Produção cultural: emancipação social, desenvolvimento econômico e a batalha pela soberania da classe trabalhadora
Por José Evangelista Rios da Silva — Brasil 247
Introdução: A Cultura sob a Ótica do Materialismo Histórico-Dialético e da Paralaxe Classista
A emergência do manifesto subscrito por centenas de artistas, intelectuais, produtores e trabalhadores do setor cultural em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, combinado a uma contundente exigência de reorientação estrutural da política pública para o setor, oferece um campo analítico privilegiado para o exame da luta de classes na atual conjuntura brasileira. Sob o instrumental do materialismo histórico-dialético e a categoria da paralaxe classista, o fenômeno transcende a imediatez de um documento de campanha eleitoral e revela contradições mais profundas da formação socioeconômica do país.
A paralaxe classista — enquanto fratura epistêmica que desmonta a aparência unificada e idílica da ideologia dominante — expõe o fosso existente entre duas concepções antagônicas sobre o papel da cultura:
A concepção burguesa/liberal: Trata a produção cultural como mera mercadoria de consumo, filantropia institucional, nicho de mercado ou mecanismo assistencialista restrito à distribuição periódica de editais e fomento fragmentário;
A concepção classista/materialista: Compreende a cultura como trabalho material e imaterial socialmente produtivo, força de coesão comunitária e componente decisivo da infraestrutura econômica nacional, vinculada à soberania popular, à reindustrialização do país e à emancipação das classes subalternas.
A adesão de mais de seiscentas figuras exponenciais da arte nacional — de nomes como Glória Pires, Chico César, Patrícia Pillar, Caio Blat, Irene Ravache, Arnaldo Antunes a pensadores e formuladores como Fernando Morais e Rosana Paulino — formaliza uma dialética madura: consolida uma barricada intransigente contra a regressão neofascista representada pela extrema-direita e pelo capital rentista, mas recusa peremptoriamente a capitulação burocrática, exigindo que o Ministério da Cultura (MinC) abandone o papel de mero balcão repassador de incentivos para assumir a condição de agente estratégico de soberania, política industrial e geração de riqueza e emprego digno.
- A Determinação Econômico-Social: O Trabalho Cultural contra a Lógica do Rentismo
A análise materialista do setor cultural exige situar a cadeia produtiva das artes no interior da economia política contemporânea. A cultura não paira no éter da espiritualidade abstrata; ela mobiliza trabalhadores da técnica, montadores, contra-regras, iluminadores, operários têxteis, cenotécnicos, músicos, atores, escritores, designers, cineastas e a imensa malha da cultura popular nos terreiros, praças e periferias urbanas.
O manifesto dos trabalhadores da cultura toca na contradição central da gestão pública: a redução da política cultural à dispersão fragmentária de editais e fomento emergencial.
Embora leis estruturantes de emergência e recomposição financeira tenham garantido oxigênio material pós-desmonte bolsonarista, limitar a atuação do Estado a essa dimensão cristaliza uma lógica compensatória típica do neoliberalismo de terceira via. Na visão do capital financeiro, o fomento fragmentado opera como uma esmola controlada que mantém a dependência da classe trabalhadora da cultura em relação a prazos burocráticos, editais concorrenciais e restrições de mercado, enquanto as plataformas digitais transnacionais (as grandes empresas de tecnologia e os conglomerados globais de streaming) capturam e drenam a mais-valia do produto cultural nacional sem tributação equitativa nem contrapartida no território.
Por isso, a cobrança do setor cultural por um papel indutor na reindustrialização e no desenvolvimento nacional conecta-se diretamente com a luta contra o parasitismo financeiro:
Economia Criativa como Força Produtiva: O setor audiovisual, a indústria editorial, a música independente e o patrimônio histórico e turístico movimentam frações significativas do Produto Interno Bruto e respondem por milhões de ocupações que não podem permanecer submetidas à precarização crônica, à ausência de previdência social e à perda de direitos trabalhistas;
Soberania Científica e Tecnológica: A defesa dos direitos autorais de artistas e criadores perante a voracidade dos modelos de inteligência artificial generativa — tema levado com vigor pelo presidente Lula à abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU — coloca o Brasil na vanguarda do enfrentamento à tecnooligarquia internacional;
A Indústria do Conhecimento: Reestruturar o Ministério da Cultura significa integrá-lo organicamente ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), ao BNDES, à Finep e ao Ministério do Trabalho e Emprego, constituindo arranjos produtivos locais soberanos e financiamento de longo prazo que libertem os criadores da dependência da chantagem mercadológica.
- A Matriz Situacional (PESC-MAPP): Vetores de Capacidade e Possibilidade
À luz do Planejamento Estratégico Situacional (PESC-MAPP) formulado por Carlos Matus, a conjuntura de reta final das eleições de 2026 exige mapear com precisão os vetores que operam sobre o campo de forças políticas e sociais:
[Vetor 1: Vetor de Capacidade Político-Moral e Hegemonia Cultural]
A mobilização espontânea e progressiva do meio artístico atua como um desintegrador do terrorismo ideológico da extrema-direita. A cultura é a trincheira de resistência subjetiva onde a linguagem do ódio, da intolerância religiosa e do obscurantismo perde capacidade de cooptação. Ao romper o silêncio e ocupar o debate público, os criadores populares e de massas legitimam a soberania popular, desmoralizam as falsas pesquisas da reação e constroem um dique ético em defesa da democracia.
[Vetor 2: Vetor de Possibilidade Econômica e Redistributiva]
A recuperação das finanças públicas federais e a retomada dos bancos públicos de fomento (BNDES, Caixa, Banco do Brasil) criam as condições materiais objetivas para que o MinC dê um salto de escala. Existe a possibilidade concreta de financiar a infraestrutura de teatros públicos, estúdios comunitários, centros de produção digital e a rede do Cultura Viva em todos os municípios brasileiros, transformando a cadeia cultural em polo de absorção de mão de obra jovem e combate à ociosidade forçada nas periferias.
[Vetor 3: Vetor de Enraizamento Territorial e Sindical Classista]
A conexão entre os sindicatos de artistas e técnicos (SATEDs), as associações de músicos, os movimentos de cultura periférica (slams, hip-hop, cultura popular tradicional) e a Federação Brasil da Esperança assegura a organicidade territorial da luta. Na Bahia e no Sudeste, essa força expressa-se na aliança direta com mandatos classistas que colocam o trabalho, a igualdade racial e a educação no centro da ação parlamentar — a exemplo de referências como Olívia Santana, Alice Portugal e Daniel Almeida na Bahia, e representações de base nos centros urbanos de São Paulo e do Rio de Janeiro.
[Vetor 4: Vetor de Crítica Interna e Amadurecimento Estratégico]
Diferente da adesão cega e acrítica praticada pelo rebanho neofascista em torno do clã bolsonarista, a mobilização da esquerda cultural demonstra amadurecimento dialético: apoia o projeto anti-imperialista e popular encabeçado por Lula, mas atua como força viva de pressão social e correção de rumos para exigir um segundo mandato com perfil desenvolvimentista, radicalmente democrático e avesso a burocratismos inoperantes.
