Quase 65% dos municípios brasileiros registram vacinação contra o sarampo abaixo da meta
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – Dados do Ministério da Saúde apontam que quase 65% das cidades brasileiras apresentam a média da cobertura vacinal contra o sarampo abaixo do nível ideal, informa a CNN Brasil. No total, 3.589 dos 5.570 municípios do país registraram menos de 95% da média de aplicação da segunda dose da vacina tríplice viral — responsável pela proteção contra sarampo, caxumba e rubéola — entre janeiro e agosto de 2026, patamar considerado indispensável para garantir a imunização completa da população.
Apesar de o país atingir 94,66% de cobertura vacinal da primeira dose em crianças de até um ano, índice classificado pela pasta como ótimo, a adesão despenca no ciclo complementar. Na aplicação da segunda dose, indicada para bebês aos 15 meses, o índice nacional cai para 79,78%, ficando bem abaixo da meta estipulada de 95%. O imunizante também é recomendado para adolescentes, adultos não vacinados e profissionais de saúde, não sendo necessário tomar mais de duas doses ao longo da vida.
O levantamento revela disparidades discrepantes entre os municípios. A cidade de Adelândia, em Goiás, liderou o ranking com a melhor média de vacinação do país, superando a marca de 100%. Por outro lado, o município de Serra Azul, em São Paulo, figurou na última posição nacional, registrando uma média acumulada de apenas 6,78% — quase 90% abaixo do patamar recomendado. O mês de fevereiro foi consolidado como o pior período para a imunização no Brasil em 2026, com média nacional de 82,70%.
Entre as capitais, Curitiba (PR) destacou-se positivamente com a melhor média acumulada, permanecendo acima de 95% ao longo do ano. Em contrapartida, Belém (PA) registrou o menor índice entre as capitais brasileiras, com cobertura de 79,29%.
A estagnação na segunda dose da tríplice viral reflete um gargalo amplo que atinge outros imunizantes no país, como a febre amarela (77,80%), o reforço da febre amarela (76,33%) e a segunda dose da varicela (79,00%). O indicador de cobertura da segunda dose da tríplice viral encontra maior sucesso em Buriti de Goiás (GO), cidade com a maior taxa do país, enquanto Capela de Santana (RS) ocupa o patamar oposto, com irrisórios 1,98%.
O problema da baixa adesão à segunda dose é histórico. Entre 2015 e 2026, o maior índice nacional médio registrado foi de 81,55%, em 2019. Durante a pandemia de Covid-19, a cobertura sofreu uma queda vertiginosa, atingindo a marca mínima histórica de 53,20% em 2021.
No cenário continental, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) confirma que Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram mais de 95% dos casos de sarampo das Américas. Embora o Brasil permaneça livre da circulação endêmica do vírus, o país segue registrando ocorrências esporádicas.
Até o dia 5 de outubro, foram contabilizados 52 casos importados do patógeno no território brasileiro, sendo 41 no estado de São Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro, sem registro de mortes. A capital paulista concentrou a maioria das infecções, com 37 pacientes. A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo alertou que, dos 41 infectados no estado, 37 pessoas (90,2%) não tinham sido vacinadas ou apresentavam o esquema vacinal incompleto. Entre 2023 e 2025, o trabalho de vacinação havia reduzido expressivamente o avanço da doença no país, somando apenas 43 infecções confirmadas e nenhum óbito no período.
Fonte: Brasil 247