Prefeito de Baixo Guandu diz que vai ter que demitir 700 comissionados se Ricardo perder

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Publicado em 11 de Outubro de 2026 às 14:36

Tiago Alencar

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O prefeito de Baixo Guandu, Lastênio Cardoso (MDB), afirmou em vídeo publicado no sábado (10), que a prefeitura poderá ter de demitir cerca de 700 pessoas caso Ricardo Ferraço (MDB) não vença a eleição para o governo do Espírito Santo. No segundo turno, Ferraço disputa o cargo com o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos).

Na gravação, que tem pouco mais de dois minutos, Lastênio pede votos para Ferraço e diz que uma eventual derrota também poderá afetar obras e o transporte escolar.  O prefeito aparece com o número de urna do candidato, que curtiu a publicação.

Para o advogado eleitoral Hélio Maldonado, membro da Comissão Nacional de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), as declarações são “juridicamente preocupantes” e podem caracterizar assédio e coação eleitoral. 

Na avaliação do advogado, associar a manutenção de empregos, obras e serviços ao voto em determinado candidato, usando a autoridade do cargo para pressionar eleitores, pode configurar o crime previsto no artigo 300 do Código Eleitoral, além de possível abuso de poder político, nos termos da Lei Complementar nº 64/1990.

Lastênio começa o vídeo agradecendo aos moradores pela votação recebida pelos candidatos apoiados por seu grupo. Em seguida, fala sobre o que, segundo ele, poderá ocorrer no município se Ricardo não vencer.

“A prefeitura vai ter que demitir aí talvez umas 700 pessoas”, afirma. O prefeito diz que os efeitos dessas demissões também alcançariam o comércio e os prestadores de serviços da cidade. 

Uma consulta ao Portal da Transparência da prefeitura neste domingo (11) mostrou que o Executivo conta com 660 cargos comissionados em sua estrutura administrativa.

Ao longo da gravação, Lastênio afirma que os eleitores têm liberdade de escolha, mas relaciona o voto às consequências que prevê para o município.

“Sempre digo uma coisa: todo mundo é livre para escolher, fazer suas escolhas, mas também é responsável pelas consequências das suas escolhas.”

Procurado pela reportagem, Lastênio Cardoso afirmou: “Só estou falando a verdade, se a verdade for crime, então devo pagar.”  Segundo o prefeito, os impostos arrecadados com as obras ajudam a pagar parte dos servidores e o transporte de estudantes para o Ifes.

“Se as obras pararem, nós não teremos os impostos dessas obras, esse dinheiro é que pagamos uma parte dos servidores e o transporte para o Ifes. Quem quiser pagar pra ver, fica à vontade”, declarou.

A campanha de Ricardo Ferraço também foi procurada pela reportagem, mas não havia respondido até a publicação deste texto. Em caso de resposta, a matéria será atualizada.

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