Respondemos: As pesquisas estão corretas? Há chances de Lula vencer no 1º turno?

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Por Patricia Faermann — GGN

A dois dias das eleições presidenciais, os brasileiros querem saber: com a disputa acirrada para o segundo turno, Lula tem chances de ganhar já no 1º turno? Com a pequena diferença entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), as pesquisas vão na direção correta ou podem surpreender neste domingo?

Para responder a estas dúvidas, não basta olhar o resultado, em si, das pesquisas. Porque o histórico das últimas eleições mostrou que não é possível assegurar que o resultado da urna seguirá as pesquisas, e sequer as margens de erro informadas.

Isso não significa que as pesquisas não são confiáveis, mas que elas são um retrato daqueles momentos exatos em que uma porcentagem representativa dos eleitores foram consultados. Isso quer dizer que se as eleições ocorressem naqueles dias, o resultado seria aquele dentro da margem de erro. Mas o dia das eleições é outro dia. Portanto, o resultado pode, sim, ser outro.

Bolsonaro superou pesquisas

É o que mostra a análise dos pleitos anteriores. De modo geral, as pesquisas da última semana capturaram corretamente quem estava na liderança e se haveria ou não segundo turno. Mas os números em si e a diferença entre os candidatos não foram os indicados pelas pesquisas.

Em 2022, os levantamentos na semana da eleição indicavam a liderança de Lula, que se confirmou no primeiro e segundo turnos, mas a votação final de Jair Bolsonaro veio acima do limite superior, da margem de erro, de algumas previsões na reta final.

Mudanças de última hora

Diversos cientistas políticos já pontuaram que essa discrepância entre as pesquisas de vésperas e a urna vem da mudança de última hora do eleitor, sobretudo do voto útil ou a migração de eleitores de candidatos menores, e não uma falha técnica de campo.

Por outro lado, os resultados tampouco mostram que houve uma transferência exata nestes votos.

Quer dizer, não há como calcular exatamente que os votos nulos, em branco e indecisos irão votar, necessariamente, em algum dos dois candidatos com maiores chances. Ou que eleitores de candidatos considerados do espectro político da direita votarão em Flávio Bolsonaro (PL) e os do espectro da esquerda optarão por Lula (PT), no dia. Os levantamentos dão conta, até mesmo, de eleitores que se consideram de direita e extrema-direita votando em Lula, e vice-versa.

Pesquisas erram de 2 a 5 pontos percentuais

Estudos estatísticos, como análises do mercado financeiro e de universidades, apontam que o erro absoluto médio das pesquisas na semana decisiva costuma oscilar entre 2 e 5 pontos percentuais em relação aos votos válidos finais de cada candidato, variando conforme a volatilidade do eleitorado de centro e indecisos.

Cientistas políticos e centros de estatística vinculados a universidades, como o CEPESP/FGV (Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getulio Vargas), realizam frequentemente o cálculo dessa margem de erro das pesquisas.

Da mesma forma, bancos de investimento e corretoras (como BTG Pactual, XP Investimentos e Goldman Sachs), que contratam ou realizam agregadores e auditorias de tracking eleitoral, monitoram o comportamento dessas variações para prever a volatilidade dos ativos financeiros. Relatórios dessas instituições frequentemente pontuam que oscilações na casa de 2 a 5 pontos percentuais em relação às urnas fazem parte da dinâmica natural da “reta final”, desencadeada pelo voto útil.

Levantamento do JOTA Labs sobre os acertos ou erros das pesquisas eleitorais revela, ainda, que as pesquisas tendem a subestimar ligeiramente os resultados finais. Ou seja, as urnas geralmente trazem números acima do que as pesquisas informaram. Mas estas diferenças vão diminuindo com a proximidade das eleições, ou seja, quanto mais próxima do dia da eleição a pesquisa for feita, menos as chances de subestimar.

Em 2022, pesquisas subestimaram Jair Bolsonaro no 1º turno

No primeiro turno de 2022, as pesquisas da véspera mostraram que os institutos subestimaram os resultados de Jair Bolsonaro em até 5,2 pontos percentuais, e acertaram os de Lula.

