Produção industrial recua 0,6% em agosto e intensifica perdas no confronto interanual

0

Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – A produção industrial brasileira registrou uma queda de 0,6% no mês de agosto de 2026 em comparação com julho, interrompendo a reação positiva pontual de 0,1% observada no mês anterior e devolvendo o ritmo de retração após ter acumulado dois meses de perdas anteriores. Na comparação direta com o mesmo mês do ano passado, agosto de 2025, o setor industrial teve uma retração de 1,2%, intensificando o resultado negativo verificado em julho de 2026 (-0,5%), ocasião em que havia quebrado uma sequência de quatro meses de taxas positivas. Apesar dos recuos recentes, o indicador acumulado no ano apontou uma expansão de 0,8%, enquanto o indicador referente aos últimos 12 meses registrou um avanço de 0,6%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na transição de julho para agosto, a retração na atividade produtiva estendeu-se a todas as quatro grandes categorias econômicas e atingiu 16 dos 25 ramos industriais levantados na pesquisa. Entre as atividades, as maiores pressões negativas do mês foram exercidas pela fabricação de produtos do fumo (-23,4%), que interrompeu uma sequência de quatro meses de alta na qual acumulara 32,5% de ganho; pelo setor de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,5%), anulando o crescimento de 3,0% alcançado em julho; e pelas indústrias extrativas (-0,7%), que assinalaram o quarto mês consecutivo de perdas, somando uma queda acumulada de 4,7% nesse período.

Outros impactos negativos relevantes na passagem mensal do setor industrial vieram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-4,0%), produtos de borracha e de material plástico (-1,8%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-3,3%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-0,4%), produtos de metal (-1,6%) e outros equipamentos de transporte (-2,9%).

Em contrapartida, entre os nove segmentos que apresentaram alta na produção em agosto de 2026, a fabricação de produtos alimentícios (1,0%) destacou-se como a principal influência positiva na média geral, atingindo o segundo mês seguido de crescimento e acumulando ganho de 2,2% no período. Também se sobressaíram as contribuições vindas dos setores de produtos diversos (8,4%), de produtos químicos (0,9%) e de metalurgia (0,8%).

No recorte por grandes categorias econômicas em relação a julho, as maiores reduções de agosto foram observadas em bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%) e bens de consumo duráveis (-1,0%). A primeira categoria eliminou o ganho de 0,2% conquistado em julho — que havia interrompido três meses seguidos de queda com perda acumulada de 5,4% —, enquanto a segunda devolveu parte da expansão de 3,4% anotada no mês anterior. Paralelamente, os setores de bens de capital (-0,6%) e de bens intermediários (-0,2%) também declinaram; bens de capital voltaram a recuar após subirem 1,0% em julho, enquanto bens intermediários acumularam perda de 2,3% ao longo de quatro meses consecutivos de retração.

Em relação à média móvel trimestral, a produção caiu 0,7% no trimestre encerrado em agosto na comparação com o trimestre finalizado em julho. Entre as grandes categorias econômicas, a retração mais forte no trimestre veio de bens de consumo semi e não duráveis (-1,6%), mantendo a trajetória de queda iniciada em abril de 2026. Os segmentos de bens intermediários (-0,5%), bens de consumo duráveis (-0,3%) e bens de capital (-0,3%) igualmente fecharam o período no campo negativo.

No confronto interanual, isto é, de agosto de 2026 contra agosto de 2025, a queda de 1,2% da indústria geral contou com retratamento em duas das quatro grandes categorias econômicas, em 17 dos 25 ramos, em 48 dos 80 grupos e em 54,2% dos 789 produtos analisados. Cabe destacar que agosto de 2026 contou com 21 dias úteis, exatamente a mesma quantidade registrada em agosto do ano anterior.

Nesta comparação com o mesmo mês de 2025, as atividades com maiores impactos negativos sobre o resultado total foram produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-22,3%), máquinas e equipamentos (-8,0%) e produtos químicos (-3,8%). Outros recuos expressivos ocorreram nos ramos de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-10,6%), produtos alimentícios (-1,0%), produtos de borracha e de material plástico (-4,6%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,0%), produtos diversos (-11,6%), impressão e reprodução de gravações (-18,0%), produtos do fumo (-19,6%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-5,5%).

Por outro lado, entre os oito setores com expansão no indicador interanual, veículos automotores, reboques e carrocerias (6,6%) e indústrias extrativas (2,4%) sobressaíram-se como as principais forças de sustentação do índice. Destacaram-se ainda as contribuições de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (9,1%), metalurgia (3,7%), bebidas (4,4%) e produtos de madeira (11,3%).

Analisando o comportamento das grandes categorias econômicas na comparação com agosto de 2025, bens de consumo semi e não duráveis (-4,5%) e bens de capital (-4,1%) anotaram as piores perdas. Do lado oposto, bens intermediários (0,1%) e bens de consumo duráveis (2,8%) conseguiram fechar no terreno positivo.

A retração de 4,5% na produção de bens de consumo semi e não duráveis foi o tombo mais profundo registrado pelo setor desde agosto de 2025 (-4,8%). Essa queda foi puxada essencialmente pelos grupamentos de não duráveis (-12,7%) e de semiduráveis (-7,2%). O primeiro foi pressionado pelo recuo na fabricação de medicamentos, cigarros, revistas periódicas impressas sob encomenda e vacinas; o segundo foi afetado pela diminuição de itens como blusas, camisas e semelhantes (de malha ou não), conjuntos de uso feminino (de malha ou não), vestidos (de malha ou não), calçados esportivos de couro, artigos do vestuário para uso adulto, bermudas, jardineiras, shorts e semelhantes (de malha ou não), calças compridas (de malha ou não), calçados masculinos de couro e de material sintético, discos de vídeo (DVD), colchões, roupas de cama e brinquedos.

Também no segmento de bens de consumo semi e não duráveis ocorreram recuos em alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (-1,0%), carburantes (-1,9%) e alimentos e bebidas básicos para consumo doméstico (-29,8%). Esses recuos derivaram da menor fabricação de carnes de bovinos congeladas, frescas ou refrigeradas, alimentos à base de milho ou de flocos de milho prontos para consumo, açúcar refinado, sucos concentrados de laranja, pães, margarina, extrato, purês e polpas de tomate, complementos alimentares, suplementos vitamínicos e minerais, leite esterilizado/UHT/longa vida e produtos embutidos ou de salamaria e outras preparações de carnes de aves, no primeiro item; da menor produção de gasolina automotiva, no segundo; e da retração em filés e outras carnes de peixes frescos, refrigerados ou congelados, no terceiro.

O setor produtor de bens de capital, ao encolher 4,1% na comparação anual em agosto de 2026, amargou o quinto mês seguido de queda: julho (-4,6%), junho (-2,3%), maio (-7,2%) e abril (-5,0%). Esse desempenho decorreu, majoritariamente, da retração de 36,5% no grupamento de bens de capital agrícolas, com quedas fortes em tratores agrícolas, máquinas para colheita, máquinas para limpeza e seleção de grãos, máquinas e aparelhos para projetar ou pulverizar para uso agrícola e secadores para produtos agrícolas. Houve ainda impacto negativo vindo de bens de capital de uso misto (-13,2%) e para fins industriais (-0,6%). Em contrapartida, registraram expansão os subsetores de bens de capital para energia elétrica (8,5%), para equipamentos de transporte (2,2%) e para construção (0,8%).

No segmento de bens intermediários, que subiu 0,1% e anotou seu oitavo mês seguido de crescimento na comparação anual — ainda que na menor taxa do período —, a alta refletiu o avanço nas indústrias extrativas (2,4%), veículos automotores, reboques e carrocerias (6,4%), metalurgia (3,7%), produtos alimentícios (0,6%) e produtos de minerais não metálicos (1,0%). Já as quedas na categoria vieram de produtos químicos (-6,4%), produtos de borracha e de material plástico (-5,0%), produtos de metal (-3,1%), produtos têxteis (-4,9%), celulose, papel e produtos de papel (-1,9%), coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (-0,4%) e máquinas e equipamentos (-1,2%). Tiveram saldo negativo também os grupamentos de insumos típicos para a construção civil (-1,6%), interrompendo dois meses de alta, e de embalagens (-0,7%), que recuou pelo segundo mês consecutivo.

