‘Políticas públicas não são esmolas’, dizem mulheres cristãs em manifesto de apoio a Lula
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – A Frente Mulheres de Fé por Direitos e Justiça divulgou um manifesto em apoio à reeleição do presidente Lula (PT) e do vice Geraldo Alckmin no segundo turno da eleição presidencial. “Bolsa Família, vale gás, cotas, políticas de igualdade racial, Lei Maria da Penha, SUS, aposentadoria, Minha Casa Minha Vida, escola e universidades públicas de qualidade não são esmolas. São políticas conquistadas pelas mulheres e sociedade organizadas”, afirma o texto do grupo, que reúne mulheres cristãs de diferentes tradições religiosas, entre elas católicas, protestantes históricas, evangélicas, pentecostais, neopentecostais e inclusivas.
No documento, as signatárias se apresentam como mulheres que atuam em comunidades, células, grupos de oração, igrejas e espaços seculares. O texto afirma que o movimento reúne mulheres negras, indígenas, amarelas e brancas, com diferentes trajetórias sociais, profissionais e religiosas.
“Lula é a possibilidade de que as pessoas continuem sendo atendidas por políticas que distribuem riqueza, saciam a fome de quem tem fome e que, ao proibir as bets, despedem gananciosos enganadores de mãos vazias”, acrescentou.
O manifesto associa a defesa do voto em Lula a pautas como Bolsa Família, vale gás, cotas, políticas de igualdade racial, Lei Maria da Penha, Sistema Único de Saúde (SUS), aposentadoria, Minha Casa Minha Vida e educação pública.
O movimento também afirma que essas políticas garantem dignidade às mulheres, às famílias e às comunidades. Segundo o manifesto, a eleição de 25 de outubro envolve a escolha de um “projeto de País”.
O candidato Flávio Bolsonaro (PL) registrou 47% (56 milhões dos votos válidos) e o presidente Lula (PT) teve 45,16% (53 milhões) no primeiro turno, que ocorreu no último domingo (4).
A pesquisa Vox Brasil, divulgada nesta sexta (9), mostrou empate técnico entre os dois candidatos na disputa para o segundo turno, marcado para o dia 25.
Mulheres dizem viver a política no cotidiano
A Frente Mulheres de Fé por Direitos e Justiça afirma que mulheres cristãs vivem a política no dia a dia, a partir do cuidado com filhos, netos, pais, mães, pessoas idosas e familiares que precisam de atenção específica.
O texto menciona a presença de mulheres nas unidades básicas de saúde, nas reuniões escolares e no apoio a vítimas de violência doméstica. O manifesto também cita o impacto das apostas online na renda das famílias.
“Somos nós que damos um jeito de não faltar comida na mesa quando o dinheiro da família é tragado pela ganância das bets”, diz o documento.
A carta defende que política significa participação e partilha de poder. O grupo afirma que decisões políticas definem a distribuição ou concentração de riqueza, a ampliação de creches e escolas, o cumprimento da Lei Maria da Penha e a proteção de meninas vítimas de violência sexual.
Referências religiosas e defesa de direitos
No manifesto, o movimento recorre a referências cristãs para justificar sua posição política. O texto cita Maria, mãe de Jesus, Maria Madalena, Maria de Cléofas e Salomé como ancestrais na fé.
Conforme o documento, essas mulheres permaneceram aos pés da cruz enquanto Jesus morria em um contexto de violência de Estado articulada ao poder religioso de seu tempo.
As signatárias comparam essa referência bíblica à realidade de mães que reivindicam os corpos de filhos e filhas, em sua maioria jovens negros, mortos pela violência do Estado, pelo crime organizado e por milícias nas periferias.
“Essa violência tem cor. O racismo decide quem vive e quem morre neste país. E o racismo é pecado”, afirma o manifesto.
O texto também menciona familiares mortos durante a pandemia de Covid-19 e critica autoridades que, segundo o movimento, deveriam ter evitado mortes e trataram a crise sanitária com descaso.
Manifesto associa Lula à defesa de políticas sociais
A Frente Mulheres de Fé por Direitos e Justiça afirma que escolheu Lula como presidente e Alckmin como vice por considerar que a chapa representa a continuidade de políticas de distribuição de renda e proteção social.
O documento também faz referência ao Cântico de Maria, passagem bíblica que exalta Deus por alimentar pessoas famintas e mandar embora de mãos vazias aqueles que acumulavam recursos.
Ao final, o texto afirma que o apoio a Lula se dá “por nossos filhos e filhas”, “pelas nossas famílias”, “pelas nossas comunidades de fé”, “pela soberania de nossa Nação” e “pelo futuro na Nação brasileira”.
Fonte: Brasil 247