- A Dinâmica dos Cenários e Tendências até Quatro de Outubro
A aplicação do Processo de Análise e Intervenção Dinâmica (PAID-MAPE) permite delinear a evolução da conjuntura eleitoral nos últimos dias que antecedem a abertura das urnas:
┌────────────────────────────────────────────────────────────────────────┐│ EVOLUÇÃO DOS CENÁRIOS E TENDÊNCIAS POLÍTICAS │├───────────────────────────────────┬────────────────────────────────────┤│ CENÁRIO RETRÓGRADO / PESSIMISTA│ CENÁRIO TRANSFORMADOR / OTIMISTA│├───────────────────────────────────┼────────────────────────────────────┤│ • A vitória eleitoral se restringe│ • Vitória consolidada no 1º turno ││ ao Poder Executivo com um Con- │ com ampla bancada da Federação ││ gresso refém do Centrão rentista│ Brasil da Esperança no Congresso ││ • O MinC permanece atado à lógica │ • Reformulação estrutural do MinC: ││ estrita de fomento e editais │ integração à política industrial ││ compensatórios de curto prazo │ e fomento como direito ao trabalho││ • Prevalência do terrorismo algorí│ • Regulamentação pública soberana ││ tmico e asfixia da soberania │ das plataformas e valorização ││ digital dos criadores nacionais │ dos direitos autorais do trabalho│└───────────────────────────────────┴────────────────────────────────────┘
A Tendência Imediata de Curto Prazo (Até 4 de Outubro): A incorporação ativa da pauta dos trabalhadores da cultura intensifica a curva ascendente da candidatura Lula nas capitais e grandes centros metropolitanos. A pauta do Fim da Escala 6×1 (jornada de 40 horas sem redução salarial) e a proibição das apostas predatórias virtuais (bets) unificam os anseios da juventude trabalhadora e da classe artística, consolidando o terreno para a definição do pleito no primeiro turno;
A Tendência Estratégica de Médio Prazo (Pós-Eleição): A cobrança qualificada manifestada pela classe artística indica que o futuro governo enfrentará uma base social mobilizada e atenta. A governabilidade não poderá ser negociada à custa do esvaziamento das políticas de transformação estrutural; exigirá do Poder Executivo o fortalecimento de canais de democracia participativa e a execução de uma política industrial de soberania cultural.
- A Síntese do PAID-MAPE: O Imperativo do Voto Casado para a Vitória Completa
O Processo de Análise e Intervenção Dinâmica adverte que qualquer reivindicação programática — seja a reforma do Ministério da Cultura, a reindustrialização do audiovisual, a valorização dos trabalhadores das artes ou a aprovação da redução da jornada de trabalho — tombará no vazio se a correlação de forças no interior do aparelho estatal for dominada pela bancada do atraso [source: 2].
A formulação pedagógica cunhada pelo ministro Rui Costa atinge sua máxima indispensabilidade: Lula é o timoneiro encarregado de apontar a rota soberana da Pátria; o Congresso Nacional são os remadores [source: 2].
Eleger o presidente Lula e simultaneamente dispersar o voto para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal em prepostos do agronegócio predatório, lobistas das grandes empresas de tecnologia ou parlamentares financiados pela usura rentista equivale a colocar sabotadores no convés da embarcação [source: 2]. Serão esses deputados e senadores da direita que tentarão:
Asfixiar o orçamento federal da cultura e da ciência;
Bloquear marcos regulatórios de proteção aos direitos autorais na inteligência artificial e na internet;
Sabotar a PEC do Fim da Escala 6×1 e a elevação real dos salários;
Desviar os recursos da educação e da saúde para orçamentos secretos corporativos [source: 2].
Portanto, a ordem de marcha da coluna De Olho no Voto do Blog REINTEGRAR-SER para a vanguarda militante e para a classe trabalhadora é taxativa, unitária e inegociável:
LULA 13 PRESIDENTE para reafirmar a soberania nacional, garantir a liberdade de criação e reconstruir o Estado indutor do desenvolvimento humano;
GOVERNADORES E GOVERNADORAS DO CAMPO DEMOCRÁTICO para assegurar a convivência cidadã e a expansão da cultura nos territórios estaduais;
VOTO CASADO NA BANCADA: Preencher integralmente as duas vagas do Senado Federal e a cédula de Deputado Federal com a chapa de luta da Federação Brasil da Esperança (PT • PCdoB • PV) e as forças leais da esquerda popular!
A cultura é a alma da soberania e a arma mais poderosa da consciência de classe [source: 2].
No dia 4 de outubro de 2026, com o manifesto dos artistas unindo-se à marcha do operariado, a classe trabalhadora brasileira transformará a sua voz em poder soberano nas urnas, consagrando uma vitória histórica da democracia, do trabalho e da esperança!
Fonte: Brasil 247