Quando o Brasil começou a usar urna eletrônica?

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Por Marcelo Fischer — Canaltech

A ideia de substituir a votação em papel por uma máquina eletrônica começou a ganhar forma no Brasil antes de o equipamento chegar às seções eleitorais. A Justiça Eleitoral passou por uma etapa de informatização do cadastro de eleitores, depois começou a processar resultados eletronicamente e, na década de 1990, passou a trabalhar em uma máquina dedicada ao registro dos votos.

A informatização da Justiça Eleitoral começou em 1986, quando cerca de 70 milhões de eleitores foram incluídos em um cadastro eletrônico nacional. Em 1994, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fez pela primeira vez a totalização das eleições gerais usando um computador central.

O projeto específico da urna eletrônica começou no ano seguinte.

urna eletrônica TSE 3

Como surgiu a primeira urna brasileira

Em 1995, durante a gestão do ministro Carlos Velloso no TSE, uma comissão técnica foi formada para desenvolver uma máquina capaz de registrar os votos. O grupo contou com pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e especialistas em informática, eletrônica e comunicações ligados a diferentes órgãos públicos.

O primeiro nome do equipamento era Coletor Eletrônico de Votos (CEV). Entre as premissas do projeto estavam a redução da intervenção humana na apuração e na totalização dos resultados e a preservação do sigilo do voto.

A tecnologia começou a ser desenvolvida pensando em um equipamento dedicado à eleição, em vez de simplesmente adaptar um computador convencional. O eleitor utilizaria um teclado numérico para informar o número do candidato ou partido, enquanto os dados seriam armazenados eletronicamente.

O Brasil, porém, já havia realizado experiências anteriores. Em 1989, eleitores de Brusque, em Santa Catarina, participaram de um teste que permitia votar por meio de um computador. O episódio fez parte de uma sequência de tentativas que antecedeu o desenvolvimento da urna criada pela Justiça Eleitoral.

Urna de 1996 era bem diferente da atual

A primeira geração da urna eletrônica recebeu o nome UE96 e tinha especificações bastante modestas para os padrões atuais.

O equipamento utilizava um processador Intel 386SX de 40 MHz, apenas 2 MB de memória RAM e dois disquetes de 1,44 MB para armazenamento. O teclado numérico tinha disposição semelhante à de um telefone.

A UE96 também tinha uma impressora matricial. Naquele modelo, os votos digitados eram impressos e depositados em um recipiente acoplado ao equipamento, embora o eleitor não visualizasse esse registro. A impressão servia como uma forma de permitir uma eventual conferência posterior dos votos registrados eletronicamente.

A tecnologia foi utilizada pela primeira vez em uma eleição oficial em 1996. A votação eletrônica chegou a 57 cidades, incluindo as 26 capitais dos estados, além de municípios com mais de 200 mil eleitores. Mais de 32 milhões de brasileiros, cerca de um terço do eleitorado da época, votaram por meio das novas máquinas.

ue96 urna eletrônica TSE

A implantação ainda era parcial. Em 1998, a votação eletrônica alcançou 537 municípios e aproximadamente 58% do eleitorado. O salto definitivo aconteceu nas eleições municipais de 2000, quando todas as seções eleitorais passaram a utilizar o sistema eletrônico. Foram 353.780 urnas para um eleitorado de aproximadamente 109,8 milhões de pessoas.

Desde então, a urna passou por diversas gerações de hardware. A UE98, por exemplo, abandonou os disquetes em favor de cartões de memória flash, enquanto modelos posteriores incorporaram novos componentes, recursos de acessibilidade, identificação biométrica e outras mudanças.

Assim, 1996 marca o início do uso da urna eletrônica brasileira em eleições oficiais, enquanto 2000 representa a conclusão da expansão para todo o eleitorado. A tecnologia atual é resultado de uma evolução iniciada anos antes, quando a Justiça Eleitoral começou a informatizar outras etapas do processo eleitoral.

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Fonte: Canaltech

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