Quem move o empreendedorismo da venda direta em 2026? Pesquisa traça perfil da força de vendas no país
Por Allan Ravagnani — Carta Capital
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Levantamento traça o perfil de quem vende produtos porta a porta e mostra como o celular e o whatsapp viraram ferramentas de trabalho no dia a dia
A venda direta deixou de ser um complemento de renda e se firmou como porta de entrada para o empreendedorismo no Brasil. O modelo une tecnologia, redes sociais e o vínculo direto com o cliente, e atrai hoje desde donas de casa até profissionais em busca de uma alternativa ao emprego formal.
Por trás dessa mudança está um público que reflete a diversidade do país. A força de vendas do setor é formada, em 86% dos casos, por mulheres, enquanto os homens ocupam os 14% restantes.
Além disso, mais da metade dos profissionais, 51,8%, se declara preta ou parda, e o grau de escolaridade também varia bastante: 37% concluíram o ensino médio, enquanto mais da metade já cursou, concluiu ou fez pós-graduação no ensino superior.
Fonte: Pesquisa Perfil da Força de Vendas 2026, Abevd / Bare Internacional Elaboração: Do Micro ao Macro – CartaCapital
Esses números vêm da Pesquisa Perfil da Força de Vendas, encomendada pela Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (Abevd) e conduzida pela Bare Internacional em julho de 2026. O estudo ouviu revendedores de diferentes estados e categorias de produto para mapear quem hoje sustenta esse tipo de negócio no país.
Segundo Adriana Colloca, presidente executiva da Abevd, o setor não segue um único caminho de crescimento. “A venda direta é um modelo moderno e adaptável. A pesquisa mostra que não existe um formato único de sucesso. O setor acolhe desde quem busca uma rotina independente até quem deseja construir um negócio em escala, integrando a atividade ao seu estilo de vida. O grande diferencial é a liberdade de escolha”, afirma Adriana Colloca.
Na prática, a maior parte dos entrevistados usa a venda direta como complemento de renda. Setenta e seis por cento conciliam a atividade com outro emprego ou projeto, enquanto 24% vivem exclusivamente dela.
Para Adriana Colloca, essa flexibilidade explica a permanência do modelo ao longo do tempo. “A principal característica da venda direta é permitir que cada pessoa construa o próprio negócio de acordo com sua realidade. É um modelo que pode começar em pequena escala, crescer gradualmente e acompanhar diferentes momentos da vida. Essa capacidade de acolher diferentes formas de empreender explica por que a atividade permanece relevante para milhões de brasileiros”, destaca a executiva.
Enquanto isso, o mix de produtos comercializados também mostra a extensão do mercado. Cosméticos e cuidados pessoais lideram, presentes em 88,5% das vendas, mas saúde, nutrição, utilidades domésticas, vestuário e alimentos também movimentam o setor e atraem perfis distintos de consumidores.
Ainda assim, essa variedade de categorias reflete a própria diversidade dos revendedores: cada um monta um catálogo próprio de acordo com o público que atende.
No dia a dia, o celular virou ferramenta de trabalho para 84% dos entrevistados, número que confirma o peso do smartphone na rotina de quem vende. O WhatsApp, por sua vez, aparece como principal canal de negociação para 67% dos revendedores.
Por trás desses números está uma prática comum: revendedores usam o aplicativo tanto para fechar pedidos quanto para manter contato direto com clientes, o que aproxima quem vende de quem compra. Geograficamente, São Paulo concentra 23% da força de vendas, seguido por Rio de Janeiro (9%) e Minas Gerais (8%), enquanto os demais estados somam 60% do total, o que confirma que o empreendedorismo pela venda direta se espalha por todo o território nacional.
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Fonte: Carta Capital