Quem era o juiz encontrado morto em carro incendiado no interior de SP

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Por Laís Gouveia — Brasil 247

247 – O juiz Gustavo de Castro Campos, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), foi encontrado morto dentro de um carro incendiado na zona rural de São João da Boa Vista, no interior paulista, nesta quarta-feira (7). O magistrado atuava na Comarca de Mococa e integrava a magistratura paulista havia 12 anos. O corpo estava carbonizado, e a Polícia Civil investiga o episódio como morte suspeita, sem descartar hipóteses sobre as circunstâncias da ocorrência.

Segundo reportagem do Metrópoles, o veículo foi localizado em uma propriedade rural por trabalhadores que operavam uma retroescavadeira. Ao perceberem o incêndio, eles utilizaram terra para conter as chamas. Dentro do automóvel, foi encontrada uma carteira de habilitação em nome do magistrado.

Equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros foram acionadas para atender à ocorrência. A descoberta do corpo levou à abertura de investigação para esclarecer como o veículo pegou fogo e o que provocou a morte.

Até o momento, as informações divulgadas não permitem determinar se houve participação de terceiros ou se o incêndio foi consequência de outra circunstância. A identificação documental encontrada no veículo foi um dos primeiros elementos que associaram a ocorrência ao magistrado.

Quem era Gustavo de Castro Campos

Formado em Direito pelo Centro Universitário Braz Cubas, Gustavo de Castro Campos possuía duas especializações e construiu uma trajetória profissional que incluiu diferentes funções na área jurídica.

Antes de ingressar na magistratura, trabalhou como advogado durante aproximadamente dez anos. Em 2014, passou pela Polícia Civil do Espírito Santo, onde exerceu a função de delegado, e também atuou como juiz substituto na Justiça capixaba.

Posteriormente, integrou o quadro de magistrados do Tribunal de Justiça de São Paulo, no qual acumulou 12 anos de atuação.

Ao longo da carreira no Judiciário paulista, trabalhou nas comarcas de Tambaú e Leme, além de Mococa, município onde exercia suas funções mais recentemente.

A trajetória do juiz foi marcada pela passagem pela advocacia, pela atividade policial e pelo exercício da magistratura, experiências desenvolvidas antes de sua atuação no interior de São Paulo.

Corpo foi localizado por trabalhadores rurais

O automóvel incendiado estava em uma área pertencente a uma fazenda de São João da Boa Vista. Conforme as informações obtidas pelo Metrópoles, trabalhadores rurais avistaram as chamas e tentaram apagá-las utilizando a retroescavadeira que operavam.

Após o controle inicial do fogo, foi constatada a presença de um corpo carbonizado no interior do veículo.

A Polícia Civil deverá esclarecer as circunstâncias da morte e a origem do incêndio. Não foram divulgadas informações conclusivas sobre a existência de sinais de violência anteriores à ação do fogo.

O caso permanece classificado como morte suspeita, e nenhuma hipótese havia sido oficialmente confirmada pelas autoridades até a divulgação da reportagem.

Magistrado teve procedimento arquivado pelo TJSP

Durante sua trajetória profissional, Gustavo de Castro Campos também foi alvo de uma acusação relacionada a um desentendimento com um advogado durante uma audiência.

Segundo o Metrópoles, o magistrado respondeu a um procedimento por suposta ofensa à honra do profissional. O caso foi analisado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, que concluiu não haver fundamento suficiente para sustentar a acusação e determinou seu arquivamento.

O episódio teve origem em uma discussão durante um julgamento, quando o juiz questionou a atuação do advogado.

“qual técnica o senhor está empregando aí? a técnica de onde isso aí?”, perguntou o magistrado.

Na sequência, o advogado respondeu: “vamos começar a trabalhar direito, pô”.

O juiz rebateu: “eu trabalho já cinquenta e um anos”.

O defensor, então, afirmou: “então, faça então. Então, faça direito. Ou se aposenta logo, está fazendo um péssimo trabalho aqui”.

Ao examinar o episódio, o TJSP considerou o contexto da discussão e o comportamento dos envolvidos. De acordo com os autos citados pela reportagem, o advogado também tinha histórico de condutas inadequadas em julgamentos e havia sido condenado em primeira instância por desacato contra um juiz.

Na avaliação do tribunal, ficou caracterizado o “comportamento provocativo” do advogado. A decisão também registrou que o magistrado, como qualquer pessoa, pode perder a paciência em situações extremas diante de atitudes consideradas inconvenientes.

O procedimento foi encerrado sem responsabilização disciplinar de Gustavo de Castro Campos. Não há informações que relacionem esse episódio à morte investigada em São João da Boa Vista.

A Polícia Civil prossegue com a apuração para determinar as circunstâncias em que o magistrado morreu e esclarecer a origem do incêndio que atingiu o veículo.

Fonte: Brasil 247

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