Quem é Flávio Bolsonaro: conheça a história do senador

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Por fernandaestima — Fundação Perseu Abramo

Nascido em Resende (RJ) em 30 de abril de 1981, Flávio Nantes Bolsonaro é o projeto piloto do grande histórico de mamatas construído pelos herdeiros de Jair.

Advogado formado pela Universidade Cândido Mendes, Flávio já mostrou no início de carreira que carregava um diferencial bastante peculiar no currículo: estar em três lugares ao mesmo tempo.

Entre 2000 e 2002, então com 19 anos, acumulou três ocupações em duas cidades diferentes: faculdade presencial diária de Direito e estágio voluntário duas vezes por semana no Rio de Janeiro, e um cargo de 40 horas semanais na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Apesar das suspeitas de que nenhum ser humano teria a capacidade de se teletransportar tão rápido de uma cidade para outra, ainda acabou se reelegendo quatro vezes seguidas como deputado estadual no Rio de Janeiro. 

Foi nessa época também que um dos grandes mistérios de sua trajetória na Alerj ficou sem resposta: o caso da famosa rachadinha em seu gabinete. Segundo investigações do Ministério Público na época, cerca de R$ 6,1 milhões foram desviados por meio de funcionários fantasmas que devolviam parte de seus salários a Fabrício Queiroz, apontado como o operador financeiro do grupo. 

O MP sustentava que os recursos em dinheiro vivo eram lavados por meio de transações imobiliárias e de uma franquia de loja de chocolates, resultando em denúncias por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As denúncias não avançaram, mas Flávio nunca conseguiu explicar os pagamentos feitos em dinheiro vivo a Queiroz. E, por falar em loja de chocolate, eis aqui outro grande mistério de sua biografia. Quem trabalha no ramo sabe que é muito difícil acontecer pagamentos exatamente iguais durante o ano inteiro, inclusive na Páscoa, e em valores redondos. As transações também chamaram a atenção da Justiça, mas nada aconteceu.

Mesmo com o grande repertório de acusações, Flávio saiu da Assembleia Legislativa em 2019 direto para o Senado sem ter apresentado nenhuma proposta decente para os fluminenses. Mas nem precisava. Na sombra do pai, viajou para Brasília para viver uma espécie de férias prolongadas. 

Mas não eram férias comuns. Em apenas dois anos na capital do país, Flávio se mudou para um imóvel de quase R$ 6 milhões no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, região mais nobre da cidade. De novo, o filho do Jair mostrou ter privilégios que pouca gente tem – inclusive entre políticos. 

A compra da mansão levantou suspeitas de ter recebido financiamento fora dos padrões e por ter sido quitada com velocidade incomum. A Polícia Federal investiga se o parlamentar obteve privilégios junto ao Banco de Brasília (BRB), que concedeu um crédito de R$ 3,1 milhões com taxa de juros de 3,71% ao ano, índice bem inferior à média de 4,85% praticada pelo mercado na época. 

Além disso, o fato de a dívida de 30 anos ter sido integralmente liquidada em apenas três anos gerou novos alertas sobre a origem do fluxo de caixa da instituição financeira. As investigações seguem em andamento. 

De lá para cá, não se via o nome de Flávio em nenhuma pauta que realmente fosse de interesse público. Quando aparecia era por problemas relacionados ao pai, hoje preso por tentativa de golpe, ao irmão Eduardo, foragido da Justiça e vivendo com recursos não declarados nos EUA, ou sobre seus próprios rolos. 

O maior deles, é a relação com o “amigão” Daniel Vorcaro. A partir daqui, daria uma biografia à parte. Flávio disse que não conhecia, depois disse que conhecia, disse que não encontrou, depois disse que encontrou. E no meio disso tudo tem a grana enviada para o Dark Horse que até agora não prestou contas. 

Sobre a atuação de Flávio como senador, não há nada de útil a falar.  Ao longo de sete anos de mandato, teve apenas dois projetos de sua autoria aprovados pela Casa. Um PL sobre destino de arrecadação de loterias e outro sobre logística reversa de baterias. Também enviou algumas centenas de proposituras e cumpriu missões internacionais sem relevância para o país. 

Algumas dessas viagens, aliás, colocaram em risco os interesses do povo brasileiro ao barganhar as nossas riquezas em troca de apoio político de Donald Trump. Documentos mostram que até o Pix pode estar em jogo nesta troca de favores com a Casa Branca. 

Agora, passado o primeiro turno, já faz menção de mudar a Constituição e de que não está do lado do trabalhador na luta pelo fim da escala 6×1. Como se vê, uma trajetória feita em benefício de si próprio e contra os interesses da maioria da população brasileira.

Fonte: Fundação Perseu Abramo

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