 de Outubro de 2026 às 11:42

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Quem nunca estava ouvindo uma
música, curtindo o ritmo ou a letra, e, quando foi ver quem cantava,
descobriu que não era o artista que imaginava? Às vezes, o som é
tão parecido com de outro cantor que fica difícil não pensar:
“Nossa, essa música poderia ser dele!”. A brincadeira virou
trend nas redes sociais e ganhou um nome curioso: “artistas que
dormiram demais e Deus deu essas músicas para outros artistas”.

A expressão faz referência a
uma história envolvendo a rivalidade entre dois dos maiores ícones
da música pop: Michael Jackson e Prince. Reza a lenda que uma vez
Michael estava dormindo e teve uma ideia de música no sono, e depois
disso acordou de madrugada para anotar a ideia musical. Isso tudo
por medo de que, se continuasse dormindo, Deus daria aquela canção
para Prince.

Verdade ou não, o caso
combina com a brincadeira de imaginar como seria o universo musical
se determinados hits tivessem sido gravados por outros artistas. 

E HZ
separou alguns exemplos de músicas que poderiam facilmente habitar
outras discografias.

1 Thing (Amerie) —
Beyoncé

R&B pop dos anos 2000,
batidas marcantes, groove e muita energia. Esses elementos também
fizeram parte da identidade musical de Beyoncé em diferentes
momentos da carreira. Por isso, não é tão difícil imaginar “1
Thing” entrando em algum álbum da cantora. Mas o hit não faz
parte do catálogo da diva pop: a música é de Amerie.

Lançada em 2005, “1 Thing”
se tornou um dos maiores sucessos da carreira de Amerie. No
multiverso em que Beyoncé dormiu demais, a faixa poderia ter acabado
nas mãos de Bey, principalmente pelas semelhanças com músicas como
“Crazy in Love” e “Déjà Vu”. E existe uma conexão real entre
essas sonoridades: Rich Harrison, produtor de “1 Thing”, também
trabalhou com Beyoncé em “Crazy in Love” e “Déjà Vu”.

Mr. Saxobeat (Alexandra
Stan) — Rihanna

Quem viveu o auge do dance pop
entre o fim dos anos 2000 e o início dos anos 2010 sabe que Rihanna
foi um dos grandes nomes da música pop dançante. Hit atrás de hit,
a cantora explorou diferentes sonoridades, incluindo faixas com forte
presença de música eletrônica. Por isso, “Mr. Saxobeat”
poderia facilmente despertar aquela sensação de já ter ouvido algo
parecido no repertório da artista.

O sucesso de Alexandra Stan
marcou época com seu saxofone inconfundível na introdução, a
batida eletrônica acelerada e o refrão chiclete. A combinação tem
tudo a ver com a pista de dança e com o pop daquela época, universo
no qual Rihanna também emplacou diversos hits. E aposto que muita
gente que era criança no início dos anos 2010 guarda uma lembrança
especial da faixa por causa de “Just Dance”.

Extravasa (Claudia Leitte)
— Ivete Sangalo

E essa discussão também pode
chegar ao mundinho do axé! Claudia Leitte e Ivete Sangalo estão
entre os grandes nomes do gênero, conquistaram o público à frente
de bandas e construíram carreiras solo repletas de sucessos. Com
tanta energia de Carnaval envolvida, não é difícil imaginar alguém
ouvindo “Extravasa” e associando a música automaticamente a
Ivete.

Lançada em 2008, “Extravasa”
tem aquele tipo de refrão feito para ser cantado em coro, com uma
energia que combina perfeitamente com o trio elétrico e a multidão
pulando atrás do trio. A vibe lembra sucessos de Ivete Sangalo como
“Poeira”, que também aposta em uma batida contagiante e em
versos que ganham ainda mais força quando cantados por uma multidão.
Imagina Ivete puxando “Extravasa” no Carnaval de Salvador?

Monalisa (Jorge Vercillo) —
Djavan

“ Paralisa, com seu olhar,
Monalisa…” Basta lembrar desses versos para entrar no clima
romântico da música de Jorge Vercillo. Mas e se eu dissesse que a
faixa poderia muito bem ter saído da discografia de Djavan? Os dois
artistas transitam pela MPB romântica e têm canções marcadas por
melodias elaboradas e interpretações cheias de personalidade.

Lançada em 2003, “Monalisa”
tem uma melodia envolvente e uma atmosfera romântica que combinam
com o universo musical de Djavan. E essa associação fica ainda mais
interessante quando lembramos que os dois já dividiram os vocais em
“Final Feliz”, parceria que reúne características muito
presentes nas discografias de ambos. A música tem tanto a cara dos
dois que poderia até passar por uma faixa solo de qualquer um deles,
mostrando como os universos musicais de Vercillo e Djavan podem se
encontrar.

Posso Ser (Lexa) — Anitta

Quando surgiu no início dos
anos 2010, Anitta ajudou a moldar o pop brasileiro que ganharia força
nos anos seguintes. A mistura de funk com referências pop, as
coreografias, os clipes elaborados e as músicas sobre romance e
independência ajudaram a construir a identidade da cantora. Não é
de se estranhar, portanto, que outros artistas que exploravam
caminhos semelhantes também pudessem entrar nessa comparação.

“ Posso Ser” marcou o
início da trajetória de Lexa no mercado nacional, com uma
sonoridade pop dançante que conversa com o universo do funk pop
brasileiro. A faixa poderia facilmente entrar no álbum de estreia de
Anitta, lançado em 2013, que reúne essa mistura de batidas
dançantes, refrões grudentos e referências pop que ajudaram a
construir a identidade musical da cantora. Nesse multiverso, “Posso
Ser” seria mais uma candidata a integrar o repertório do primeiro
disco de Anitta.

Além desses vários poderiam
entrar no multiverso. Em outra realidade, talvez IZA cantasse “Sal
Grosso” da Anitta, Avril Lavigne deixasse para o Evanescence
embalar “Nobody’s Home”, “Domino” da Jessie J poderia ser
um dos hits do Teenage Dream da Katy Perry… e por aí vai.

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