Renan Santos diz que perigo ‘é maior’ com Flávio Bolsonaro, mas descarta apoio a Lula no 2º turno
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – O candidato à Presidência derrotado no primeiro turno Renan Santos (Missão) avalia que uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) representa um risco maior de concentração de poder do que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar da avaliação, ele descartou apoiar o mandatário petista no segundo turno e afirmou que não pretende votar na disputa.
“Eu acho que, em termos de acúmulo de poder, o perigo do acúmulo do poder, do acúmulo específico, é maior com o Flávio. Eu acho isso aqui, da turma do PT, é o maior argumento que eles têm. Porque, com o Lula, se ganhar a eleição, o Lula não tem poder para passar PEC, para passar nada”, disse em entrevista ao programa Alt Tebet, do UOL, na quarta-feira (14).
Renan descarta apoio a Lula
Apesar de considerar maior o risco de concentração de poder sob Flávio Bolsonaro, Renan afirmou que não pretende declarar apoio a nenhum dos dois candidatos que disputam o segundo turno.
“Eu não vou votar. A última vez, eu pedi voto nulo. Dessa vez, eu tô falando: ‘votem em quem quiserem’”, afirmou.
O candidato derrotado também justificou a decisão de não vincular o Missão a outras forças políticas. “Eu não posso pegar o meu partido político, que eu acredito que o futuro glorioso que eu criei nos meus discursos passa necessariamente pelo meu projeto. Eu não posso pegar ele e macular na defesa de outra causa”, declarou.
Candidato buscou se diferenciar do PT e do bolsonarismo
Renan recebeu 2.675.887 votos no primeiro turno, o equivalente a 2,24% do total, e terminou a disputa na quarta colocação. Ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), ele concorreu com uma agenda de direita e buscou construir uma identidade política própria, distinta do grupo liderado por Jair Bolsonaro.
Durante a campanha, o presidenciável atacou tanto Flávio Bolsonaro quanto Lula. Depois da apuração do primeiro turno, negou ter sido procurado por lideranças do PT ou do Centrão para negociar uma possível aliança na etapa final da eleição.
Na ocasião, Renan afirmou que pretendia evitar contatos desse tipo e concentrar esforços em prioridades do partido, entre elas a estruturação do Missão. A legenda elegeu apenas dois dos 483 candidatos que lançou na disputa eleitoral.
Ele também descartou apoiar qualquer um dos dois presidenciáveis, chamou ambos de “bandidos” e afirmou que a militância do partido teria liberdade para decidir seu voto.
Fonte: Brasil 247