Renda, consumo e patrimônio: o que realmente mostra se alguém é rico

0

A Gazeta

Redes Sociais

Esqueci minha senha

Acesse aqui

Acesse aqui

Publicado em 10 de Setembro de 2026 às 09:44

Públicado em 

Colunista

[email protected]

Imagine duas pessoas diferentes que ganham R$ 15 mil por mês. A primeira troca de carro, aumenta as parcelas, viaja mais e ajusta rapidamente o padrão de vida à nova renda. A segunda também melhora de vida, mas preserva uma diferença entre o que ganha e o que gasta. Por fora, talvez a primeira pareça mais rica. No balanço financeiro, a história pode ser o contrário.

Consumo é o dinheiro que sai para sustentar um padrão de vida. Patrimônio é o que permanece: reservas, investimentos, imóveis, participação em negócios e outros ativos, descontadas as dívidas. Um carro de R$ 150 mil pode fazer parte do patrimônio. Mas, se existe uma dívida de R$ 130 mil ligada a ele, a fotografia financeira é bem diferente da que aparece na garagem.

O Banco Central mostra por que essa distinção importa. Em junho de 2026, o endividamento das famílias chegou a 49,8% da renda acumulada em doze meses, e o comprometimento da renda com dívidas alcançou 28,9%. Crédito pode ser útil para antecipar decisões e financiar projetos. O problema começa quando ele é usado para sustentar um padrão que a renda, sozinha, não comporta.

A economia comportamental ajuda a explicar essa armadilha. Estudos mostram que bens visíveis podem funcionar como sinais de renda e status. Outra pesquisa, baseada em mais de 2 milhões de transações bancárias, encontrou associação entre acreditar que gastar sinaliza riqueza, gastar de forma mais extravagante e apresentar maior vulnerabilidade financeira.

É aqui que entra a chamada inflação do estilo de vida: a renda cresce e as despesas crescem junto. O avanço profissional acontece, mas quase nada dele vira avanço patrimonial. Se alguém que recebe R$ 15 mil separa R$ 3 mil por mês, são R$ 36 mil por ano e R$ 360 mil em dez anos, mesmo antes de considerar qualquer rendimento. O resultado não chama atenção no primeiro mês. É justamente por isso que patrimônio costuma ser silencioso.

Consumir não é errado. Dinheiro também serve para viver bem. A questão é se todo aumento de renda precisa virar imediatamente aumento de despesa. Trabalho gera renda. A disciplina decide quanto dessa renda será transformada em segurança, oportunidade e liberdade no futuro.

Talvez a melhor medida de riqueza não seja o padrão de vida que conseguimos mostrar, mas por quanto tempo conseguimos escolher sem depender da próxima parcela, do próximo limite ou do próximo salário.

Leia mais na coluna de Vicente Duarte

Vicente Duarte

Graduado em Economia pela Ufes, com MBA em Gestao Financeira e Controladoria pela FGV e MBA em Digital Business pela USP. Atua ha 15 anos no mercado financeiro e atualmente e diretor do Banestes.

Tópicos Relacionados

Notou
alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a
corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua
mensagem

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Privacidade e segurança

Privacidade e segurança

© 1996 – 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fonte: A Gazeta

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *