RicarNaro e PazoLula: cidades do ES que não votaram no mesmo grupo político
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Publicado em 14 de Outubro de 2026 às 08:02
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As disputas para o governo do Espírito Santo e a Presidência da República são separadas, mas é de se esperar que o eleitor faça a sua escolha para cada um dos cargos levando em consideração as alianças e apoios entre os candidatos. No entanto, nem sempre é assim. No primeiro turno de votação no Estado, combinações de candidaturas fugiram a essa lógica, resultando no voto RicarNaro e PazoLula.
Os municípios de São Mateus e Boa Esperança, por exemplo, deram vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida eleitoral pela reeleição. Ele tinha como candidato ao governo do Espírito Santo o deputado federal Helder Salomão (PT). Contudo, não foi o parlamentar quem ganhou nessas duas cidades. A maioria dos eleitores optou por Lorenzo Pazolini (Republicanos), que é apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), principal oponente do presidente. Temos, então, o PazoLula.
Agora, apesar do apoio de Flávio a Pazolini, formalizado na coligação PL e Republicanos, em 17 cidades capixabas, como Alegre, Laranja da Terra e Piúma, eleitores que desejam o senador na presidência decidiram votar no governador Ricardo Ferraço (MDB), que é candidato à reeleição. Assim, saiu o voto RicarNaro.
O emedebista, que optou por não declarar voto a nenhum dos candidatos à Presidência, tentando evitar a nacionalização da disputa, também garantiu votos em 13 municípios onde Lula saiu vitorioso, a exemplo de Pedro Canário e Montanha.
Nos bairros da Grande Vitória, situação semelhante também foi observada. Na Capital, onde Pazolini venceu em todas as localidades com seção eleitoral, Lula ganhou em 19. Todo o município de Vila Velha também registrou preferência pelo candidato republicano no governo do Estado e, em sete bairros, pelo petista.
Na Serra, 19 bairros tiveram a combinação PazoLula e, em Cariacica, foram oito localidades, das 13 em que Lula venceu. Em outras duas, ficou a dobradinha Ricardo-Lula e, em três, seguiu a lógica do presidente com Helder — o ex-candidato do PT ao governo.
Embora possa causar estranhamento, essa não é uma conduta incomum do “brasileiro médio” (cidadão que resume o comportamento e opiniões mais comuns atribuídos à população do país), observa o cientista político João Victor dos Santos.
“São vários fatores que determinam o voto. É óbvio que, no Brasíl, existem grupos muito bem definidos, tanto à esquerda quanto à direita, mas o brasileiro médio, que costuma se preocupar com a política só em dia de eleição, compreende a política e os políticos muito pelos benefícios que pode conquistar com determinado voto”, pontua.
João Victor reforça que existem grupos muito bem formados ideologicamente, mas o que decide é aquele eleitor chamado de pendular, que não pende nem para um lado nem para o outro.
“É ele quem decide de fato a eleição, e as preocupações dele não são ideológicas. Não é a crise da China, nos Estados Unidos, no Irã. São questões muito mais pragmáticas, do dia a dia, ou de afinidade pessoal. Então, o voto não passa pelo arranjo ideológico de alianças que as candidaturas apresentam”, sustenta o cientista político.
Para João Victor, ainda que combinações de voto como RicarNaro e PazoLula possam parecer incoerentes, é a maior expressão de que quem decide o próprio voto é o eleitor.
“Mesmo que exista uma aliança programática ou pragmática entre partidos, nem sempre o eleitor obedece às alianças que estão colocadas ou às lógicas partidárias”, conclui.
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