Presidente do Paraguai defende reintegração da Venezuela ao Mercosul

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Por Aquiles LinsBrasil 247

247 – O presidente do Paraguai, Santiago Peña, defendeu nesta quarta-feira (23), durante discurso na Assembleia Geral da ONU, a reintegração da Venezuela ao Mercosul, dez anos depois da suspensão do país do bloco sul-americano.

A Venezuela foi suspensa por tempo indeterminado em 2016, sob a alegação de descumprimento das normas democráticas do Mercosul durante o governo de Nicolás Maduro.

Em seu pronunciamento, Peña afirmou que o objetivo deve ser apoiar uma transição institucional no país, com segurança, estabilidade econômica e respeito aos direitos humanos. “Quero, queremos, uma transição com instituições, com segurança, com uma economia e com um povo novamente integrado à comunidade internacional e à nossa região, integrado ao Mercosul”, disse.

O presidente paraguaio acrescentou: “Vamos nos unir para ajudar a Venezuela, esse belo país, a se reintegrar ao mundo e alcançar um governo democrático que respeite os direitos humanos.”

Paraguai abriu canal de diálogo com Caracas

Peña também mencionou a viagem que fez recentemente a Caracas e afirmou que o Paraguai abriu um canal de diálogo com autoridades venezuelanas. Segundo ele, a iniciativa busca contribuir para uma saída conduzida pelos próprios países da região.

“O Paraguai abriu um canal de diálogo com as autoridades venezuelanas e já está tomando medidas em direção a uma Venezuela na qual o poder pertença ao seu único e verdadeiro soberano: o povo venezuelano”, declarou.

O presidente do Paraguai disse ainda que a América Latina não deve depender de potências externas para enfrentar seus impasses políticos e institucionais. “Não podemos esperar que os Estados Unidos ou alguma potência do Norte resolvam nossos problemas”, afirmou.

Peña cita Nicarágua, Cuba e Haiti

No discurso, Peña estendeu a defesa do diálogo a outros países da região que enfrentam instabilidade política, social ou econômica, como Nicarágua, Cuba e Haiti.

Para o presidente paraguaio, manter conversas com Caracas também é uma forma de atuar contra problemas regionais que ultrapassam fronteiras nacionais. “Conversar é uma forma de estar ao lado do povo venezuelano. Também é uma forma de combater conjuntamente o crime transnacional, que não conhece fronteiras e prejudica toda a nossa região”, disse.

A declaração ocorre em meio a um cenário de reaproximações diplomáticas envolvendo a Venezuela e países sul-americanos, embora a suspensão do país no Mercosul continue em vigor.

Críticas à ONU e defesa de Taiwan

Além da Venezuela, Peña tratou da necessidade de mudanças no funcionamento das Nações Unidas. Em linha com críticas feitas por outros líderes latino-americanos durante a Assembleia Geral, o presidente paraguaio questionou a burocracia da organização e cobrou maior capacidade de resposta a problemas concretos.

Ao falar sobre o Conselho de Segurança, Peña afirmou que o órgão “precisa deixar de ser uma bela fotografia do mundo como ele era em 1945.”

“O lema desta Assembleia nos desafia a restaurar a confiança, administrar as transformações e garantir que as Nações Unidas cumpram seu papel para todos. É um bom lema. Eu o apoio plenamente. Mas sejamos francos, meus queridos amigos. As pessoas não querem mais slogans. Nossos cidadãos querem soluções para seus problemas”, afirmou.

Peña também defendeu a “participação plena e significativa da República da China, Taiwan, nas Nações Unidas e em suas agências especializadas”, posição tradicional do Paraguai, um dos poucos países da região que mantêm relações diplomáticas com Taiwan.

Fonte: Brasil 247

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