Relator da CPI dos Pancadões, Pavanato usa funk em jingle de campanha após associar gênero ao crime

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – O vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL) recorreu ao funk para compor o jingle de sua campanha à Câmara dos Deputados, em uma inflexão que gerou duras críticas de opositores e internautas. Relator da CPI dos Pancadões na Câmara Municipal paulistana e conhecido por discursos que associam o gênero ao crime organizado, o parlamentar divulgou nas redes sociais a música “Corte Rápido (Funk do Pavanato)”, um pancadão para pedir votos. No vídeo promocional, o político aparece usando óculos do modelo Juliet e segurando uma caixa de som, adereços marcantes da estética das periferias, detalha reportagem do Metrópoles.

A opção pelo ritmo contrasta com a atuação legislativa do parlamentar. Em 2025, Pavanato foi o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada com o objetivo de investigar supostas omissões públicas na fiscalização do sossego e combater festas clandestinas na capital. Durante os trabalhos da comissão, atuou alinhado ao presidente do colegiado, Rubinho Nunes (União), sustentando a tese de que funkeiros e bailes de favela possuem ligação direta com atividades criminosas. No relatório final, Pavanato cravou que os “pancadões, em determinados contextos, funcionam como espaços de difusão e normalização da chamada ‘narcocultura’”, argumentando que o movimento legitimaria o tráfico de drogas e a violência.

A ofensiva do vereador contra o movimento cultural estendeu-se para além do âmbito fiscalizatório. Em junho deste ano, o Museu da Língua Portuguesa antecipou o encerramento da exposição “Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade” após uma representação ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) movida por Pavanato e pelo deputado estadual Felipe Sertanejo (PL). A mostra, concebida originalmente pelo Museu de Arte do Rio (MAR) com mais de 470 obras de acervo e curadoria de nomes como Taísa Machado, Dom Filó, Amanda Bonan, Marcelo Campos e Renata Prado, começou em novembro de 2025 e estava prevista para durar até agosto de 2026. No entanto, acabou encerrada no fim de maio devido à pressão política.

Na ocasião, o parlamentar gravou vídeos acusando o museu de promover “sexualidade explícita e crime organizado”. A denúncia apresentada ao MPSP alegou violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e apologia ao crime. A curadora Renata Prado e a historiadora Lilia Schwarcz, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), denunciaram a medida como ato direto de censura. O MPSP confirmou a abertura de procedimento preliminar, mas ressaltou que sua atuação limita-se à verificação de regras de proteção à infância e classificação indicativa, resguardando a liberdade de expressão e sem emitir juízo artístico ou partidário.

As contradições de Pavanato estendem-se às redes sociais e a ações de rua. Em junho de 2025, ele gravou vídeos acompanhando a Guarda Civil Metropolitana (GCM) no combate a bailes em Cidade Ademar, na zona sul da capital, afirmando que “tudo que gira em torno dos pancadões geralmente está na irregularidade”. O vereador também chegou a publicar que “funkeiro que cultua o crime organizado tem que apodrecer na cadeia”.

A virada pragmática no período eleitoral rendeu reações imediatas da oposição. O vereador Professor Toninho Vespoli, líder do PSOL na Câmara de São Paulo, destacou o oportunismo da estratégia: “Lucas Pavanato, candidato do PL, passou seu mandato atacando o funk e tratando a cultura da periferia como inimiga. Agora, em época de eleição, aparece usando justamente o funk para tentar ganhar voto. Quando a eleição chega, a extrema direita esquece até o próprio discurso”, criticou.

Procurado, Pavanato alegou que suas críticas se direcionam apenas ao funk que “faz apologia ao crime ou que rebaixa a mulher” e sustentou que o combate na CPI focou em festas clandestinas. “O problema com o funk por óbvio é a letra, não o ritmo. Quem não percebe a diferença tem déficit cognitivo”, afirmou em nota oficial, confirmando ter participado da criação da peça publicitária.

A contratação do ritmo faz parte de uma tática compartilhada por outras lideranças da extrema direita. O jingle de Pavanato foi produzido pela empresa Prismah, especializada em estratégia musical eleitoral e responsável também pelas faixas de campanha de Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira e André Fernandes. Nikolas Ferreira, a exemplo de Pavanato, já fez investidas públicas contra o gênero musical, chegando a associá-lo à “cultura do estupro” durante debates do Projeto de Lei da Misoginia na Câmara dos Deputados. Procurados pelo Metrópoles para comentar as divergências entre o discurso público e as escolhas de comunicação eleitoral, nem a produtora nem a assessoria de Nikolas Ferreira responderam aos contatos.

Fonte: Brasil 247

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