Naquelas eleições, o presidente Lula (PT) obteve 48,42% dos votos e Jair Bolsonaro contabilizou 43,20%. Um dia antes, no dia 1º de outubro, assim mostravam as pesquisas:

Datafolha: Lula (PT) 50% x Jair Bolsonaro (PL) 36% (Margem de erro de 2 pontos percentuais)
Quaest: Lula (PT) 49% x Jair Bolsonaro (PL) 38% (Margem de erro de 2 pontos)
Real Time Big Data: Lula (PT) 49% x Jair Bolsonaro (PL) 38% (Margem de erro de 2 pontos)
MDA/CNT: Lula (PT) 48,3% x Jair Bolsonaro (PL) 39,7% (Margem de erro de 2,2 pontos)
AtlasIntel: Lula (PT) 50,3% x Jair Bolsonaro (PL) 41,1% (Margem de erro de 1 ponto)

No balanço do 1º turno de 2022, a AtlasIntel foi a que captou com maior precisão a força total da votação de Jair Bolsonaro na reta final, diminuindo a distorção observada em outros levantamentos. Foi o instituto também que apresentou a diferença de votos entre os candidatos mais parecida com o dia da votação.

A pesquisa MDA/CNT teve o acerto mais cirúrgico no teto exato da votação de Lula e se posicionou em segundo lugar no nível de acerto geral. Real Time Big Data, Datafolha e Quaest foram os que destoaram mais e não captaram os votos de Bolsonaro, um dia antes da eleição.

Novos erros e acertos no segundo turno de 2022

Por outro lado, no segundo turno daquele ano, os institutos que se saíram pior na primeira rodada – Datafolha, Quaest e Real Time – chegaram mais próximos do resultado final na véspera eleitoral.

Nas últimas pesquisas do Datafolha, Quaest e Real Time Big Data, um dia antes do 2º turno, Lula recebeu 52% das intenções de votos válidos e Jair Bolsonaro 48%.

Nas urnas, o resultado para Lula foi 50,9% e para Bolsonaro 49,10%, ou seja, numericamente acima, mas dentro da margens de erro informadas pelas pesquisas.

Naquela rodada, o resultado mais próximo foi da pesquisa MDA/CNT, que marcou 51,1% para Lula contra 48,9% para Bolsonaro. Já a AtlasIntel se distanciou do resultado final, registrando 53,4% para Lula e 46,6% para Bolsonaro.

Grau de desempenho dos institutos

Pelos históricos de 2022, de anos anteriores e de outras pesquisas eleitorais, rankings agregados como o PollsterGraph calculam o desempenho dos institutos de pesquisa para balizar qual deles capta com maior precisão o percentual de votos válidos na eleição presidencial.

No PollsterGraph, a AtlasIntel ostenta a classificação máxima A+. O Datafolha e a MDA, dois dos institutos mais tradicionais do país, também possuem classificação A+ no acumulado histórico de acertos do ranking.

O Real Time Big Data mantém uma avaliação sólida de classe A, e a Quaest figura atualmente com a nota B- no agregador de desempenho histórico, ocupando o 67º lugar neste ranking.

Olhando para 2022, o que esperar deste domingo?

Amanhã, um dia antes das eleições, serão divulgadas 7 pesquisas eleitorais para presidente da República. Os institutos mencionados nesta reportagem estão nesta lista, divulgando as expectativas do resultado eleitoral.

Até o momento, antes das divulgações deste sábado (03), as pesquisas indicam pouca probabilidade de um resultado definido logo em 1º turno, seja para Lula ou para Flávio Bolsonaro. Isso porque, apesar de a diferença para um vitória em primeiro turno entrar na margem calculada de possível erro de pesquisas, exposta acima, quanto mais próximo o dia da eleição, menor essa chance de erro dos institutos.

Nesse sentido, as pesquisas estão corretas em apontar o indicativo de segundo turno. Mas o desvio na reta final do chamado “voto útil” também pontuou em um limite superior de 5% no histórico de 2022, explicando os fenômenos de “onda” e de migração de última hora dos indecisos e eleitores de centro no primeiro turno, o que ainda pode ocorrer – e surpreender – neste domingo.

Assim, no jargão dos próprios candidatos eleitorais, ‘a eleição só termina quando termina’.

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Fonte: GGN

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