Presidente sul-africano propõe no BRICS indústria forte para ampliar autonomia do Sul Global

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Por José ReinaldoBrasil 247

247 – O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, defendeu que o BRICS intensifique os investimentos em indústria, tecnologia, energia, infraestrutura e logística para ampliar a autonomia econômica do Sul Global. Segundo ele, o avanço dessas áreas permitiria construir economias mais diversificadas, inclusivas e preparadas para enfrentar crises internacionais.

A manifestação ocorreu nesta sexta-feira (12), durante o Diálogo de Líderes do Fórum Empresarial do BRICS, realizado paralelamente à 18ª Cúpula de Líderes do bloco, em Nova Déli. As informações foram divulgadas pela agência de notícias Xinhua, com base em comunicado da Presidência sul-africana.

Ramaphosa afirmou que os países em desenvolvimento precisam superar a posição histórica de simples fornecedores de matérias-primas. Para isso, defendeu o aprofundamento das relações produtivas entre os integrantes do BRICS ampliado, com maior agregação de valor aos recursos explorados nessas economias.

“Para nós, esta é uma oportunidade de moldar um futuro econômico mais resiliente, diversificado e inclusivo para o Sul Global”, declarou o presidente sul-africano.

A proposta apresentada por Ramaphosa prevê a concentração de investimentos em manufatura, beneficiamento de matérias-primas, tecnologias industriais, sistemas energéticos, infraestrutura e redes logísticas. A estratégia busca manter uma parcela maior da riqueza gerada pelas cadeias produtivas nos próprios países em desenvolvimento.

Na avaliação do presidente, empresas interessadas nos mercados do BRICS não devem limitar suas operações à venda de produtos e serviços. Ele defendeu a instalação de unidades de produção, a transferência de capacidades industriais e a formação de estruturas locais que favoreçam a criação de empregos e o desenvolvimento tecnológico.

A iniciativa também pretende fortalecer a integração econômica entre os membros do grupo. Com cadeias produtivas compartilhadas, os países poderiam reduzir a dependência de centros industriais externos e ampliar o comércio de bens com maior valor agregado.

Ramaphosa observou que a economia mundial enfrentou fortes turbulências nos últimos anos. Nesse cenário, afirmou que resiliência não significa apenas resistir aos efeitos de crises, mas aproveitar as mudanças para desenvolver novas capacidades e construir parcerias econômicas.

O presidente também cobrou atuação mais prática do Conselho Empresarial do BRICS. Para ele, o órgão não deve funcionar somente como espaço de consultas entre governos e companhias, mas assumir um papel efetivo na criação de negócios, investimentos conjuntos e projetos produtivos.

“A questão já não é se existe potencial dentro dos BRICS, mas sim se temos a ambição, os instrumentos e as parcerias para converter esse potencial em valor econômico para o nosso povo”, afirmou.

A expansão do BRICS, na visão de Ramaphosa, aumenta a capacidade do grupo de articular mercados, investimentos e projetos de desenvolvimento. O desafio agora é transformar o peso econômico dos integrantes em resultados concretos para suas populações, sobretudo por meio da industrialização, da geração de empregos e do domínio de tecnologias estratégicas.

Fonte: Brasil 247

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