Quem é Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio preso pela PF

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – O delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e ex-presidente do Detran-RJ, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (15) na 8ª fase da Operação Unha e Carne. A prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma investigação sobre conexões de agentes públicos com grupos criminosos que atuam no Rio de Janeiro.

Durante a apuração, os investigadores descobriram uma extensa rede de postos de combustíveis localizada no Grande Rio. A estrutura teria movimentado R$ 7,6 bilhões em um suposto esquema de lavagem de dinheiro operado com a anuência de políticos.

Formado em Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Amim ingressou nos quadros da Polícia Civil em 2002. Ao longo de sua trajetória como delegado, esteve à frente de unidades estratégicas da corporação, incluindo a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), a Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) e a 27ª DP (Vicente de Carvalho). Antes de assumir a chefia da Polícia Civil e a presidência do Detran-RJ, ele ganhou notória visibilidade por suas participações em programas de televisão e por sua presença nas redes sociais.

Sua ascensão aos principais cargos da administração pública fluminense ocorreu sob a gestão do governador Cláudio Castro (PL). Em junho de 2023, foi nomeado para presidir o Detran-RJ. Em outubro do mesmo ano, assumiu o cargo de secretário de Polícia Civil. A nomeação dependeu de uma manobra articulada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que modificou o artigo 16 da Lei Complementar 204 (a Lei Orgânica da Polícia Civil). A proposta, enviada pelo Governo do Estado e aprovada na véspera da nomeação, flexibilizou os critérios do cargo ao permitir que delegados com menos de 15 anos de carreira na função chefiassem a pasta. Na época, Amim acumulava 12 anos como delegado.

Marcus Amim permaneceu no comando da Polícia Civil por cerca de dez meses até ser substituído. Na sequência, passou a coordenar o Departamento de Segurança da Alerj.

Esta não foi a primeira ação policial em que o delegado foi citado. Em 7 de julho deste ano, Marcus Amim já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne. Desde esse episódio, ele se tornou objeto de apurações internas conduzidas pela Corregedoria da Polícia Civil, procedimento que ainda não teve uma decisão concluída.

As ligações de Amim com o cenário político fluminense também envolvem o deputado Márcio Canella, que foi preso nesta mesma fase da operação. Em 2018, Canella propôs a concessão da Medalha Tiradentes — principal honraria concedida pela Alerj — a Marcus Amim, homenageando o policial com a comenda naquele mesmo ano.

Fonte: Brasil 247

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