Preço da cesta básica cai em 25 capitais do Brasil
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – O custo dos alimentos essenciais recuou em quase todo o país em agosto. A cesta básica ficou mais barata em 25 das 27 capitais brasileiras na comparação com julho de 2026, de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada nesta quinta-feira (10) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Nesta semana, em Teresina (PI), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou que que a inflação dos alimentos acumulada em quatro anos do governo anterior chegou a 56%., ante 13,6% em seu atual mandato.
Rio Branco lidera queda da cesta básica
As maiores reduções foram registradas principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Rio Branco liderou o levantamento, com recuo de 4,68% no preço da cesta básica entre julho e agosto.
Na sequência aparecem Manaus, com queda de 4,55%; Boa Vista, com 4,47%; Aracaju, com 3,89%; e Cuiabá, onde a redução chegou a 3,37%.
O alcance nacional do movimento é um dos principais destaques da pesquisa: somente duas das 27 capitais não apresentaram diminuição do custo da cesta básica no período analisado.
Café cai em 23 capitais e tomate, em 22
A redução também foi disseminada entre produtos presentes diariamente na alimentação dos brasileiros.
O café em pó ficou mais barato em 23 das 27 capitais pesquisadas. O tomate apresentou redução de preço em 22 cidades, enquanto o feijão recuou em 20 capitais.
A batata também teve queda expressiva. O produto ficou mais barato em todas as capitais do Centro-Sul nas quais é pesquisado. Em Brasília, a redução chegou a 34%.
PAA e estoques reguladores
A redução no preço dos alimentos também está atrelada a políticas públicas voltadas à produção e ao abastecimento de alimentos.
Entre elas está a retomada do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que conecta a produção da agricultura familiar à demanda de escolas públicas, hospitais, cozinhas solidárias e instituições sociais.
O governo também ampliou os recursos destinados ao Plano Safra da Agricultura Familiar e retomou a formação de estoques reguladores. Esses estoques podem ser utilizados para enfrentar períodos de escassez e reduzir pressões sobre os preços dos alimentos.
Cesta básica terá alíquota zero em 2027
Outra mudança com potencial impacto sobre os gastos das famílias está prevista para janeiro de 2027, quando entra em vigor o novo sistema de tributação do consumo estabelecido pela reforma tributária.
Os produtos integrantes da cesta básica nacional terão alíquota zero dos novos tributos sobre o consumo, eliminando a incidência dessas cobranças sobre os alimentos essenciais definidos pela legislação.
A reforma também instituiu um sistema de cashback de tributos sobre o consumo para integrantes do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), incluindo despesas essenciais como água e energia elétrica.
Inflação e perda de renda no governo Bolsonaro
Ao comparar o cenário atual com o período anterior, o, durante o governo Jair Bolsonaro ocorreu simultaneamente ao desemprego elevado, à ausência de aumento real do salário mínimo durante os quatro anos e à redução da renda média dos trabalhadores.
Em 2020, o grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 14%. Entre produtos específicos mencionados pela publicação, o óleo de soja acumulou aumento de 103%, enquanto o arroz avançou 76% e o leite longa vida subiu 27%.
No ano seguinte, outros alimentos registraram aumentos expressivos. O café moído ficou 50% mais caro, a mandioca avançou 48% e o açúcar subiu 47%.
A deterioração do poder de compra também apareceu nos indicadores de renda. Em 2021, o rendimento médio mensal real domiciliar por pessoa caiu 6,9%, passando de R$ 1.454 para R$ 1.353, segundo os dados citados pela publicação.
Entre a metade da população brasileira de menor renda, a redução do rendimento médio naquele ano chegou a 15%.
Reduflação atingiu consumidores
Foi também nesse ambiente de inflação elevada que ganhou visibilidade a chamada “reduflação”, estratégia na qual produtos passam a ser vendidos em embalagens com menor quantidade, peso ou volume sem uma redução proporcional dos preços.
Em setembro de 2021, o governo federal editou uma regra para obrigar fornecedores a informar de maneira ostensiva aos consumidores quando houvesse redução da quantidade comercializada nas embalagens.
Fonte: Brasil 247