Por que Flávio Bolsonaro defendeu o policial que assassinou Ana Clara, uma criança de 5 anos?
Por Diego Nunes — Esquerda Diário

Ana Clara, uma criança de 5 anos, brincava na porta de casa, em Niterói, quando foi atingida por 4 disparos de fuzil em fevereiro de 2021. O delegado da Polícia Civil na época afirmou que não havia dúvida sobre quem atirou. Cinco anos se passaram e o ex-cabo da PM Bruno Dias Delaroli ainda não foi julgado pelo Tribunal do Júri. Delaroli teve como advogado um senador da República, Flávio Bolsonaro, que recorreu ao STJ para tentar barrar o julgamento popular, o que contribuiu para arrastar o processo e negar à família a chance de ver o caso julgado. Não há evidência maior das ligações dos bolsonaro com a milícia do que um cabo da PM ter como advogado um Senador, é emblemático.
Não se trata aqui de questionar o direito constitucional à defesa, único argumento que Flávio usou no debate da Band ao ser questionado por Lula sobre como e por que ser advogado de um assassino de criança. O ponto é: por que um senador da República, que faz da segurança pública sua principal bandeira, faz questão de atuar na defesa de um policial responsável por matar uma criança?
A resposta está no histórico de Flávio Bolsonaro, que concedeu a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio, ao ex-PM Adriano da Nóbrega, posteriormente apontado pelas autoridades como chefe do grupo miliciano Escritório do Crime. Quando questionado, o senador limitou-se a dizer que Adriano era um “policial exemplar”. A viúva de Adriano, Danielle Nóbrega, foi assessora de Flávio em seu gabinete na Alerj, assim como a mãe do miliciano, Raimunda Magalhães, e as investigações sobre o antigo gabinete mantêm medidas de quebra de sigilo relacionadas a Danielle.
A ligação com as milícias é um fato documentado por investigações policiais e judiciais. O Escritório do Crime é uma organização miliciana dedicada a assassinatos por encomenda, e seu líder foi homenageado por Flávio. A família Bolsonaro construiu sua carreira política sobre a exaltação de policiais e a defesa intransigente de sua atuação. Uma PM que marcha cantando que deve “subir o morro e deixar corpo no chão”.
O caso de Ana Clara é a prova mais cruel dessa lógica. Uma criança de 5 anos morreu. Sua família espera por justiça há cinco anos. E o senador que quer governar o país usou seu conhecimento jurídico para tentar impedir que o acusado fosse julgado pelo júri popular. Que papel esse ex-cabo da PM cumpria no bando miliciano da máfia Bolsonaro para merecer deslocar um senador como advogado? Fica a questão.
A extrema direita não defende a segurança pública. Defende a impunidade seletiva para aqueles que vestem farda ou frequentam seu entorno. Defende um Estado em que a vida de uma criança negra e pobre vale menos do que a conveniência política de seus aliados. Sob a bandeira da “segurança pública” a extrema direita da bancada da bala aposta no discurso de ódio e guerra às favelas, pois este gera muito mais lucro. Um lucro embebido em sangue de trabalhadores e trabalhadoras, negros e negras e de crianças.
Exigimos justiça para Ana Clara! Por isso temos que dizer em alto e bom som: nenhum voto em Flávio Bolsonaro! O que pode derrotar a extrema direita, Flávio Bolsonaro e garantir justiça é a nossa mobilização nas ruas! A mesma que derrubou a escala 6X1.
Fonte: Esquerda Diário