Polícia investiga se deputado evangélico bolsonarista atirou de propósito e assediou mulheres em balada

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Por Laís Gouveia — Brasil 247

247 – A Polícia Civil de São Paulo investiga se o deputado estadual Marcelo Aguiar (PL) cometeu importunação sexual contra mulheres e disparou intencionalmente uma arma de fogo durante uma confusão em uma casa noturna no Itaim Bibi, Zona Sul da capital paulista. O episódio ocorreu na madrugada de segunda-feira (19), depois que homens teriam confrontado o parlamentar por suas abordagens a frequentadoras do estabelecimento.

Segundo reportagem do g1, testemunhas relataram que o deputado estava embriagado e insistia em se aproximar de mulheres que demonstravam desconforto com suas investidas. A investigação também busca esclarecer se o tiro foi intencional ou se a arma disparou acidentalmente durante a discussão, como sustenta o parlamentar.

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O registro elaborado pela Polícia Militar aponta que Marcelo Aguiar teria abordado uma mulher que estava acompanhada de amigos. Dois homens do grupo decidiram intervir, dando início ao desentendimento.

“Dois amigos da mulher foram tirar satisfação com o deputado, que se sentiu acusado e sacou uma arma de fogo e efetuou um disparo que não atingiu ninguém”, informa o documento da PM.

Uma frequentadora da casa noturna Santo, onde ocorreu o episódio, afirmou que o parlamentar apresentava sinais evidentes de embriaguez e tentava tocar em mulheres sem que elas demonstrassem interesse.

“Ele [Marcelo] estava do meu lado, literalmente, mas muito, muito, muito, muito bêbado, e estava segurando uma taça de vinho”, relatou a testemunha, que pediu anonimato.

“E ele estava tentando pegar na mão de duas meninas. Aí ele tentava falar com uma menina, a menina não estava gostando e aí, ela meio que pediu socorro para a mesa que ela estava de amigos”, acrescentou.

Outros relatos obtidos pela reportagem descrevem o deputado como “absurdamente bêbado”, além de mencionarem que ele estaria “xavecando”, “pegando na mão”, “encostando” e “tentando mexer no cabelo” de mulheres presentes na balada.

Polícia apura se houve tentativa de tomar arma do deputado

Uma das hipóteses examinadas pela Polícia Civil é a de que, durante o confronto entre Marcelo Aguiar e os homens que tentavam defender as mulheres, algum dos envolvidos tenha tentado retirar a arma do parlamentar, provocando o disparo.

O deputado apresentou uma versão diferente daquela registrada pela Polícia Militar. Em depoimento, afirmou que passou mal durante sua permanência na casa noturna, possivelmente em consequência de medicamentos que havia ingerido.

Marcelo Aguiar declarou que ouviu o disparo e alegou que “caso tenha ocorrido algum disparo proveniente de sua arma, este se deu de maneira acidental”.

O parlamentar não mencionou, no depoimento, as acusações de importunação sexual nem os relatos das testemunhas sobre seu suposto estado de embriaguez.

A confusão provocou correria entre os clientes. O apresentador Fred Bruno, da TV Globo, relatou ter sentido o impacto de um projétil de raspão no pé. Em vídeo publicado após o episódio, afirmou que sentiu uma queimação no local e cobrou esclarecimentos sobre o ocorrido.

Polícia não realizou teste de alcoolemia e apreendeu pistola

Após ser acionada pelo gerente do estabelecimento, a Polícia Militar encontrou Marcelo Aguiar sentado do lado de fora da casa noturna. Os agentes retiraram sua arma, colocaram algemas no deputado e o conduziram ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros.

Segundo os policiais, o parlamentar dormiu durante o trajeto na viatura e chorou na delegacia, onde a ocorrência foi registrada inicialmente como disparo de arma de fogo.

A pistola Glock G42, calibre .380, foi apreendida para perícia. A arma está regularizada, e Marcelo possui autorização para portá-la para defesa pessoal.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo foi questionada pela reportagem sobre a ausência de exames para verificar a presença de álcool no organismo do parlamentar. Também foram solicitados esclarecimentos sobre a realização de exame residuográfico para identificar vestígios de pólvora em suas mãos.

Outro ponto sob apuração é a possível utilização de uma placa irregular da Assembleia Legislativa de São Paulo no veículo usado pelo deputado para chegar ao estabelecimento.

Em nota, a SSP informou que “todas as circunstâncias dos fatos serão apuradas, o que inclui a possível utilização de placas adulteradas no veículo que o investigado utilizou para chegar ao local, circunstância não relatada à autoridade policial durante o plantão”.

Investigação depende de autorização da Justiça

Marcelo Aguiar foi liberado após prestar depoimento e responderá ao procedimento em liberdade. Conforme as informações policiais, sua condição de deputado estadual e as regras sobre prisão de parlamentares foram consideradas na decisão.

A abertura formal do inquérito depende de autorização do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), em razão do foro por prerrogativa de função. O pedido já foi encaminhado e aguarda decisão.

A Assembleia Legislativa informou que a conduta do parlamentar será apurada pela Comissão de Ética. A casa noturna Santo declarou que está colaborando com as investigações.

Em nota, a assessoria de Marcelo Aguiar sustentou que ele estava sob efeito de medicamentos fortes, que teriam provocado uma reação adversa. A defesa afirmou que o deputado se envolveu em uma discussão e que os fatos serão esclarecidos durante a investigação.

O parlamentar, de 53 anos, é integrante da bancada evangélica da Alesp e cantor gospel. Foi vereador de São Paulo e deputado federal antes de conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa paulista.

A Polícia Civil deverá confrontar os depoimentos das testemunhas, a versão do deputado e os resultados da perícia para determinar as circunstâncias do disparo e verificar se houve importunação sexual contra as mulheres que estavam no estabelecimento.

Fonte: Brasil 247

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