Pressão interna divide MDB sobre apoio a Flávio Bolsonaro; Baleia Rossi prefere neutralidade
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – Dirigentes e congressistas do MDB das regiões Sul, Sudeste e Norte do país aumentaram a pressão sobre o presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, para que o partido formalize a adesão à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), repetindo o movimento já realizado por legendas como União Brasil, Progressistas (PP) e Republicanos. Apesar da investida dos correligionários, Baleia Rossi vem resistindo à iniciativa até o momento, informa a Folha de São Paulo.
A ofensiva em prol do alinhamento ao parlamentar do PL é liderada pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, responsável por gerir o maior orçamento público sob o comando do MDB. Na terça-feira (6), Nunes telefonou ao comando partidário para cobrar a declaração oficial. De acordo com os cálculos apresentados pelo prefeito paulistano, as lideranças estaduais de ao menos 15 das 27 unidades da Federação — grupo que inclui diretórios relevantes como os do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pará — defendem abertamente que a agremiação formalize a aliança.
Paralelamente à pressão da ala conservadora, o MDB abriga uma corrente associada ao presidente Lula (PT) que rejeita o embarque na candidatura da oposição e sustenta a manutenção da neutralidade institucional na disputa.
Em São Paulo, a estrutura comandada por Ricardo Nunes já atua diretamente em benefício da campanha bolsonarista, com a organização de agendas políticas e a mobilização de militantes partidários. Conforme relatam assessores sob condição de reserva, existe a perspectiva de que o prefeito venha a integrar um futuro ministério em caso de vitória do filho de Jair Bolsonaro (PL), considerando que seu mandato na capital paulista se encerra em 2028 e ele está impossibilitado de disputar a reeleição.
O movimento para atrair o MDB envolve também articuladores externos à legenda. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado próximo da bancada emedebista paulista, também fez contato telefônico com Baleia Rossi na terça-feira para defender o apoio. Tarcísio consolida uma relação estreita com a sigla desde o acordo eleitoral na capital e atuou pessoalmente na migração de seu vice-governador, Felicio Ramuth, para os quadros do MDB, ocorrida após o desgaste das relações com o presidente do PSD, Gilberto Kassab.
Apesar da intensificação das cobranças, interlocutores próximos ao presidente nacional do MDB avaliam que uma formalização de apoio teria impacto pragmático reduzido. O gesto institucional não altera a distribuição de horário gratuito de rádio e televisão e a conduta nos estados já ocorre de forma descentralizada, com os quadros regionais livremente engajados na campanha sem mediação da direção nacional.
Diante disso, a tendência apontada nos bastidores da sigla é a adoção de um modelo similar ao adotado pelo PSD. Naquela legenda, enquanto o ex-governador Ronaldo Caiado — derrotado na etapa inicial do pleito — formalizou apoio a Flávio Bolsonaro em ato político em Goiás, a direção nacional manteve postura diversa. Em declaração, Gilberto Kassab ressaltou que a candidatura própria lançada pelo PSD visava apresentar um projeto distinto do bolsonarismo e que a orientação final do partido foi a liberação de seus filiados para escolherem seus caminhos na disputa.
Enquanto o MDB debate sua posição, a candidatura de Flávio Bolsonaro já contabiliza o apoio formal de agremiações como PP, União Brasil, Republicanos e Novo, projetando ainda a conclusão das negociações para a adesão do Podemos até o encerramento desta semana.
Fonte: Brasil 247