Por que o vídeo do Fábio Porchat incomodou tanto a extrema direita?

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Por henriquenunesFundação Perseu Abramo

Na noite de segunda-feira (21), a imagem do ator e comediante Fábio Porchat tomou conta das redes sociais. Em poucas horas, o corte extraído para divulgar a série “Revelando”, iniciativa do podcast Calma Urgente, com apoio do ICL, da Mídia Ninja e da produtora 342 Artes, fez com que uma simples pergunta se tornasse uma grande dor de cabeça para o campo da extrema direita.

“Como que um banqueiro, dois pastores, um deputado e um candidato à presidência se tornaram, nas palavras deles, uma irmandade?”, pergunta Porchat. A resposta está no vídeo completo com cerca de 30 minutos publicado no YouTube, que apresenta detalhes das relações de Daniel Vorcaro com o empresário e pastor Fabiano Zettel e André Valadão, uma das principais lideranças da Igreja Batista da Lagoinha, além de algumas das principais lideranças do bolsonarismo. 

Menos de 24 horas após a estreia, o segundo episódio da série chegou ao primeiro lugar no ranking Hype do YouTube, onde já somava mais de 3 milhões de visualizações. No Instagram, os cortes do vídeo original explodiram e mobilizaram uma reação imediata para derrubá-lo. 

O vídeo chegou a ficar algumas horas fora do ar, mas foi republicado novamente – sem muitas explicações da Meta, empresa responsável pela rede social. O próprio Porchat veio a público denunciar, mais uma vez, o boicote da big tech com conteúdos contrários aos interesses da extrema direita. 

A razão para tanto alarde está nos pouco mais de 30 minutos em que Porchat apresenta as conexões familiares, religiosas, financeiras e políticas que cercam o caso  do Banco Master. O documentário tem como ponto de partida o casamento de Natália Vorcaro, irmã do banqueiro Daniel Vorcaro, com o empresário e pastor Fabiano Zettel, grande aliado de André Valadão, uma das principais lideranças da Igreja Batista da Lagoinha.

A partir daquela cerimônia, a produção mostra como a família Vorcaro e a igreja se conectaram com figuras políticas para construir um grande império de negócios nem sempre lícitos. 

De maneira didática e com o uso de informações públicas e o uso de imagens recuperadas dos personagens antes das acusações, o documentário traça uma linha cronológica das quase três décadas em que a família Vorcaro e a Lagoinha caminharam lado a lado. 

“Eu me vejo como um moleque que passou muita vontade de ter as coisas e agora vive um sonho”, diz Zettel em um depoimento às vésperas do seu casamento. 

Zettel foi preso em março pela Polícia Federal, em meio às investigações do escândalo financeiro do Banco Master, de Vorcaro. Segundo informações de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 14 de setembro, ele transferiu R$ 19,2 milhões em 26 operações para a Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte.

A história também explica como o banco realizava os golpes de investimentos, carteiras de crédito sem lastro e fortaleceu seus laços com políticos ao realizar doações em campanhas eleitorais como as de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. 

O deputado citado pelo apresentador logo no início é Nikolas Ferreira, membro da Lagoinha e que manteve contato frequente com o banqueiro preso por fraudes milionárias segundo mensagens reveladas pelo próprio ICL. A relação entre ambos, ainda com perguntas a serem respondidas, sugere muito mais do que meros contatos por WhatsApp e apontam para tráfico de influência e voos pagos pelo dinheiro sujo de Vorcaro. 

O documentário chega, enfim, ao candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro. As relações com Vorcaro são notórias e já amplamente divulgadas, mas são apresentadas como um elo paralelo ao da igreja, em uma trama iniciada a partir do financiamento do filme Dark Horse.  

O episódio relembra as mensagens divulgadas pelo The Intercept, em que o senador cobra R$134 milhões de Vorcaro para financiar a cinebiografia do pai. Zettel, segundo investigações da Polícia Federal, era quem intermediava as negociações para arrecadar o dinheiro.

As suspeitas apontam para o pagamento de metade do valor estipulado inicialmente e que até agora não foi explicado para que fim exatamente seria usado. Flávio Bolsonaro (PL) é formalmente investigado em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa.

Assista:

Fonte: Fundação Perseu Abramo

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