Quase 100 mil pessoas são deslocadas em meio à escalada dos combates no Sudão
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Quase 100 mil pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas desde janeiro no estado de Nilo Azul, no sudeste do Sudão, em meio à intensificação dos combates no país. Crianças representam quase metade da população deslocada.
Segundo informações divulgadas pelo Human Online, com base em dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), 99.277 pessoas, pertencentes a 19.497 famílias, foram deslocadas de diferentes áreas de Nilo Azul entre 11 de janeiro e 23 de agosto de 2026.
O número representa um aumento de 66% em relação ao levantamento anterior da OIM, de 21 de maio, quando haviam sido contabilizados 59.742 deslocados.
A dimensão do impacto sobre crianças é um dos aspectos mais graves da crise: 47% das pessoas obrigadas a deixar suas casas têm menos de 18 anos. Mulheres e meninas representam 56% do total.
Três regiões concentram deslocamentos
Os deslocamentos estão fortemente concentrados em três áreas de Nilo Azul.
Geissan registrou 39.570 pessoas deslocadas, enquanto Al Kurmuk teve 32.515 e Bau, 27.192.
As famílias buscaram abrigo em sete diferentes localidades dentro do próprio estado.
Damazin, capital de Nilo Azul, recebeu o maior contingente, com 45.740 pessoas. Geissan aparece em seguida, com 15.735.
Bau recebeu 12.687 deslocados, Wad Al Mahi, 11.685, e Ar Rusayris, 11.060. Al Kurmuk recebeu 1.385 pessoas e At Tadamon, 985.
Maioria vive em abrigos informais
As condições enfrentadas pela população deslocada ampliam a dimensão da emergência humanitária.
Segundo a OIM, 58% dos novos deslocados estão vivendo em locais informais de reunião e acolhimento.
Outros 33% foram recebidos por famílias anfitriãs, enquanto 9% estão alojados em escolas e outros edifícios públicos.
A concentração de dezenas de milhares de pessoas em estruturas improvisadas aumenta a pressão sobre água, alimentos, saneamento, serviços médicos e demais recursos básicos.
A situação é particularmente delicada diante da elevada proporção de crianças entre os deslocados.
Combates voltam a se intensificar
A deterioração da situação humanitária acompanha a intensificação dos combates em Nilo Azul.
A região voltou a registrar confrontos envolvendo as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido, conhecidas pela sigla em inglês RSF, além de forças aliadas.
No fim de agosto, as RSF e forças do Movimento Popular de Libertação do Sudão-Norte lançaram ataques contra posições das Forças Armadas Sudanesas em áreas de Geissan e Al Kurmuk.
A escalada transformou Nilo Azul novamente em uma frente ativa do conflito sudanês e provocou novos movimentos de população em busca de segurança.
Guerra começou em abril de 2023
O Sudão está mergulhado em guerra desde abril de 2023, quando explodiu o confronto entre as Forças Armadas Sudanesas e as RSF.
A disputa ocorreu após o agravamento das divergências sobre a transição política do país e, especialmente, sobre como e quando as forças paramilitares seriam integradas às Forças Armadas.
O conflito rapidamente se espalhou para diferentes regiões.
Desde então, dezenas de milhares de pessoas morreram, cidades foram destruídas e milhões de sudaneses foram obrigados a abandonar suas casas.
A guerra também provocou colapso de serviços públicos, insegurança alimentar e dificuldades crescentes para a atuação de organizações humanitárias.
Milhões permanecem fora de suas casas
A dimensão nacional da crise permanece extraordinária.
Dados recentes da OIM mostram que quase 9 milhões de pessoas continuam deslocadas internamente no Sudão, apesar do retorno de milhões de habitantes a suas regiões de origem ao longo dos últimos meses.
O país continua registrando novos deslocamentos provocados pelos combates, inclusive em Nilo Azul, Darfur e Kordofan.
O caso de Nilo Azul mostra como a geografia da guerra continua mudando mesmo depois de mais de três anos de conflito.
Crianças no centro da crise
Os 99.277 novos deslocamentos registrados em Nilo Azul representam mais do que uma estatística sobre os movimentos da guerra.
Com 47% desse contingente formado por menores de 18 anos, dezenas de milhares de crianças foram retiradas de suas comunidades e passaram a depender de estruturas improvisadas, famílias anfitriãs ou prédios públicos.
A rápida expansão do deslocamento — 66% desde o levantamento de maio — também mostra como mudanças na situação militar podem produzir consequências humanitárias em poucas semanas.
Enquanto os confrontos entre as forças rivais persistem, a população civil permanece submetida ao principal custo da guerra: perda de vidas, destruição de comunidades e deslocamentos sucessivos em busca de segurança.
Fonte: Brasil 247