A expansão de 2,8% registrada por bens de consumo duráveis representou a quarta taxa positiva consecutiva da categoria no indicador interanual, sucedendo os resultados de julho (4,7%), junho (5,5%) e maio (1,6%). O avanço de agosto foi alavancado pela maior fabricação de automóveis (6,8%), além do desempenho de motocicletas (7,9%), de outros eletrodomésticos (32,2%) e de eletrodomésticos da “linha branca” (3,5%). Por outro lado, registraram quedas os eletrodomésticos da “linha marrom” (-1,9%) e o setor de móveis (-0,9%).

No resultado acumulado entre janeiro e agosto de 2026, a indústria nacional apresentou crescimento de 0,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, com avanços em duas das quatro grandes categorias econômicas, 11 dos 25 ramos, 33 dos 80 grupos e 42,3% dos 789 produtos investigados.

As maiores influências positivas no acumulado do ano vieram das indústrias extrativas (6,1%), de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (3,1%) e de veículos automotores, reboques e carrocerias (5,8%). Esse crescimento foi impulsionado pela maior fabricação de óleos brutos de petróleo, minérios de ferro pelotizados ou sinterizados e gás natural, no primeiro setor; álcool etílico, óleo diesel, querosenes de aviação e naftas, no segundo; e automóveis, autopeças e veículos para transporte de mercadorias, no terceiro. Destacaram-se ainda as altas em bebidas (2,3%) e metalurgia (1,1%).

Entre as 14 atividades que apresentaram recuo no acumulado de janeiro a agosto de 2026 frente a 2025, os maiores impactos na média industrial vieram de máquinas e equipamentos (-7,8%) e de produtos químicos (-3,5%). O desempenho negativo de máquinas e equipamentos foi ditado pela menor produção de aparelhos de ar-condicionado de paredes, de janelas ou transportáveis (inclusive o tipo “split system”), máquinas para colheita, máquinas ou aparelhos para o setor agrícola, tratores agrícolas, bombas centrífugas, aparelhos elevadores ou transportadores para mercadorias, válvulas de expansão, segurança, retenção e redutoras de pressão, secadores para produtos agrícolas, silos metálicos para cereais, semeadores, plantadeiras ou adubadores e ventiladores e coifas (exaustores) para uso industrial. Em produtos químicos, a retração decorreu de fertilizantes químicos das fórmulas NPK, superfosfatos, desodorantes, raticidas e outros defensivos agrícolas, cloretos de potássio, tintas e vernizes para construção, fungicidas para uso na agricultura e inseticidas para usos agrícola, doméstico e industrial.

Também registraram retração no acumulado do ano as áreas de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-7,3%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-4,8%), produtos de metal (-2,8%), artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-4,7%), celulose, papel e produtos de papel (-1,8%) e produtos têxteis (-4,2%).

No quadro das grandes categorias econômicas para os oito primeiros meses de 2026, o maior dinamismo acumulado coube aos segmentos de bens de consumo duráveis (2,1%) e de bens intermediários (1,6%), estimulados pela fabricação de automóveis (9,1%) e eletrodomésticos da “linha branca” (6,2%), no primeiro caso, e por óleos brutos de petróleo, minérios de ferro pelotizados ou sinterizados, óleo diesel, gás natural, autopeças e querosenes de aviação, no segundo. O setor de bens de consumo semi e não duráveis registrou estabilidade (0,0%), mantendo o nível de produção verificado no mesmo intervalo de 2025. Já bens de capital (-5,3%) apresentou a única taxa negativa acumulada no período de janeiro a agosto de 2026, afetado pelas perdas em bens de capital agrícolas (-22,8%), de uso misto (-16,6%) e para fins industriais (-2,5%).

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *