Política econômica de Milei leva Argentina à recessão, prevê JP Morgan
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – A economia argentina pode registrar dois trimestres consecutivos de queda em 2026. O JP Morgan revisou de 2,7% para 1,5% sua previsão de crescimento para o país e passou a projetar retração no período de julho a setembro, após uma baixa de 2,9% na atividade econômica em julho ante junho. As informações foram publicadas pela teleSUR, com base em relatório do banco e em dados oficiais.
O recuo de julho foi quase três vezes maior que o esperado pela instituição financeira. “Esperávamos um dado fraco de atividade em julho, em linha com o contexto de fraqueza que caracterizou o segundo trimestre. No entanto, a contração informada superou amplamente nossa previsão de aproximadamente 1% de queda mensal”, afirmou o JP Morgan, em declaração reproduzida pela teleSUR.
A projeção do banco para o terceiro trimestre é de queda de 4% em taxa anualizada, equivalente a um recuo próximo de 1% em relação ao trimestre anterior. Como o Produto Interno Bruto (PIB) já caiu 0,6% entre abril e junho, uma nova retração configuraria uma recessão técnica. Os resultados oficiais de agosto e setembro ainda são necessários para confirmar esse cenário.
O indicador mensal de atividade econômica do instituto argentino de estatísticas, o Indec, também ficou 1,4% abaixo do registrado em julho de 2025. Segundo o JP Morgan, foi o pior desempenho mensal desde o confinamento imposto durante a pandemia, em abril de 2020. Indústria e comércio estão entre os setores que mais pesaram no resultado.
A revisão amplia a distância entre as expectativas do banco e as do governo do presidente Javier Milei. No projeto de orçamento enviado ao Congresso, o Executivo prevê crescimento de 3% em 2026 e de 4% em 2027. O JP Morgan estima avanço de 2,5% no próximo ano, mas avalia que a expansão deve continuar desigual: mineração e energia voltadas à exportação têm efeito limitado sobre o comércio e o consumo internos.
O relatório também relaciona a fraqueza da demanda à perda de poder de compra provocada pela inflação e à desaceleração do crédito diante do aumento da inadimplência. No primeiro semestre, a pesquisa de domicílios realizada em 31 aglomerados urbanos apontou que 32,3% das pessoas viviam abaixo da linha da pobreza e 7,5%, abaixo da linha da indigência. Esses percentuais se referem às áreas pesquisadas pelo Indec.
Fonte: Brasil 247